
Referência no atendimento na área de obstetrícia para Feira de Santana e cerca de 80 municípios da região, o Complexo Materno-Infantil do Hospital Inácia Pinta dos Santos (Hospital da Mulher) também vem se consolidado ao longo dos anos, com a ampliação do rol de consultas e exames, com foco na saúde da mulher e pediátricos.
Em entrevista ao portal Acorda Cidade, a presidente da Fundação Hospitalar Inácia Pinto dos Santos (FHIPS), Gilbert Lucas, fez um balanço das ações da entidade no primeiro semestre de 2026, por meio dos Ambulatórios de Saúde da Mulher e o Ambulatório de Pediatria.
Segundo ela, de janeiro a junho deste ano, o Ambulatório de Saúde da Mulher realizou mais de 32 mil atendimentos em diversas especialidades médicas. Já o pediátrico contabilizou 31.342 atendimentos.

“Hoje temos uma procura muito grande na parte de especialidades, como cardiologista pediátrico, neuropediatra, que hoje temos quatro atendendo e temos feito mutirões para atender a demanda reprimida. E algo que aumentou muito é o atendimento de psicologia infantil, que a gente atende até os 14 anos. Temos a referência também com psiquiatra infantil, e o acompanhamento de saúde mental para a mulher, que funciona no ambulatório, onde também atendemos com planejamento familiar, climatério, pré-natal de alto risco, consulta com ginecologista, fisioterapia pélvica, dermatologia, neuro, psiquiatra para a mulher”, elencou.
Mutirões buscam diminuir a demanda reprimida
Gilbert Lucas ponderou que apesar da ampliação do número de especialidades e os mutirões que têm sido feitos, o complexo do Hospital da Mulher ainda não consegue atender a alta demanda.
“Temos uma demanda reprimida ainda na parte de especialidades. E por isso a gente sempre vem fazendo mutirões. Já realizamos este ano para neuropediatra, e conseguimos fazer 720 atendimentos. Temos também uma demanda muito grande para gastropediatra, cardiologista pediatra, então existe especialidades que têm uma demanda muito grande, e estamos fazendo esses mutirões.”
Na área de saúde da mulher, também há uma demanda muito grande, principalmente na área de ginecologia, a exemplo de consultas com cirurgião ginecologista.
“Estamos sempre entrando em contato com a Central de Regulação para saber qual a maior demanda reprimida, para que em cima disso, a gente possa fazer um mutirão, aos sábados, ou seja, em horários extras, fora os atendimentos normais.”
Atendimentos voltados à saúde do homem
No Centros Municipais de Diagnósticos por Imagem (CMDI), localizados na Avenida Maria Quitéria, no bairro São João, e na Rua Antônio Lázaro Silva, no bairro Baraúnas, em 2025, foram realizados quase 150 mil atendimentos, entre consultas e exames.
No CMDI da Maria Quitéria, além do público feminino, há os atendimentos voltados à saúde do homem. Nos primeiros seis meses deste ano, a unidade já contabilizou 53 mil atendimentos.
“A gente reforçou o atendimento para os homens no CMDI da Avenida Maria Quitéria, onde temos várias especialidades como cardiologista, neurologista, nutricionista, ultrassom, raio-X, dentre outras, e as marcações são via Central de Regulação do município, que faz o agendamento, e também tem alguns direcionamentos de unidades da rede. Estamos ampliando esse serviço. Quando inauguramos o CMDI do Baraúnas, existia uma dúvida se o da Maria Quitéria iria fechar. Em 2025, no CMDI do Baraúnas, realizamos 87.142 exames, e no da Maria Quitéria, 62.790, então mostra que a outra unidade veio para somar. E as duas hoje realizam quase 150 mil atendimentos no ano.”
Recorde de atendimentos na emergência do Hospital da Mulher
A presidente da Fundação Hospitalar, Gilbert Lucas, destacou o recorde de atendimentos no setor da emergência obstétrica do Hospital da Mulher, com 29 mil gestantes atendidas no primeiro semestre de 2026.
Ela ressaltou que 40% das pacientes são de outros municípios, o que reforça a importância do Complexo para toda a região.
“A gente pode considerar um aumento na média de 10%. Antes se falava muito dos municípios enviarem as pacientes em ambulâncias, sem a regulação, e hoje essa cultura mudou muito, pois as próprias gestantes vêm de carro próprio, ao invés de irem para uma unidade de saúde ou hospital do seu município aguardarem uma regulação, e chegam na emergência já em trabalho de parto. Hoje o Hospital da Mulher é uma porta aberta, e a gente tem as regulações.”
Gilbert Lucas ressaltou que neste primeiro semestre foram mais de 100 gestantes atendidas via regulação estadual, como vaga zero, que é quando a gestante de um determinado município entra na regulação estadual e encaminha para o Hospital da Mulher.
“O médico nega por falta de vaga, mas por ser uma gestante de risco, mesmo nós estando superlotados, a regulação encaminha como vaga zero para atendimento na obstetrícia. Ou seja, mesmo a gente não tendo vaga, a gente acaba atendendo essa demanda que vem de fora. E um dado interessante também que vem mudando muito é que hoje temos uma quantidade grande de gestantes que fazem o pré-natal na rede particular, mas elas não têm condição de pagar uma cesárea ou um parto e acabam indo para o Hospital da Mulher.”
A presidente da Fundação afirma que mesmo com o aumento do número de leitos na maternidade e os investimentos que vem sendo realizados ao longo dos últimos anos, sempre vai existir uma demanda reprimida no setor da obstetrícia.
“Se hoje você chegar na emergência do Hospital da Mulher vai ter 100% dos leitos ocupados. Porque manter hoje uma maternidade pelo SUS tem um custo muito alto, e antigamente a gente tinha unidades particulares que credenciavam leitos juntos ao SUS, a exemplo da Mater Dei, que fechou; tínhamos Santas Casas com obstetrícia, e hoje não têm mais, então está muito difícil conseguir manter, porque além do custo alto da equipe, tem todos os protocolos do Ministério da Saúde. Por exemplo, na obstetrícia, o acompanhante tem direito até seis refeições, e isso é um custo alto para uma maternidade, e tem todo o acompanhamento dos exames, que não é feito no particular, onde a gestante tem o bebê, mas depois da alta as consultas são por fora. Na maternidade pública, existe a garantia de retorno 30 dias após o parto”, acrescentou.
Aumento do número de bebês prematuros
O Hospital da Mulher, conforme Gilbert Lucas, registrou ainda um aumento entre 9 e 10% no número de bebês com prematuridade.
“Hoje temos a UTI Neonatal para bebês com prematuridade extrema, e o berçário de médio risco, com 16 leitos. Todos esses bebês vão para alguma dessas unidades e posteriormente eles vão para a mãe canguru, que tem 14 leitos, onde as mães ficam com seus bebês até a alta hospitalar, e após essa etapa eles são acompanhados no ambulatório pediátrico. Esses bebês têm a tendência de perder peso rápido, e o acompanhamento é feito semanalmente. E posteriormente, são acompanhamentos mensalmente até o primeiro ano de vida. É uma realidade preocupante”, acrescentou.
Leia também: Hospital da Mulher já realizou 29 mil atendimentos na emergência no 1º semestre de 2026
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