
Irará (BA) será palco, nos dias 25 e 26 de julho de 2026, da III Feira Agroecológica da Agricultura Familiar Quilombola da Baixinha, que neste ano traz como tema “Alimento, Cultura e Cura: Saberes em Movimento”. O evento será realizado na Praça Benjamin Alves, na Comunidade Quilombola da Baixinha, reunindo agricultores familiares, artesãos, estudantes, pesquisadores, instituições parceiras, artistas e visitantes de diversas cidades da Bahia.
Promovida pela Associação Rural da Baixinha (Aruba), a Feira consolidou-se como um dos mais importantes espaços de valorização da agricultura familiar, da cultura quilombola, da economia solidária e dos saberes tradicionais no município de Irará .
Uma Feira que nasceu da força das mulheres quilombolas
A história da Feira começou em 2023, durante os encontros do grupo de mulheres participantes do projeto Ater Mulher Quilombola, desenvolvido na comunidade pela Cediter, por meio do projeto financiado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR).
Durante as atividades de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), as agricultoras identificaram uma realidade que despertou uma importante reflexão: embora a Comunidade Quilombola da Baixinha fosse reconhecida pelo protagonismo de seus agricultores familiares, pela tradição na produção de alimentos e pela comercialização de seus produtos nas feiras livres da região, a comunidade ainda não possuía uma feira própria. Enquanto outras comunidades rurais do município de Irará já realizavam eventos para divulgar e comercializar sua produção, a Baixinha, mesmo sendo referência na agricultura familiar e na geração de renda por meio da venda do excedente da produção, ainda não contava com um espaço para valorizar sua identidade, sua cultura e o trabalho de seus agricultores.
Foi dessa reflexão coletiva que nasceu a proposta de criar a Feira Agroecológica da Agricultura Familiar Quilombola da Baixinha. Mais do que um espaço de comercialização, a iniciativa tornou-se um instrumento de valorização da agricultura familiar, de fortalecimento da economia local, de preservação dos saberes e fazeres tradicionais e de afirmação da identidade quilombola.
Uma tradição que alimenta e resiste
Há gerações, a Comunidade Quilombola da Baixinha se destaca pelo protagonismo de seus agricultores familiares, que cultivam a terra, garantem o alimento de suas famílias e comercializam o excedente da produção nas feiras livres de Irará, Santanópolis, Água Fria, Conceição do Jacuípe (Berimbau) e, mais recentemente, Alagoinhas.
Essa tradição produtiva tornou-se um símbolo da resistência quilombola e da permanência das famílias no campo. Da terra cultivada com trabalho, conhecimento e respeito à natureza nascem mandioca e seus derivados, frutas, hortaliças, beijus, bolos, doces, temperos naturais, plantas medicinais e diversos outros produtos da agricultura familiar.
A primeira edição da Feira, realizada em 2023, superou as expectativas de público, organização e comercialização. A segunda edição consolidou o evento como uma importante vitrine da agricultura familiar quilombola e da cultura local. A terceira edição, prevista inicialmente para 2025, foi adiada e retorna em 2026 ainda mais fortalecida pelo envolvimento da comunidade, de seus parceiros e de instituições comprometidas com o desenvolvimento rural.
O Café com Zinho: onde a Feira começa
Muito antes da montagem dos estandes, a Feira nasce em torno de uma mesa. Toda a organização acontece nos encontros conhecidos como “Café com Zinho”, um espaço que se transformou em símbolo da participação comunitária.
É nesse ambiente que agricultores, estudantes, pesquisadores, técnicos, lideranças comunitárias, mulheres, jovens e instituições parceiras discutem cada detalhe da programação.
Ao final das reuniões, a anfitriã da casa, esposa de Zinho, prepara com carinho o café comunitário. Os demais participantes também levam pratos preparados por suas famílias, formando uma mesa compartilhada com bolos, mingaus, caldos, pirão, frutas, café e outras iguarias típicas da culinária quilombola.
Mais do que um momento de confraternização, o Café com Zinho representa a essência da Feira: diálogo, acolhimento, solidariedade, partilha e construção coletiva.
Universidade e comunidade produzindo conhecimento
A Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) é uma das principais apoiadoras da Feira por meio de projetos de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidos na comunidade.
Estudantes quilombolas da própria Baixinha, dos cursos de Licenciatura em Educação do Campo, com ênfase em Ciências da Natureza e Matemática, e de Tecnologia em Alimentos, participam da organização do evento e desenvolvem pesquisas que valorizam os saberes e fazeres tradicionais da comunidade.
Esse trabalho fortalece o diálogo entre a universidade e o território quilombola, transformando conhecimentos construídos ao longo das gerações em produção acadêmica e reafirmando que os saberes tradicionais também produzem ciência.
Programação
A programação será aberta no sábado, 25 de julho, às 19 horas, com o tradicional Café com Zinho, seguido de uma roda de conversa sobre agricultura familiar, cultura, educação e desenvolvimento das comunidades quilombolas.
Logo após acontecerá a abertura oficial da Feira, com visita aos estandes e início da exposição e comercialização de produtos da agricultura familiar, artesanato, plantas medicinais, mudas, gastronomia tradicional e culinária quilombola.
No domingo, 26 de julho, a programação terá início às 9 horas, com apresentações culturais, oficinas de saberes tradicionais, espaço de saúde, Ciranda Infantil, comercialização dos produtos e atividades voltadas para toda a família.
Entre as atrações confirmadas estão Nilson Aquino, Daniel da Quixabeira, Maurício Sonhador, Nezinho, o grupo de samba de roda Swing da Bahia, além de artistas, agricultores e fazedores de cultura da própria comunidade.
Outro grande destaque será a realização da 20ª Roda de Batizado de Capoeira do Grupo Voo de Pássaro, fortalecendo a valorização da capoeira como patrimônio cultural e instrumento de formação social.
A Feira também contará com a participação de expositores de comunidades vizinhas, fortalecendo a integração regional e ampliando as oportunidades de intercâmbio e comercialização entre agricultores familiares.
A programação completa será divulgada nas redes sociais da Aruba.
Um patrimônio para Irará
A III Feira Agroecológica da Agricultura Familiar Quilombola da Baixinha é muito mais do que um evento. É a celebração da força de um povo que transformou sua história de resistência em um exemplo de organização comunitária, produção sustentável, valorização cultural e construção coletiva.
Ao promover o encontro entre agricultores, universidades, instituições públicas, artistas e visitantes, a Feira fortalece a economia local, incentiva o turismo de base comunitária, gera oportunidades para mulheres e jovens, preserva os saberes ancestrais e reafirma o papel das comunidades quilombolas na produção de alimentos saudáveis e na preservação do patrimônio cultural brasileiro.
A Associação Rural da Baixinha (Aruba) convida toda a população de Irará, dos municípios vizinhos e de toda a Bahia para prestigiar a III Feira Agroecológica da Agricultura Familiar Quilombola da Baixinha e viver uma experiência marcada pela hospitalidade, pelos sabores da agricultura familiar, pela riqueza da cultura quilombola e pela força de uma comunidade que cultiva a terra, preserva sua memória e constrói, coletivamente, um futuro mais justo, sustentável e inclusivo.
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