
Na noite de terça-feira (14), o Frei Giovanni Messias tomou posse canônica como novo reitor do Santuário de Santo Antônio de Feira de Santana, durante uma missa solene. Como já divulgado pelo Acorda Cidade, a posição antes era ocupado por Frei Liomar Pereira Silva, que deixou o cargo no domingo (12).
Frei Giovanni Messias é natural de Ilhéus, no sul da Bahia. Ele ingressou na vida religiosa capuchinha aos 18 anos e completará 10 anos de ordem sacerdotal. O frei já residiu em cidades da Bahia e de Sergipe, bem como realizou experiências missionárias no Alto Solimões, no estado do Amazonas e nas Obras Sociais Irmã Dulce, em Salvador.
Pude fazer uma experiência nas Obras Sociais de Irmã Dulce, foi o meu primeiro trabalho como padre. Assumi a reitoria do Santuário de Santa Dulce dos Pobres no final de 2016, onde fiquei até o finalzinho de 2022, e lá acompanhei o processo também daquele santuário importante para a Bahia, para o Brasil, da canonização de Santa Dulce. Por fim, tinha sido transferido para a cidade de Jaguaquara, no Vale do Jequiriçá, a diocese de Jequié, para assumir a paróquia centenária onde também os frades capuchinhos assistem. Uma paróquia que tem mais de 50 comunidades urbanas e rurais. Os desafios eram muitos.”
Sobre a missa solene que marcou o início de sua posse, o frei contou, durante a edição desta quarta-feira (15) do programa Acorda Cidade, que as missas solenes tem um tom mais festivo, geralmente presidido pelo arcebispo, onde ele dá as faculdades ao pároco e ao reitor.
Aqui a gente tem uma peculiaridade, o pároco é também reitor do santuário. A paróquia é sempre aquele território geográfico que compõe uma rede de comunidades, por isso, na nossa paróquia são sete comunidades contando com o santuário, a igreja matriz, isso é a paróquia. Então o pároco tem aquela autoridade, exerce o pastoreio sobre aquela região, aquele espaço geográfico. Mas o santuário tem essa missão de ser um espaço de uma casa, de acolhida, o lugar da misericórdia, em que as pessoas podem encontrar conforto, consolo, os sacramentos da confissão, do batismo, das santas missas, a devoção, as romarias, isso também faz de uma igreja santuário.”
Segundo ele, é por esse motivo que o bispo pode elevar uma igreja importante da cidade a categoria de santuário arquidiocesano. Com isso, Frei Giovanni destacou que o Santuário de Santo Antônio de Feira de Santana tem essa “dupla missão”, de ser pároco do território geográfico e de ser reitor do santuário.
É sempre um desafio porque quando você sai de uma paróquia você deixa ali amizades, deixa um trabalho que você construiu e a vida do frade é isso, esse desapego. Então você vir pra outra cidade que você nunca morou é um recomeçar, um reinventar, é um reconstruir. O recomeço é sempre um desafio, mas eu tenho em vista sempre aquelas palavras de São Francisco de Assis no final da sua vida, ele vai dizer ‘irmãos vamos recomeçar tudo de novo porque até agora pouco quase nada fizemos.’ Então, esse início é sempre um processo de reconstrução, de firmar os fundamentos, conhecer, fazer novas amizades, mas é sempre um desafio a adaptação.”

Atuação no Santuário Santa Dulce dos Pobres
O frei também relatou que estava no Santuário Santa Dulce dos Pobres ainda quando Santa Dulce era beata. Após a canonização, ele permaneceu por mais três anos, acompanhando o processo de transformar o local em um santuário.
Fiquei mais três anos, que foi aqueles anos em que a gente tentou deixar o Santuário de Santa Dulce dos Pobres com cara de santuário, porque o povo começou a procurar. E é uma experiência diferente, uma experiência hospitalar, os frades tem uma casa dentro das Obras Sociais de Irmã Dulce. Além de assistir os doentes e funcionários que chegam a ser em torno de cinco mil pessoas, os frades dão essa assistência ao santuário que é um dos santuários também mais visitados da cidade de Salvador.”
Questionado sobre a experiência de administrar o santuário, ele ressaltou a questão da humanidade, por ter se deparado com a dor e o sofrimento do outro em vários momentos. De acordo com ele, esses momentos humanizam as pessoas e Santa Dulce traz justamente esse ensinamento de ver o outro.
Devoção à Santa Dulce dos Pobres
Além disso, ele explicou que parte do processo de transformação em santuário aconteceu durante a pandemia do Covid-19, o que gerou uma grande comunicação por meio das redes sociais.
“Eu costumo dividir o santuário antes da canonização, no período da canonização e depois da canonização, que foi aquele período também da pandemia, onde o santuário teve a sua oportunidade de sair por meio das redes sociais, dos canais e isso foi um ponto muito positivo, essa questão da comunicação sobretudo naquele período de pandemia.”
Além disso, Frei Giovanni falou sobre a busca de fiéis pelo santuário e por Santa Dulce dos Pobres em Salvador, algo que mudou muito ao longo do tempo, especialmente depois da canonização e com a pandemia, que causou tanto adoecimento físico, psicológico e espiritual.
A devoção a Santa Dulce, na verdade é um processo dentro da cidade de Salvador que eu pude perceber. Porque a imagem de Santa Dulce é da santa da caridade, e Salvador tinha essa dificuldade de olhar Santa Dulce como aquela que é assistente social. Não se tinha essa visão de Santa Dulce como a mulher santa, aquela que a gente pode criar uma devoção como Santo Antônio e como os outros santos que a gente conhece. Então essa foi a nossa missão, tornar o povo devoto de Santa Dulce dos Pobres, e de fato isso aconteceu muito naquele período de sofrimento da pandemia onde as pessoas procuraram intercessão, e isso proporcionou esse crescimento devocional à Santa Dulce.”
Apoio da igreja à comunidade
Durante o programa Acorda Cidade, o frei também abordou a questão das redes sociais, que podem causar problemas como ansiedade e depressão nos usuários. Segundo ele, as pessoas hoje querem viver de expectativa e não de esperança. Essa expectativa é o que deixa as pessoas ansiosas, pois nem sempre a expectativa corresponde com a realidade.
Nós cristãos devemos viver de esperança e para nós, a esperança não é uma expectativa que frustra, mas é uma pessoa, ela tem um rosto, tem um nome. Para nós cristãos, a esperança é Jesus e a gente deve viver dessa esperança porque a esperança nos faz transcender, nos faz ir além, esperar sem desanimar e esperar sem se desesperar. Eis o grande desafio da igreja, comunicar-se nesse mundo das comunicações, das redes sociais, fazer com que a evangelização também chegue às pessoas. Imprimindo essa marca, sobretudo ao coração dos jovens.”
Por fim, Frei Giovanni Messias usou o espaço para afirmar que o Santuário Santo Antônio quer ser essa casa da acolhida, e que seguirá sendo um lugar de consolo, conforto, aconchego, misericórdia e eucaristia.
Assim como salientou que ele mesmo estará pronto para receber os romeiros, peregrinos e fiéis desta paróquia, para que também possam “fazer uma experiência verdadeira com a esperança que é Cristo.”
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