
Nesta terça-feira (21), durante a convenção estadual do Partido Social Democrático (PSD) na Bahia, o senador Jaques Wagner (PT-BA) manifestou-se sobre a recente intimação da Polícia Federal (PF) para depor na Operação Compliance Zero.
Questionado sobre como recebeu a notificação da autoridade policial, o parlamentar adotou um tom de cautela jurídica, mas demonstrou confiança quanto ao desfecho das investigações. “Eu, por orientação do meu advogado, eu não falo sobre o tema, eu estou falando só sobre campanha e ele responde sobre isso aí, mas eu estou tranquilo. Acho que, assim como em 2018, a inocência será provada, independente dessa agitação que está agora.”
A declaração ocorreu em meio ao evento político na sede do partido, onde Wagner anunciou o nome de Edvaldo Brito como primeiro suplente na corrida pela reeleição ao Senado Federal.
Contexto
O senador está intimado a prestar depoimento presencial no dia 7 de agosto, na sede da Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A oitiva faz parte das investigações que apuram um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras com ramificações no Banco Master.
De acordo com o inquérito da Polícia Federal, as suspeitas contra o parlamentar envolvem os seguintes pontos:
- Agente Beneficiário: A PF aponta o senador como o “suposto beneficiário central” de vantagens econômicas. Segundo os investigadores, pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais teriam sido estruturados em seu favor.
- Contrapartidas no Congresso: A investigação apura se Wagner recebeu tais benefícios em troca de apoio político para aprovar medidas legislativas favoráveis ao Banco Master, como a chamada “Emenda Master”.
- Movimentações Financeiras e Bens: Estão sob escrutínio a compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses financeiros que totalizam R$ 3,5 milhões em nome de familiares do senador.
- Conexões no Mercado Financeiro: O inquérito destaca a proximidade do parlamentar com o banqueiro Augusto Lima, proprietário do Banco Pleno (liquidado pelo Banco Central) e ex-sócio de Daniel Vorcaro.
Desdobramentos políticos
Jaques Wagner foi alvo da 9ª fase da operação Compliance Zero em 18 de junho deste ano, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), sofrendo buscas e apreensões em endereços ligados a ele em Salvador e Brasília. O senador nega o cometimento de qualquer irregularidade.
A pressão da investigação levou a mudanças na articulação política do Planalto. Dias após as buscas, Wagner reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e abdicou do cargo de líder do governo no Senado. À época, o parlamentar afirmou que sua “prioridade absoluta” seria provar sua inocência e dedicar-se às campanhas eleitorais de seus aliados e à própria reeleição.
Fonte: Bahia Notícias, parceiro do Acorda Cidade.
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