
Informações sobre esquemas obscuros envolvendo políticos e representantes dos poderes da República se tornaram tão frequentes no noticiário brasileiro que parece que a população perdeu a capacidade de se surpreender com a famigerada corrupção.
Apesar do frustrante sentimento de “normalização”, o radialista Dilton Coutinho soltou o verbo sobre o poder danoso da corrupção, que muitas vezes gera, como um efeito colateral, prejuízo a quem mais precisa, ou, como ele gosta de dizer, “quem está na ponta”.
“O que tá enraizado de corrupção nesse país, mas só que não tem equipes suficientes para combater. Os Ministérios Públicos, estaduais e federal, as polícias, não têm equipe suficiente para ir para esse ‘Brasilzão’ de meu Deus combater a roubalheira. Não, rapaz, é muita coisa”, disse Coutinho.
Uma avalanche de casos
A indignação do âncora do programa Acorda Cidade foi manifestada em forma de comentário na edição desta quarta-feira (15) e teve como plano de fundo os sucessivos casos de desvios de recursos públicos que foram notícia no portal recentemente.
Ao ler um notícia da operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro e do Ministério Público, o apresentador citou o afastamento do secretário municipal de Manutenção de Salvador, Luciano Sandes, e do vereador George Carlos Reis Pereira, conhecido como Gordinho da Favela, investigados por supostas fraudes em licitações e contratos públicos.
“Aqui é um problema sério. Os dois disseram que são inocentes. Pronto. Uma suspeita de esquema na Prefeitura de Salvador fortíssimo, de licitações marcadas”, disse.
“A suspeita é que esse esquema é desde 2018. Imagine, agora que veio investigar. Nesse Brasilzão de meu Deus, que não tem equipes de Gaeco, de Polícia Federal, não dá para atender, não. Tudo, não. Vai pegando por amostragem. Ontem, a moça que foi acusada de fraudar os velhinhos no INSS, aqui em Feira de Santana, estava fazendo isso há quanto tempo?”, completou Dilton.
Na esteira do comentário, o apresentador lembrou as recentes decisões de Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que mirou o político Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, sob a suspeita de liderar um esquema criminoso para direcionamento de emendas parlamentares.
“Ele não é deputado, ele é líder do partido”, disse Dilton.
Saúde no vermelho
Dilton relacionou diretamente os casos de corrupção às dificuldades enfrentadas por pacientes que aguardam atendimento na rede pública de saúde. Em especial, ele compartilhou a reclamação de ouvintes sobre a demora na marcação de consultas com oncologistas na Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon), em Feira de Santana.
“Algumas pessoas me procuraram ontem para fazer um apelo. ‘Seu Dilton, na Unacon, que é a referência, a fila tá grande para as pessoas’. Porque? Para fazer a químio, primeiro tem que passar pelo oncologista para ele fazer a prescrição. Não tem vaga para consulta, mas a culpa não é da Unacon. Ela está fazendo o que pode’”, disse Dilton.
“Muita gente está adoecendo. O câncer tá avançando no mundo, não é só no Brasil. O índice de doentes aumentando, mas a estrutura não acompanha. Por quê? As emendas bilionárias não vêm para isso aí, não. Se viessem para esse outro setor, não tinha essa dificuldade, porque você contratava médico. Ah, o médico tá em Recife, ele é caro, venha para Feira, porque tem dinheiro aqui, das emendas bilionárias, pra gente contratar, criar mais leitos”, completou o apresentador.
Ainda relacionado aos problemas da área da saúde, o apresentador fechou o comentário com o caso da criança de apenas 3 anos que aguardava atendimento no Hospital Estadual da Criança (HEC) após engolir uma moeda de 50 centavos.
“Ele está no hospital porque não tem um especialista para tirar a moeda da garganta dele. Por que que não tem? Porque não tem profissional, não tem leitos, não tem nada. Porque a corrupção tá dominando e o Brasil não tá fora. Eu tive que me indignar com isso porque a gente não suporta mais. E vai consertar que dia? Essa é a pergunta, concluiu o apresentador.
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