
Quem passou pelo Centro de Convenções de Feira de Santana neste domingo (19) teve a impressão de entrar em outro universo. O último dia da Super GameCon 2026 desfilaram heróis, vilões, personagens de animes, games, filmes, desenhos e criações originais que transformaram os corredores em um verdadeiro espetáculo da cultura pop.
O que não faltou foi animação. Com o espaço completamente tomado por jovens, famílias, crianças e fãs de todas as idades, a super edição deste ano terminou em clima de celebração. Entre um estande e outro, era impossível caminhar sem encontrar alguém parando para pedir uma foto com um cosplay ou comentando o capricho de uma fantasia.
E elas realmente chamavam atenção. Havia produções confeccionadas ao longo de meses, armaduras feitas em impressora 3D, peças criadas em EVA, metal, PVC, biscuit, tecidos personalizados e até versões autorais que mostraram que criatividade também é um superpoder.
A cada passo surgia um personagem diferente. Alguns clássicos, outros recém-saídos dos games mais populares da atualidade, mas todos com algo em comum: muito trabalho, dedicação e paixão pelo universo geek.
Fantasias que contam histórias
Entre os personagens mais fotografados estava o Capitão América vivido por Marcos Ramiry. Não era apenas a roupa que chamava atenção, mas também o motivo que o levou a escolhê-la.

“Eu me identifico muito com ele, porque eu sempre tive ele como um referencial de um homem honesto, um homem justo que luta pela justiça, alguém que combate o crime, como muitos outros heróis, mas é o que me cativa mais. Então o interesse nisso é que eu fiz esse investimento para conseguir representar ele, para que as pessoas tenham esse super-herói mais próximo dela.” Veterano na GameCon, ele contou que já participou de outras edições e de eventos em Salvador.
“Cada vez é uma felicidade de estar aqui, de ter esse carinho que vocês perceberam das pessoas.”
Ana Beatriz escolheu interpretar a 2B, protagonista de NieR: Automata, jogo conhecido pela narrativa filosófica.

“Se passa no futuro, quando magnas alienígenas invadem a Terra, e os humanos restantes, eles vão para o espaço e constrói como se fosse uma espécie de viga, vamos falar assim. Chamada Yoha. Lá eles são feitos de androides para vim para a Terra e combater essas máquinas. Inclusive, a personagem que eu tô é uma androide. Eu acho que porque a história do jogo é muito profunda, por ter vários finais diferentes. Mas é como eles podem lutar para ter a paz. Porque eles vão continuar fazendo essa guerra, só que chega um momento que não tem mais motivo. Não tem mais motivo para as máquinas estarem aqui no nosso planeta e por eles ficarem e destruir mais. Eles tentam achar uma forma de paz e união dos dois”, explicou ao Acorda Cidade.
Ela contou que comprou praticamente toda a roupa, mas precisou adaptar alguns detalhes para deixar o visual fiel ao da personagem.
Já Maria Flor apostou em Gangle, do desenho The Amazing Digital Circus, e colocou literalmente a mão na massa.

“Eu acho que demorou uns três dias assim pra fazer ela, porque teve a máscara, os laços, as coisas. E também teve o dia de comprar roupa.” O resultado rendeu dezenas de fotos durante o evento. “Já tirei foto com bastante gente.”
Pais, filhos e gerações unidas pelo cosplay
Pai e filho viajaram de Dias d’Ávila para participar da GameCon vestidos como Chris Redfield e Leon Kennedy, protagonistas da franquia Resident Evil.
Jamilson Lopes revelou que o projeto acompanha a família há muitos anos. Ele faz cosplay há mais de 20 anos e levou junto o filho, o Nícolas, que curte a brincadeira desde os 4 anos de idade. Segundo o pai, a ideia sempre foi compartilhar esse hobby com o filho. “Desde quando ele nasceu, eu pensei fazer o projeto sempre que tenha a ver pai e filho junto.”

Já Nícolas resumiu a experiência de um jeito bem direto. “Ô, é muito legal esse evento. Vale a pena vir. Mesmo sendo meio longe, vale a pena ir porque você vai se divertir aqui, que tem muitos cosplay legal para você ir.”
Meses de trabalho
Para muitos participantes, o domingo foi o momento de mostrar um trabalho iniciado há meses. Vestido como o vilão, o Doutor Destino contou que precisou de aproximadamente sete meses para concluir o projeto. Ele já profissional nos eventos geeks. “Cada edição fica melhor ainda”, disse Rodrigo Todoroki.

Outro que chamou atenção foi Maurício Guimarães, caracterizado como Médico da Peste. Eles se tornaram famosos pela máscara icônica com um longo bico de pássaro, criada no século XVII para combater a peste bubônica.

Ele contou que planejou o cosplay por mais de um ano. “Eu busquei acessórios, busquei mais de um ano planejando esse cosplay pra poder fazer, pra poder estar prestiginhando esse evento e quem sabe até ganhar um concurso. O material foi tranquilo, eu aluguei aqui em Feira mesmo. A roupa completa ficou em torno de uns R$ 500.”
Quando a criatividade cria o próprio herói
Fugindo dos personagens conhecidos, Vitor Neves resolveu apostar na própria imaginação. Ele criou uma armadura totalmente autoral, feita com metal e revestimento em papelão, mostrando que criatividade também é protagonista na GameCon.

“Tive a ideia de fazer uma armadura para mim mesmo. Aí quando eu soube da GameCon quis fazer algo mais elaborado.”

Pokémon, Marvel, Disney e muito mais
Quem olhava para um lado encontrava Woody, de Toy Story. No outro, Supergirl, Homem-Aranha, Ace, de One Piece, Magikarp em versão humana, Navia, Amiya, Lumine, Genshin Impact, Arknights, Roblox, Detona Ralph, Adventure Time, Forsaken, Honkai: Star Rail e dezenas de outros universos convivendo no mesmo espaço. Alguns desses nomes podem até ser estranho pra você, mas para a galerinha que lotou o Centro de Convenções, são bem familiares.
Rafael Esteves, vestido de Woody, o amado brinquedinho que ganha vida em Toy Story, foi ovacionado pelo público. Até cordinha nas costas ele tinha.


“Primeira vez aqui. Eu sou de Salvador, Vim só pra isso. Uma experiência única. Ver atrações incríveis que marcaram nossa infância.”
Aos 14 anos, Odivaldo também chamou atenção vestido de Slasher, personagem do jogo Forsaken, do polêmico jogo Roblox. O cosplay foi produzido com a ajuda dos pais. O resultado chamou atenção do público e, durante todo o evento, ele foi parado por visitantes que queriam registrar uma foto ao lado do personagem que carregava uma serra elétrica.

Os fãs de One Piece também marcaram presença. Daniel Oliveira apareceu como Portgas D. Ace com o famoso chapéu do personagem. Ele contou que o anime vive um grande momento e que bastava caminhar alguns metros para ser reconhecido e convidado para fotos. No evento, ele estava a frente do Espaço TCG -Trading Card Game, que tinha cartas e objetos colecionáveis.

“Aqui na GameCon a gente também tem espaço para quem coleciona cartas e também quem gosta de jogar, quem gosta de aprender e competir a jogar com as cartas. Lembra muito jogar um jogo de tabuleiro, jogar xadrez e outros jogos. Cada baralho tem uma estratégia diferente e a ideia é que você vença do seu oponente através da melhor estratégia utilizada, das cartas que tem diferentes habilidades, diferentes poderes. Então no Pokémon a gente tem tanto jogadores quanto colecionadores presentes no evento que tem interesse em conseguir novas cartas para a sua coleção.”

“A gente também tem One Piece TCG e esse meio dos card games tem crescido que tem outras franquias que estão chegando também nesse meio. A Disney por exemplo acabou de chegar com o Lorcan na TCG.”
Amanda estreou na GameCon de Feira vestida como Supergirl. Segundo a cosplayer, a experiência superou as expectativas, principalmente pela receptividade do público.

“Eu amo essa personagem, combina bastante comigo.” E claro, que o filme que estreou nos cinemas, ela também já assistiu.
Nati também atraiu olhares como Navia, de Genshin Impact. Ela contou que, além de adaptar o figurino, produziu com o namorado o enorme machado da personagem.

“O machado, ele foi feito em impressão 3D. Eu e meu namorado que fizemos ele, imprimimos, pintamos, colamos. Foi bem caótico, mas ficou bem bonito.”
Colorir também ajuda
Quem queria completar a transformação também encontrou espaço para isso. No estande de maquiagem artística, glitter, pedrarias e muito brilho ajudavam a finalizar os personagens. A maquiadora Júlia explicou o segredo.

“Eu tô trazendo aqui pra as crianças a pintura facial. Então, todas se interessam tanto o anime, quanto também a questão de… Criança infantil, borboleta, arco-íris, tudo isso, as crianças se interessam muito. Aqui é todo mundo muito amigo, todo mundo muito gentil e é um espaço família.” O Arthur que estava sendo maquiado, aprovou a pintura.

A doçura também marcou presença com a Pró Madu, animadora criativa, que estava colorindo com as crianças e até com os adultos no Espaço Kids.

“O Espalo Kids é um espaço sem telas que é justamente pra gente explorar a criatividade. É importante quanto os pais vem com seus filhos e fazem as atividades juntos.”
O animador Duff Ventura também marcou presença. Desde 2014 ele curte o espaço botando a galera pra dançar.


“Eu estou bem feliz. Eu sou aquele cara que veste a camisa pra ter eventos de cultura geek e pop aqui na Bahia em geral. Eu vi o evento da Game Con desse tamanhinho se tornar isso que é hoje, cada ano melhorando, crescendo.”
E não faltou nostagia. Deivid Aquino esteve vestido, com nada mais nada menos, do que Bento Hinoto, da irreverente banda brasileiraa, Mamonas Assassinas.

“É japa gay, é japa gay”, brincou. “Está sendo uma maravilha. o povo amou. Nostalgia, quem não ama? A GameCon traz muitas pessoas, da capital, do interior, gente que não é da Bahia.”

Trazendo o universo da Uma Musume: Pretty Derby, Marcus Vinícius veio de Agnes Tachyon. Ele contou ao Acorda Cidade que foi difícil achar os materiais, mas no fim deu certo. “Tô planejando desde fevereiro, Eu ano passado vim, vim em janeiro. Eu tento sempre inovar. Um evento muito bom, gostei muito.”
Inclusão também entrou no jogo
Além dos games, animes e competições, a Super GameCon também abriu espaço para iniciativas de inclusão. Uma delas foi a startup Atendimento Sem Rótulos. A fundadora Kelly Lee Alves destacou a importância de discutir neurodiversidade em um ambiente como o evento.

“É um evento que celebra a inovação, tecnologia, criatividade e poder das conexões. E quando falamos em neurodiversidade, esse é o escopo principal da Startup Atendimento Sem Rótulos, nós estamos falando de um grupo pequeno, estamos falando de toda uma sociedade de pessoas que estudam, que trabalham, que estão inovando. E é esse ambiente aqui da GameCon que a gente está falando aqui de inclusão, porque não é só questões de tecnologia e games, o verdadeiro desafio é a neurodivergência, o desafio é construir ambientes preparados para reconhecer talentos, respeitar as diferenças formas de aprender e comunicar.”
Fase concluída
Depois de dois dias de programação intensa, concursos de cosplay, apresentações, painéis, campeonatos, encontros com dubladores, estandes temáticos e milhares de visitantes, a Super GameCon encerrou sua edição de 2026 deixando uma certeza: Feira de Santana abraçou de vez a cultura geek.
Para quem esteve presente, bastava olhar ao redor para perceber que, na GameCon, qualquer personagem pode ganhar vida dentro do pertencimento de seus fãs.
🎮🕹️ Confira a cobertura da Super GameCon em fotos:

















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