
O grito preso na garganta desde 2021 finalmente ecoou no Joia da Princesa. Depois de cinco temporadas longe da elite estadual, o Fluminense de Feira está novamente entre os grandes do futebol baiano. A vitória por 2 a 0 sobre o Feira FC, no domingo (19), não garantiu apenas uma vaga na final da Série B do Campeonato Baiano: confirmou a reconstrução de um clube tradicional, que reencontrou sua força, sua torcida e o caminho de volta à Primeira Divisão.
Com uma campanha invicta, o Touro do Sertão transformou a regularidade em conquista. Dono do melhor ataque da competição e com uma equipe que soube responder nos momentos decisivos, o Fluminense chega à decisão contra o SSA embalado por uma temporada marcada por entrega, união e pela retomada da confiança do torcedor.
Após o apito final, jogadores, comissão técnica e diretoria compartilharam a emoção de um acesso que, segundo eles, representa o resultado de um trabalho construído com paciência e persistência.
“A segunda divisão já não cabia mais no Fluminense”
Para o técnico Edu Silva a conquista veio da capacidade da equipe de transformar trabalho em resultados dentro de campo e ressaltou a importância da conexão criada com a torcida.

“Ganhar os jogos entregando tudo com emoção, com vibração com o torcedor. A segunda divisão já não cabia mais de Fluminense. Fluminense tem feito coisas grandes. A gente trabalha em silêncio e, graças a Deus, está aí.”
“No final de semana com duas boas respostas. A base chegando na final do Copa do Baiano da sua categoria. E agora o profissional. Muito feliz. É bom demais ver o torcedor feliz desse jeito. Fazia tempo que a gente não via isso. E agora a gente pode tirar da garganta e dizer que nós somos, de novo um time de Serie A. Isso é o que vale e estou feliz demais.”
“Vão ter que me engolir, um poquinho”
O presidente do Fluminense de Feira, Filemon Neto, classificou o acesso como a confirmação de um projeto construído com apoio e perseverança. Ele lembrou das dificuldades enfrentadas durante a caminhada e destacou a parceria com André.


“É a consumação de um trabalho que a gente não desistiu desde o começo, graças a essa parceria maravilhosa que eu tenho com meu irmão André, quando eu tava pra cair ele pegava na minha mão e dizia não, vai não, vai parar não, dobra a aposta.”
Filemon ainda relembrou uma declaração dada no início da temporada, quando chegou a colocar sua permanência no clube em dúvida caso o acesso não acontecesse. “Vai ter que me engolir, né irmão, um pouquinho”, disse o presidente.
Jogadores celebram retorno à casa
Um dos símbolos da reconstrução tricolor, o meio-campista John, feirense e torcedor do clube, contou ao Acorda Cidade, o sentimento de devolver o Fluminense à primeir divisão.
“Eu tô muito feliz, eu só tenho que agradecer a Deus tudo que ele tem feito em nossas vidas. A gente sabia que a gente tinha trabalhado, tinha entregado no dia a dia. A gente tinha conseguido colocar esse time na primeira divisão. É onde ele merece, nunca deveria ter saído. Essa é uma equipe grande e agora o Campeonato Baiano é que ganha com essa volta.”

Aos 37 anos, John também relembrou a queda em 2021 e a longa busca pelo retorno.
“Voltamos. Sabemos que é difícil. Mas a gente tem um grande elenco, um grupo de homens, um grupo dedicado. Temos um cara, Filemon, que é um monstro. Cuida da gente como se fosse um filho; Edu, um treinador diferenciado. Então eu só tenho que agradecer a Deus por tudo que ele tem feito e conquistado esse acesso, é maravilhoso.”
Sobre a decisão contra o SSA, o jogador afirmou que o grupo mantém o foco em buscar também o título.
“A gente sabe da dificuldade. SSA é uma grande equipe, é uma equipe forte que não chegou à toa na final, mas vamos trabalhar durante a semana para poder conquistar o nosso título também tão sonhado.”
Artilheiro mira título
Um dos principais goleadores do Fluminense na competição, Thiago Recife também celebrou a conquista e o empenho do grupo.

“Feliz, tanto que a gente fez, tanto que a gente trabalhou. A gente não poderia coroar diferente, então todo grupo tá de parabéns. Agradecer a Deus primeiramente, mas é isso aí. Descansar, comemorar, porque a gente merece esse momento.”
Autor de gols importantes durante a campanha, o atacante dividiu os méritos do resultado e preferiu valorizar o coletivo. Na disputa pela artilharia do campeonato, Thiago destacou que o mais importante já foi alcançado.
“Eu só tô na briga ali, mas o importante é que ele (Zé Gatinha) seja artilheiro ou não. O importante é que o Fluminense vai jogar a Serie A no que vem.”
Com o acesso garantido, o Fluminense de Feira agora volta suas atenções para a final da Série B do Campeonato Baiano, contra o SSA.
O primeiro confronto será disputado em Salvador, enquanto a partida decisiva acontecerá em Feira de Santana, na Arena Cajueiro. Mais do que disputar o título, o Touro do Sertão chega à decisão com a missão cumprida de devolver ao torcedor o orgulho de ver novamente o clube na elite do Baianão.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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