15 de July de 2026
gastos com shows na Bahia
Fotos ilustrativas: André Carvalho / Bahia Notícias / Movimento Casa Nova

O estado da Bahia concentrou R$ 578 milhões em repasses públicos destinados à contratação de shows artísticos por prefeituras municipais e pelo governo estadual entre janeiro de 2024 e 31 de março de 2026. É o que aponta o relatório “Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio”, divulgado pelo observatório investigativo De Olho nos Ruralistas.

Com o maior investimento do país, a Bahia lidera o ranking. A maioria esmagadora dos casos é de competência municipal, apenas 113 ocorrem no eixo estadual e uma contratação do Federal. Segundo os dados, a Bahia teve, no total, R$ 578 milhões gastos no período, o maior valor absoluto em todo o país, sendo seguida por Pernambuco, com 573 milhões de reais.

Confira a lista:

Bahia — 578 milhões de reais;
Pernambuco — 573 milhões de reais;
Ceará — 316 milhões de reais;
Minas Gerais — 192 milhões de reais;
Sergipe — 161 milhões de reais;
Paraíba — 147 milhões de reais;
Alagoas — 143 milhões de reais;
São Paulo — 138 milhões de reais;
Goiás — 120 milhões de reais;
Rio Grande do Norte — 112 milhões de reais;
Maranhão — 108 milhões de reais;
Paraná — 80 milhões de reais;
Pará — 79,3 milhões de reais;
Piauí — 78,4 milhões de reais;
Mato Grosso — 51 milhões de reais;
Tocantins — 44 milhões de reais;
Espírito Santo — 34 milhões de reais;
Rio de Janeiro — 31 milhões de reais;
Mato Grosso do Sul — 24 milhões de reais;
Amazonas — 19 milhões de reais;
Roraima — 14 milhões de reais;
Distrito Federal — 13 milhões de reais;
Santa Catarina — 12 milhões de reais;
Amapá — 8 milhões de reais;
Rio Grande do Sul — 5 milhões de reais;
Rondônia — 0,28 milhão ou R$ 280 mil.

Quando são analisadas as cidades, Salvador foi a segunda que mais contratou artistas, com R$ 34,16 milhões, sendo R$ 15,08 milhões em 2024 e R$ 15,22 milhões em 2025. De janeiro a março de 2026, o valor havia atingido R$ 3,86 milhões. Veja em ordem quem mais gastou desde 2024:

1º Aracaju (SE): R$ 39,27 milhões;

2º Salvador (BA): R$ 34,16 milhões;

3º Maceió (AL): R$ 28,11 milhões;

4º Goiana (PE): R$ 25,58 milhões;

5º Petrolina (PE): R$ 25,09 milhões;

6º São Luís (MA): R$ 24,79 milhões;

7º Caruaru (PE): R$ 20,58 milhões;

8º Mossoró (RN): R$ 19,70 milhões;

9º Natal (RN): R$ 16,06 milhões;

10º Itabaiana (SE): R$ 14,03 milhões.

O estado do Acre foi o único que não teve dados registrados. Por região, o Nordeste lidera com os maiores valores. Na Bahia, entre os gêneros com as maiores contratações (isso sem considerar o São João de 2026), “Brega”, “Arrocha” e “Piseiro” somam as maiores quantidades de contratações; os menores foram “Axé” e “Pagodão”.

Entre os 40 artistas contratados, Léo Santana, Wesley Safadão e Bell Marques lideram os maiores cachês baianos. Léo Santana teve o maior contrato, de R$ 1,6 milhão, seguido por Wesley Safadão, com até R$ 1,5 milhão, e Bell Marques, com R$ 1,2 milhão. Outros nomes famosos aparecem com contratos menores.

O longo dossiê aponta que, em âmbito nacional, o montante destinado aos 100 artistas mais contratados no período ultrapassa R$ 5 bilhões. Deste total, um grupo restrito de 40 artistas concentrou R$ 3,08 bilhões em recursos diretos dos cofres públicos municipais e estaduais.

Na Bahia, as vaquejadas se destacam pelos altos valores pagos a artistas. O maior contrato identificado foi na vaquejada de Formosa do Rio Preto, no oeste da Bahia, alvo de uma ação do Ministério Público da Bahia. (MP-BA) e TCM (Tribunal de Contas da União).

Além dela, entre os eventos do top 40 de cachês, também aparece a vaquejada de Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. Por falar em tipos de festejos, vaquejadas são o 2º lugar de maior gasto nacional, com um total de R$ 29 milhões.

De acordo com o levantamento, o valor destinado a este grupo equivale a quase a totalidade dos recursos captados por meio da Lei Rouanet em todo o ano de 2025, que somaram R$ 3,41 bilhões para diversas linguagens artísticas em âmbito nacional.

METODOLOGIA DOS DADOS

A elaboração do documento demandou seis meses de pesquisa ativa por parte da equipe do observatório De Olho nos Ruralistas. O grupo compilou e analisou mais de 20 mil contratos de 250 artistas que se apresentaram no território nacional. A investigação técnica revelou uma lacuna na transparência pública federal: cerca de 40% dos contratos analisados não constavam no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP), a plataforma oficial que deveria centralizar os dados de compras e contratações da administração pública no Brasil.

Diante da ausência de padronização na divulgação desses atos administrativos pelos municípios, os pesquisadores precisaram extrair manualmente mais de 3 mil contratos diretamente de portais de transparência de prefeituras, diários oficiais municipais e bancos de dados dos Tribunais de Contas e Ministérios Públicos estaduais.

O NORDESTE LIDERA

O relatório detalha que o mercado de shows financiados por prefeituras e governos estaduais apresenta forte concentração empresarial. Cinco produtoras sediadas na Região Nordeste geriram, juntas, R$ 2,42 bilhões em contratos públicos no período analisado, o correspondente a quase metade de todo o valor movimentado pelo grupo dos 100 artistas mais contratados do país.

O cantor mais contratado individualmente por administrações públicas no período foi Natanzinho Lima. O artista de piseiro acumulou R$ 158 milhões em 336 apresentações custeadas por prefeituras e estados, registrando uma média de um show pago pelo erário a cada dois dias e meio. Ele já foi alvo de cancelamento de shows no interior do estado.

A publicação do relatório “Farras” marca a abertura de uma editoria de fiscalização de gastos públicos pelo observatório De Olho nos Ruralistas, denominada “De Olho no Dinheiro”, voltada a acompanhar o fluxo de recursos públicos e as conexões financeiras entre entretenimento.

Fonte: Bahia Notícias, site do parceiro do Acorda Cidade

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