
Três dos quatro homens mortos no último sábado (11), em Feira de Santana, moravam na mesma casa. Segundo as investigações da Polícia Civil, as execuções foram realizadas por um grupo de criminosos com envolvimento no tráfico de drogas.
À reportagem do Acorda Cidade, o delegado Gustavo Coutinho, que conduz as investigações, disse que acredita que as ordens para a execução partiram de dentro do presídio. Duas das vítimas já foram identificadas como irmãos.
Danilo Asafe Carneiro foi encontrado na 2ª Travessa Leolindo Silva, no bairro Queimadinha, com marcas de tiros e o corpo parcialmente carbonizado. Já Bruno de Freitas Carneiro foi um dos dois homens encontrados baleados em um lixão do bairro São João.

Bruno ainda chegou a ser socorrido com vida para o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), mas morreu na unidade. A outra vítima, também encontrada no lixão, já sem vida, ainda não foi identificada oficialmente.

“Danilo foi pego e levado à força por um grupo de homens que residem no mesmo bairro. Amarraram as mãos dele para trás e levaram ele para um local de mata. Lá, eles atearam fogo nele. Todos esses homens foram vistos armados passando na rua, levando o Danilo, inclusive com um galão de gasolina”, disse o delegado.
Ainda conforme as investigações, os outros dois homicídios ocorreram horas depois. As vítimas, que também residiam na Rua Lorena, na Queimadinha, foram encontradas na Travessa Tenente Abdon, no bairro São João. Para Coutinho, apesar de os crimes terem ocorrido em locais diferentes, eles fazem parte da mesma sequência criminosa.
“Essas três vítimas residiam no mesmo endereço. Uma havia sido atraída e morta antes, e as outras duas foram mortas depois. Foram dois fatos distintos, mas as três vítimas saíram do mesmo local”, disse.

Para a reportagem do Acorda Cidade, o delegado adiantou que as investigações preliminares apontam que a motivação está relacionada à disputa pelo tráfico de drogas naquela região do bairro Queimadinha.
“A ordem veio do presídio. O chefe do tráfico determinou a execução das vítimas quando descobriu que elas estavam traficando na região. Sabemos que esse fato tem relação com o tráfico de drogas”, declarou Coutinho.
O delegado informou ainda que havia uma quarta pessoa na residência onde os criminosos estiveram antes das execuções. Segundo ele, o homem foi poupado após os suspeitos concluírem que ele não tinha envolvimento com o tráfico.
“Os suspeitos perceberam que ele não tinha envolvimento com drogas, apenas o trancaram no banheiro e levaram o celular. Mas ele também poderia ter sido uma vítima”, disse.
Apesar de a identificação oficial ainda não ter sido repassada à Polícia Civil, o delegado adiantou que a vítima encontrada já morta no lixão do bairro São João era conhecida pelo prenome Wesley (ou Wescley).
“Assim que esses suspeitos forem identificados, vamos representar pela prisão preventiva deles. A população também pode colaborar com as investigações com informações por meio do Disque Denúncia, no número 181. Não é preciso se identificar”, explicou o delegado.
Homicídio na Policlínica
Durante a entrevista, o delegado Gustavo Coutinho também foi provocado a comentar sobre as investigações do homicídio ocorrido na última quinta-feira (9), na Policlínica do bairro George Américo.

Segundo ele, os três autores do crime já foram identificados após análise das imagens de câmeras de segurança. Entre os envolvidos há adolescentes.
“Eles já foram identificados e vão responder por esse crime. Como sempre, o crime foi motivado pelo envolvimento com o tráfico de drogas. Tanto a vítima quanto os autores têm ligação com o tráfico de drogas”, disse o delegado.

Apesar da sequência de homicídios registrada nos últimos dias, em especial os três homicídios do último sábado (11), o delegado destacou que Feira de Santana encerrou o primeiro semestre de 2026 com o menor número de assassinatos dos últimos 19 anos. Foram registrados 111 homicídios entre janeiro e junho deste ano.
“Ainda é um número alto, mas, quando comparamos com dois ou três anos atrás, quando o normal era registrar entre 180 e 200 homicídios no semestre, houve uma redução significativa. Desde 2007 não víamos um índice tão baixo. O desafio agora é manter essa redução e continuar intensificando as operações policiais”, finalizou o delegado.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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