17 de July de 2026
ECA crianças na escola
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Neste mês de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 35 anos. Ao longo dessas décadas, o documento se consolidou como um dos principais instrumentos de garantia dos direitos da infância e da adolescência no Brasil.

Em Feira de Santana, ao longo dos anos, diversos representantes da rede de proteção para o público infantojuvenil destacaram os avanços conquistados desde a criação da legislação.

Apesar disso, é regra encontrar quem reforce a necessidade de ampliar as ações de prevenção e combate às violações de direitos.

Para a reportagem do Acorda Cidade, Caíque Barreto, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em Feira de Santana, explicou que o estatuto reafirma os princípios estabelecidos pela Constituição Federal de 1988 e serve de base para a criação de novas leis voltadas à proteção da infância.

ECA
Caíque Barreto, vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente em Feira de Santana | Foto: Ney Silva / Acorda Cidade

“Percebemos que, através do ECA, várias leis foram criadas pelo Legislativo, pelos nossos deputados federais e nossos deputados estaduais. Essas leis surgem com base tanto no Estatuto da Criança e do Adolescente quanto na nossa Constituição Federal. Então, quando se fala de direito da criança ou até mesmo de violação do direito da criança, a gente busca uma orientação do Estatuto da Criança e do Adolescente”, disse Caíque.

Segundo o conselheiro, Feira de Santana vem ampliando a própria estrutura de atendimento para o público. Entre os avanços listados está a implantação do quinto Conselho Tutelar e da escuta especializada, procedimento que evita a revitimização de crianças e adolescentes vítimas de violência.

“Aqui em Feira, ano passado, nós criamos e demos posse ao quinto conselho. Nós temos hoje aqui uma escuta especializada, em que a criança passa pela equipe técnica para fazer sua escuta. Ela não faz mais no ambiente da delegacia, o que inibe a revitimização da criança. Então, ela é atendida por psicólogo, assistente social, toda a equipe, para cuidar e resguardar o direito da criança e do adolescente”, afirmou.

“As crianças de hoje são o futuro do amanhã. Então, se a gente não tem um sistema concretizado, se nós não temos um sistema embasado, a gente precisa estruturar para que possamos trabalhar e combater a violação do direito da criança e do adolescente”, completou o vice-presidente.

Adolescentes no celular
Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

O vice-presidente ressaltou que a proteção depende da atuação integrada de diversos órgãos públicos, como Conselhos Tutelares, CRAS, CREAS, escolas, unidades de saúde, Ministério Público, Poder Judiciário e forças de segurança.

“É um tripé de vários órgãos que participam juntos. Não é só a assistência social, não é só o Conselho Tutelar, não é só o Conselho da Criança que trabalha com esse tema criança. Então, a gente pode perceber, principalmente, que os professores, a rede de educação, percebem os primeiros atos da criança que demonstram que está sofrendo violação de direito, ou seja, violação sexual, trabalho infantil”, disse.

“Em toda a rede, na policlínica, nas UBS, na Unidade de Saúde da Família, a gente precisa fortalecer e fazer um trabalho integrado. Não adianta o conselho trabalhar em si só, dentro do seu equipamento, fazendo campanha, se não tiver um apoio da rede. Então, a gente vem cada vez mais buscando esse apoio, vem cada vez mais discutindo essa política”, completou Caíque.

Violência sexual preocupa

Entre os principais desafios apontados pelo servidor está o aumento dos casos de violência sexual, principalmente dentro do ambiente familiar. Barreto também alertou que muitas ocorrências deixam de ser denunciadas por medo ou omissão da própria família.

Estupro de vulnerável - abuso sexual infantil
Foto: SSP/ SE

“Muitas vezes, o abusador é quem deveria proteger a criança, como pai, padrasto, tio ou outro familiar. Precisamos incentivar essas famílias a denunciarem. A conscientização da população é fundamental para combater esse tipo de violência.”

“Tem crianças de 3, 2 anos, até mesmo 1 ano, que não têm como indicar ou, às vezes, demonstrar aquilo que estão sentindo ou que estão sendo violadas. Então, a gente precisa de um apoio de todos, de uma forma enérgica e urgente, para combater essa violação”, reforçou.

O vice-presidente também aproveitou a oportunidade para explicar que, antes de encaminhar crianças para instituições de acolhimento, o município busca alternativas dentro da própria família ou em programas específicos.

“Primeiro buscamos uma família extensa. Também estamos desenvolvendo o projeto Família Acolhedora, para oferecer um ambiente seguro antes da necessidade de encaminhamento para abrigos.”

Os constantes desafios

Outro tema abordado foi o crescimento dos riscos no ambiente digital. Segundo Caíque, o avanço da tecnologia exige novas formas de proteção.

“As leis que regulamentam a proteção das crianças na internet também seguem os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente e da Constituição Federal.”

disque denúncia
Foto: Rafael Rodrigues/ Ascom SSP

Ao completar 35 anos, o ECA continua sendo considerado essencial para garantir direitos e orientar políticas públicas voltadas à infância. Em Feira de Santana, as denúncias podem ser feitas em um dos cinco Conselhos Tutelares ou pelo Disque 100.

“Precisamos conscientizar a população que criança tem direito, que criança deve estudar, que criança deve brincar. Eu fui criança, você foi criança, nós tivemos direitos. Então, aquelas pessoas e crianças que estão sofrendo violação sexual nesse momento, você mãe, você pai, podem procurar a nossa rede e podem denunciar”, concluiu Caíque.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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