14 de July de 2026
xaréu
Estadio Joia da Princesa (Estádio Alberto Oliveira)
| Foto: reprodução / Redes Sociais

Uma verdadeira resenha com tom de nostalgia tomou conta da edição do programa Acorda Cidade desta segunda-feira (13), após o âncora da atração lembrar de uma tradição que fez parte da história do futebol baiano: o xaréu.

Ao comentar o jogo de ida das semifinais do Campeonato Baiano Série B entre Fluminense de Feira e Feira FC, o apresentador Dilton Coutinho relembrou o momento mais aguardado pelos torcedores que não tinham condições de comprar ingressos décadas atrás.

“Faltando 15 minutos para o jogo terminar, Diógenes, pense num sujeito bruto, mas gente boa, que era o administrador do estádio Joia da Princesa na época, abria os portões para a galera que estava do lado de fora entrar”, disse o âncora.

Foto: Antônio Magalhães

Dilton reforçou que o momento era emocionante e muito aguardado pelos torcedores do Touro do Sertão, assim como ele, que queriam impulsionar o tricolor nas partidas dentro de casa, mas não estavam com a grana para comprar o ingresso no momento.

“Era uma turma de lisos. A gente já ficava na expectativa e, quando demorava, a gente batia no portão para lembrar: ‘Bora. Abre os portões. Aí nós entrávamos no finalzinho. Dessa forma, nós pegamos muitos gols de decisão nesses 15 minutos finais”, brincou o apresentador.

Entrando na onda

Pronto. O comentário feito durante o quadro esportivo do programa foi suficiente, como já era de se esperar, para desencadear uma onda de reação dos ouvintes nos tradicionais áudios enviados pelo WhatsApp.

“Eu alcancei esse famoso xaréu. Inclusive, em um jogo entre Bahia e Fluminense de Feira, consegui entrar e ver o gol de Osni contra o Touro do Sertão. Foi um privilégio”, disse o ouvinte Martins.

“Dilton, e quando Itajay gritava: ‘Abre o xaréu’. Ele que dava a ordem. Quem não lembra disso?”, comentou Jorge, fazendo referência ao narrador Itajay Pedra Branca. O dono da voz marcante das transmissões esportivas de Feira de Santana morreu aos 80 anos em janeiro deste ano.

“Dilton, isso era bacana demais, rapaz. Eu vivi o xaréu também na minha vida, em circo, lá na cidade onde eu nasci, em Tucano. O circo fazia isso também. Aos 15 minutos, abria os portões para a gente entrar”, afirmou Rafael Macedo.

Foto: Reprodução / Secom – Feira de Santana

De acordo com pesquisas, os portões do estádio eram abertos tanto para permitir que pessoas sem dinheiro para o ingresso entrassem de graça quanto para facilitar a saída de quem já queria ir embora.

“Você me remeteu aos meus 10 anos de idade, sobre o xaréu. Você esqueceu de falar de Ligoza que falava na época que ainda era o Estádio Almachio Boaventura (nome antigo do Joia da Princesa)”, comentou o ouvinte Fanael Ribeiro.

O folclórico “Seu Ligoza” era o responsável pelos anúncios no sistema de som do estádio e era conhecido pelo jeito irreverente de falar e pelo carisma com que comandava os alto-falantes.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Apesar da nostalgia, teve ouvinte que opinou que a tradição não funcionaria nos tempos atuais. Antônia Almeida, do bairro Santa Mônica II, foi uma das que falaram sobre o assunto.

“Naquele tempo, os jovens eram tranquilos; era melhor de se lidar com essa situação. Mas hoje em dia, se fizer isso, pode dar problema”, disse a moradora da Conceição.

Viva o xaréu

E se engana quem pensa que o xaréu era uma prática comum somente nos estádios de Feira de Santana. O cantor Tatau, ex-vocalista da banda Araketu, contou ao programa Globo Esporte, da TV Bahia, que também recorreu diversas vezes a prática para ver os jogos na Arena Fonte Nova.

Tatau, ex-vocalista da banda Araketu
Tatau, ex-vocalista da banda Araketu | Foto: Reprodução / TV Bahia

“Eu era duro, duro, duro, liso, liso, que era uma beleza. Aí abria um portão e a gente entrava para ver os 15 minutos finais das partidas. Rapaziada, era muito divertido, acontecia um monte de gols no final. Eu vinha, entrava, curtia, voltava. Feliz da vida. Eu era do Xaréu, viu?”, disse o artista.

Acredita-se que, com as atuais exigências de segurança, controle de acesso e capacidade dos estádios, a prática, que ficou muito comum nos estádios da Bahia entre as décadas de 1970 e 1990, acabou desaparecendo do futebol baiano.

Ainda assim, para muitos torcedores, a tradição permanece viva na memória como um dos símbolos mais populares das tardes de futebol na capital do estado e no interior.

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