
Em uma fase da vida em que o isolamento social e a solidão podem afetar diretamente a saúde física e emocional, um projeto desenvolvido em Feira de Santana tem transformado a rotina de dezenas de idosos por meio da convivência, da arte e da prática de atividades físicas. Realizado pelo Instituto Antônio Gasparini (IAG), no bairro Cidade Nova, o projeto Envelhecer Melhor oferece gratuitamente oficinas e ações voltadas para pessoas com 60 anos ou mais, com o objetivo de incentivar um envelhecimento mais ativo, saudável e participativo.
Contemplado pelo programa FazCultura, o projeto reúne profissionais de diferentes áreas para desenvolver atividades como teatro, dança de salão, dança circular, pintura, desenho e exercícios físicos. As oficinas acontecem no Centro de Convivência Domingos Mincarone, espaço que há mais de 13 anos atende a população idosa em Feira de Santana.
Segundo a coordenadora Irene Azevedo, além dos participantes que já frequentam o centro de convivência, o projeto está com vagas abertas para idosos de qualquer bairro do município.
“Fomos contemplados agora com esse projeto do FazCultura, onde alguns idosos da casa estão inscritos nesses projetos e estamos abrindo mais vagas também para o teatro, para as oficinas de pintura, de dança, contemplando essas pessoas idosas, não só do bairro Cidade Nova, mas de todos os bairros de Feira de Santana”, explicou ao Acorda Cidade.

Para Irene, um dos principais objetivos é mostrar que envelhecer não significa perder autonomia ou qualidade de vida.
“As pessoas envelhecem e envelhecer não é sinônimo de adoecer. Essas pessoas estão ativas, só não estão mais no mercado de trabalho e, muitas vezes, a maioria são mulheres que tendem a ter depressão por conta dessa solidão. Mais do que uma vulnerabilidade social e financeira, é uma vulnerabilidade afetiva mesmo”, afirmou.
Ela destaca que iniciativas voltadas para a convivência entre idosos podem contribuir, inclusive, para a redução de problemas de saúde.
“Se nós tivéssemos projetos como esse, mais centros de convivência, a gente teria menos pessoas idosas em UPAs, em hospitais. A pessoa fica em um processo depressivo, as taxas dessa pessoa, como colesterol e açúcar, tendem a aumentar. Então, a gente está vendo AVC, derrame, demência, porque essas pessoas não saem mais.”
Ainda de acordo com a coordenadora, a convivência social faz diferença no dia a dia dos participantes. “Frequentar centros, espaços de convivência, eu acredito que salva a pessoa idosa.”
Além das oficinas previstas no Envelhecer Melhor, o Centro de Convivência Domingos Mincarone mantém outras atividades realizadas por voluntários, entre elas coral, bioenergética e dança-terapia.
Histórias de quem encontrou um novo propósito
Quem participa das atividades conta que o espaço se tornou uma segunda casa. Há dez anos frequentando o instituto, Janete da Silva diz que encontrou no projeto um ambiente de acolhimento. “Esse espaço é muito bom. Ninguém fica triste, todo mundo fica alegre. É maravilhoso”, conta.
Janete contou ao Acorda Cidade que participa de aulas de bioenergética, atividade física e, sempre que pode, também acompanha outras oficinas.
Para Giudete dos Santos, que frequenta o local há cerca de 15 anos, o centro de convivência representa um verdadeiro refúgio. “Aqui é nosso refúgio. Aqui é um lugar maravilhoso. Me sinto como se estivéssemos no céu.”
Segundo ela, as atividades nunca deixaram de ser oferecidas e foram ampliadas ao longo dos anos. “Nunca faltou, nunca falhou. É sempre assim, cada dia mais aumentando as atividades, os saberes. Temos psicólogo, temos tudo.”
Já a aposentada Mairane Nascimento também afirma que a participação mudou sua rotina. “Aqui é uma terapia, aqui é um momento alegre. É descontração, risadas, uma coisa boa mesmo. Tudo de bom existe aqui.”

Trabalho voluntário
Entre os profissionais que atuam no projeto está a professora voluntária Maria Anilda, responsável pelas aulas de dança-terapia. Para ela, o trabalho vai além da atividade física.
“O que significa para mim é saúde, bem-estar, qualidade de vida, porque tira essas idosas da zona de conforto, de ficar dentro de casa, ansiosas. Aqui elas buscam energia dentro do próprio ser. É socialização com o outro e isso é saúde.”
Ela conta que, inclusive, também se sente transformada pela experiência. “Eu me sinto gratificada. Todos os dias, quando chega o dia da dança-terapia, eu falo: ‘Meu Deus, hoje eu me sinto muito feliz’. É uma gratidão muito boa”, desabafa.
Como participar
Segundo Irene, atualmente cerca de 250 idosos participam das atividades oferecidas pelo Instituto Antônio Gasparini. Pessoas com 60 anos ou mais podem se inscrever diretamente no Centro de Convivência Domingos Mincarone, localizado na Rua Caminho Maragogipe, nº 3, no bairro Cidade Nova, apresentando um documento de identidade.
Embora exista um limite de vagas para algumas oficinas, a coordenadora afirma que o instituto busca acolher todos os interessados. “Esse espaço aqui é um coração de mãe. Aqui tem sempre uma vaguinha para a pessoa que quer se socializar, que quer sair de casa”, concluiu.
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade
Matéria produzida pelo estagiário de jornalismo Davi Cerqueira sob supervisão de Jaqueline Ferreira, ambos do Acorda Cidade.
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