16 de July de 2026
Agricultura familiar
Foto: Sara Silva/PMFS

Apesar dos casos de chuvas intensas, que chegaram a causar alagamentos, a agricultura de Feira de Santana não registrou um volume necessário para uma boa colheita neste ano de 2026. O presidente fundador da Associação dos Agricultores Familiares da Comunidade de Lagoa Suja e Adjacências (AAFColas), José Ferreira Sales, disse que a zona rural do município tem sofrido há anos com essas dificuldades. 

Em entrevista ao Acorda Cidade, José afirmou que para 2026, não há mais o que recuperar na agricultura de Feira de Santana. O presidente explicou que foram feitas poucas plantações neste ano, com isso, é necessário fazer um planejamento para o próximo ano. 

“O que tinha de plantar, já plantou. Praticamente, é um ano perdido. Então, o que nós temos que pensar agora é nos planejar para o ano que vem, pra gente tentar superar essa perda que nós tivemos esse ano.”

A situação acaba não sendo percebida pela população, pois muitos dos alimentos vendidos no Centro de Abastecimento e nas feiras são oriundos de outras cidades e outros estados. Dessa forma, José falou que Feira de Santana foi um dos maiores municípios produtivos da Bahia e deixou de ter esse título. 

“Nós podemos voltar a produzir. Nós, pela associação, estamos com alguns projetos estratégicos para a zona rural de Feira de Santana. Já conversamos com várias entidades, várias pessoas, da necessidade do resgate da produção. Nós temos vários agricultores que ainda estão dispostos a produzir. Mas precisa que tenha uma política pública voltada para isso. Além da produção, pensar na comercialização.” 

Dentre os projetos, ele destaca a criação de galinha caipira, apicultura, e o Projeto Raízes da Bahia, voltado para o cultivo da mandioca. Por isso, ele chama atenção para a importância de políticas públicas para investir e manter a agricultura familiar em Feira de Santana. 

José Ferreira Sales - Zé Grande
José Ferreira Sales – Zé Grande | Foto: Paulo José/ Acorda Cidade

Ao Acorda Cidade, o presidente também explicou que a associação aguardava que o município pudesse “distribuir o prometido”, que no caso seriam sementes e tratores, para arar e gradear a terra. 

A semente chegou em todas as comunidades, eu acredito, mas o trator não chegou em todas as comunidades, só algumas. Isso traz uma grande dificuldade para o agricultor poder plantar o suficiente que ele desejaria plantar. Então, estamos aguardando as possibilidades, ver se para o ano que vem a prefeitura pensa melhor e faça uma estratégia política de distribuição de semente e trator para facilitar o homem do campo produzir mais do que o que já produz.”

Reunião sobre estiagem

Na última terça-feira (15), houve uma reunião na comunidade de Caroá, do distrito de Ipuaçu, para discutir a questão da estiagem. De acordo com o presidente, boa parte dos agricultores vão perder a safra por conta da estiagem.

“Desde o ano passado, a prefeitura não conseguiu registrar a perda da safra do ano passado, tanto que os agricultores que entraram no programa Garantia-Safra não vão receber o Garantia-Safra, porque a prefeitura não conseguiu registrar necessariamente. E foi mais de um milhão de reais que os agricultores deixaram de ver investido na zona rural.” 

José também disse que há uma grande preocupação com a falta de água para os animais e para as pessoas também. Segundo ele, é necessário discutir esse assunto antes que a situação se agrave. Para a reunião, foram convidados órgãos municipais e estaduais, como a Secretaria de Agricultura, Defesa Civil, Bahiater (Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural) e CAR (Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional).

Quanto aos agricultores de Feira de Santana que sobrevivem da cultura de subsistência, o presidente salientou que muitos também se prejudicam por não conseguirem plantar a quantidade necessária. 

Quando você não consegue plantar a quantidade que você deveria plantar, é claro que você também não consegue colher. Se não consegue colher, você diminui a sua renda, seu potencial de renda, e aí a situação começa a ficar mais difícil ainda para o homem do campo. Então, quando você deixa de plantar, esse prejuízo vem. Esse é o pensamento que nós temos que ter já em 2027, que é para montar um plano pra gente conseguir recuperar o terreno perdido que nós temos na zona rural de Feira de Santana.”

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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