
Com o tema ‘Feira é o mundo’, foi lançada na noite desta quarta-feira (8), a 19ª edição do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) . A cerimônia de abertura ocorreu no Centro Cultural do Sesc e contou também com visita mediada à exposição “O Chamado da Rua: Poéticas do Bando” e show da Quixabeira da Matinha.
O Flifs 2026 será realizado no Centro de Convenções, situado no bairro São João, entre 25 e 30 de agosto, e segundo a organização do festival, a expectativa é que mais de 60 mil pessoas visitem os estandes e alamedas que serão montados em uma área de 23 mil metros quadrados no espaço de eventos. Além disso, já estão programados 95 lançamentos de livros nos seis dias de programação, assim como mesas literárias, apresentações artísticas e atividades infantis.

O festival é organizado pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), em parceria com o Sesc (Serviço Social do Comércio). A estrutura montada para os expositores constará de: 90 unidades, seis palcos tablados, 26 toldos, um teatro com 665 lugares e dois auditórios, além de salas para realização de oficinas formativas.
Ao Acorda Cidade, após o lançamento do Flifs, Maria Marighella, que é ex- presidenta da Fundação Nacional de Artes, ressaltou a importância do festival como referência para outros eventos dessa natureza na Bahia e no Brasil.

“O Flifs foi uma das primeiras feiras literárias e hoje é um festival literário na Bahia. Então é uma referência para nós da cultura e para outros festivais. É sempre importante ver essa junção da Universidade de Feira de Santana e do Sesc, transformando a tradicional feira em um festival, com uma programação cultural intensa, robusta, com multilinguagens. A Bahia se torna hoje no Brasil o estado que mais promove festivais e feiras literárias, e isso comprova o papel da universidade também como uma instituição cultural”, apontou.
Uma das participantes da exposição “O Chamado da Rua: Poéticas do Bando”, a fotógrafa Hortência Sant’Ana expôs trabalhos autorais divididos em blocos, evidenciando em sua apresentação artística a estética de rua do Bando Anunciador.

“São três blocos, cujos títulos são: Preparação ou Reparação; Sagrado e Profano e Festa. Cada bloco traz uma junção de fotografias autorais e documentos relacionados à Festa de Sant’Ana. Eu transitei entre essas épocas, apresentando através do Lambe-Lambe para trazer à galeria essa estética de rua também, e as pessoas se sentirem como se estivessem no Bando de fato”, contou.

Hortência revelou ainda como foi o processo de preparação da apresentação artística. “Eu fiz a colagem digital dos documentos com minhas próprias fotos de 2016 e 2023 do Bando Anunciador. Todas as obras aqui homenageiam o Bando, cada uma tem um tema específico, remetendo à história do evento, como a Lavagem da Lenha, a contribuição das religiões de matrizes africanas e vários outros aspectos.”
O artesão Matheus Chão de Palha apresentou uma obra interativa ao público na exposição, na qual buscou homenagear diversos aspectos do Bando e desconstruir também estereótipos.

“Eu tentei trazer uma obra mais interativa, que as pessoas pudessem tocar. Então trouxe uma roleta, represetando a Orquestra Sinfônica de Feira, fiquei também com a temática do vaqueiro, que eu trouxe um pouco mais afeminado para quebrar um pouco esse estereótipo de masculinidade do sujeito vaqueiro e fiz também uma homenagem à Levagem da Lenha, que resgata o momento quando em Feira de Santana não tinha energia elétrica e as pessoas costumavam fazer uma fogueira antes do Bando, e todo mundo levava um pedaço de madeira, por isso se chamou levagem da lenha. Então essa obra resgata também um pouco desse momento histórico que se perdeu com o passar dos anos”, detalhou.
Para o publicitário Luan Carregosa, o lançamento do Flifs e a exposição que homenageia o Bando Anunciador é uma oportunidade para as gerações mais jovens se conectarem com a história e cultura de Feira de Santana.

“Muita gente reclama que Feira não tem cultura, mas a gente precisa voltar a olhar para o que já aconteceu e que ainda acontece muito em Feira. Essa cultura é muito presente e estou vendo que cada vez mais pessoas jovens estão tendo acesso a ela”, frisou.
Mudança da praça para o Centro de Convenções
Durante a solenidade de lançamento do festival, a Pró-reitora de extensão da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Taíse Bonfim, esclareceu as razões que levaram à mudança do evento, saindo da Praça Padre Ovídio, no centro da cidade, para o espaço do Centro de Convenções.
De acordo com ela, a organização levou em consideração o aumento expressivo do público a cada ano e a segurança das famílias e crianças participantes, uma vez que o festival assumiu grandes proporções.

“Ano após ano, esse público vem aumentando e a gente estava limitado no mesmo espaço. São deveres nossos promover um ambiente com acessibilidade, um ambiente seguro, e o nosso público é majoritariamente infantil, então isso nos preocupava bastante. E ano passado nós tivemos um recorde de público de 60 mil pessoas. Tivemos shows à noite que tivemos que fechar o portão. Então, diante desse cenário, a gente realmente solicitou a cessão do Centro de Convenções, para que a gente fizesse lá o evento”, justificou.
Gerente do Centro Cultural e Restaurante Sesc Feira, Fabrício Freitas, salientou que ao longo dos seus 19 anos o Flifs amadureceu a partir de uma feira de livros e se tornou um evento de grande porte.

“Vários órgãos da cidade faziam feiras de livros e resolveram se juntar para fazer um evento para a cidade inteira feita a várias mãos. Isso quer dizer que durante 19 anos esse festival foi amadurecendo a ponto de se tornar um festival literário. Ocupamos tudo o que existia no entorno e ficou pequeno, inseguro, porque nós temos um fluxo enorme de crianças atravessando essas ruas. Então precisamos tentar ir para o Centro de Convenções, que foi criado para isso, para receber grandes eventos e tem a infraestrutura necessária. Vai ser um fazer novo, é um ano de experiência, provavelmente vamos ter alguns percalços, alguns desafios, mas entendemos como quem tentou fazer o melhor nesses 19 anos, que vamos conseguir novamente com a vontade do fazer bem”, destacou.
Distribuição de Vales-livro
A coordenadora do Flifs e diretora do Cuca (Centro Universitário de Cultura e Arte), Cristiana Oliveira, garantiu que, assim como nas edições anteriores, haverá a distribuição de vales-livro para os estudantes das redes municipal e estadual.

“Eu sempre reforço em entrevistas que o Flifs inventou o vale-livro. Tudo que vem depois é uma cópia. E que bom que a gente serviu de modelo. E não foi só para isso. A chamada pública para artistas para lançamento de livros é uma questão democrática do Flifs, defendida pela Comissão Organizadora. Já está garantido tanto pela Prefeitura, que garante o acesso tanto aos estudantes quanto aos professores do município, e pelo Estado também, tanto para professores quanto para estudantes. Então, o valelivro vai acontecer e é um sucesso, como sempre. Tivemos expositores já inscritos para venderem através do vale-livro. Então, a cada ano que passa, mais expositores se colocam à disposição de vender com o vale-livro”, confirmou.
Valorização dos artistas e escritores locais
Além de autores famosos no cenário editorial nacional, como Thalita Rebouças, Luiz Antônio Simas e Jessé Souza, o Flifs 2026 lança um olhar especial para os artistas locais, a exemplo da cantora feirense Márcia Porto, que nesta edição, será homenageada nominando o palco principal do evento.
De acordo com Cristiana Oliveira, a cena cultural de Feira de Santana estará presente de forma marcante no Flifs.
“Nesse processo, a gente sempre tem algo muito precioso e que a gente cuida bastante, que é o fato de valorizar o que muita gente chama de prata da casa. São os artistas que a gente vê no nosso dia a dia que participam da vida cultural, da cena cultural de Feira de Santana. E aí a gente já pode considerar aqui o que a gente está chamando de noite feirense, como o Asa Filho, Dionorina, a valorização, por exemplo, de Márcia Porto que vai ser homenageada. Mas a gente também vislumbra que esse processo de curadoria passa por esse universo de forma global. A gente vai ter, pela primeira vez no Flifs, a Thalita Rebouças. São nomes que estão aí em pauta das grandes legendas da literatura e da cultura.”

Arena Flifinha
Durante todo o festival, a Arena Flifinha promete ser um dos espaços mais disputados, com espetáculos encenados pela Cia. Cuca de Teatro e contação de histórias paralelamente às programações.
“Teremos contação de histórias praticamente em tempo integral. Quando não tivermos programações especiais, teremos contação de histórias, espetáculos, musicais infantis. Então, teremos um espaço todo vocacionado ao infantil juvenil. E é uma das coisas que o Centro de Convenções pode proporcionar. Mais uma vantagem, porque como nós podemos modular melhor do que na praça, não tem essa concorrência dos barulhos, dos fluxos de uma coisa interferir na outra. Podemos oferecer uma programação infantil em tempo integral de festival para esse público específico”, acrescentou Fabrício Freitas.

Com informações do jornalista Kaio Vinicius, do Acorda Cidade.
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