
“Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, o progresso é possível”, afirmou a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, durante o lançamento da edição 2026 do relatório O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI). O evento foi realizado nesta terça-feira (21), na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma.
Com o tema “Financiando a Nutrição: dietas saudáveis acessíveis para um mundo sem fome e desnutrição em todas as formas”, o SOFI 2026 confirmou que o Brasil segue fora do Mapa da Fome. De acordo com a nova edição, a prevalência de subnutrição (PoU) no país permaneceu abaixo de 2,5% da população, patamar utilizado pela FAO para classificar os países fora do Mapa da Fome. Para a ministra do MDA, “a fome não é inevitável. Quando os governos priorizam o combate à fome, à pobreza e à desigualdade, o progresso é possível”.
O relatório também mostra que a fome global caiu pelo terceiro ano consecutivo e que a América Latina e o Caribe registraram, em 2025, a menor taxa de fome entre as regiões em desenvolvimento, com 4,8% da população em situação de fome.
Apesar desse avanço, o relatório alerta que apenas uma em cada três pessoas no mundo tem acesso a uma alimentação saudável e que 25,7% da população da América Latina e do Caribe ainda não consegue arcar com o custo de uma dieta saudável, atualmente o mais elevado entre as regiões em desenvolvimento.
Brasil amplia acesso à alimentação saudável
Os dados do SOFI 2026 evidenciam avanços importantes do Brasil no acesso econômico da população a uma alimentação saudável. Entre 2021 e 2025, a proporção de brasileiros que não tinham condições financeiras de adquirir uma dieta saudável caiu de 31,2% para 21,1%. Ou seja, o número de pessoas nessa situação foi reduzido de 65,3 milhões para 44,8 milhões, o que significa que mais de 20 milhões de brasileiros passaram a ter condições de acessar uma alimentação saudável no período.
Para a FAO, uma alimentação saudável é aquela que promove a saúde, o crescimento, o desenvolvimento e o bem-estar, além de prevenir deficiências nutricionais, doenças crônicas e doenças transmitidas por alimentos. Para isso, deve atender a quatro critérios fundamentais: ser adequada, fornecendo os nutrientes necessários; equilibrada, com proporções apropriadas de energia, carboidratos, proteínas e gorduras; diversificada, incluindo alimentos de diferentes grupos alimentares; e moderada, limitando o consumo de açúcares, sódio e gorduras prejudiciais. Além desses princípios, a segurança dos alimentos é um requisito indispensável, garantindo que os alimentos sejam próprios para o consumo e contribuam efetivamente para uma alimentação saudável.
Durante o evento, a ministra do MDA, como representante do Governo do Brasil, falou que os resultados do Brasil são frutos de políticas como o Plano Brasil Sem Fome, estratégia que articulou políticas públicas voltadas à geração de renda, ao fortalecimento da segurança alimentar e nutricional e à ampliação da oferta de alimentos saudáveis. O conjunto dessas ações contribuiu para que o Brasil voltasse a sair do Mapa da Fome e ampliasse o acesso da população a uma alimentação adequada e saudável.
“Desde 2023, o Brasil reconstruiu uma agenda integrada de políticas públicas por meio do Plano Brasil Sem Fome, articulada em torno de três eixos: o aumento da renda das famílias, o fortalecimento das políticas de segurança alimentar e nutricional e a mobilização da sociedade para combater a fome e promover a alimentação saudável”, afirmou Fernanda Machiaveli.
A experiência brasileira foi destacada como exemplo de uma abordagem integrada, que combina políticas de proteção social, fortalecimento da agricultura familiar e ampliação do acesso a alimentos saudáveis, reconhecendo que a segurança alimentar depende tanto da produção quanto da capacidade da população de adquiri-los.
Agricultura familiar no centro da estratégia
Durante a apresentação, foi ressaltado o papel estratégico da agricultura familiar na produção de alimentos saudáveis e na construção de sistemas agroalimentares mais sustentáveis. As políticas do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) incluem a ampliação do crédito rural, da assistência técnica, da inovação, do acesso aos mercados, além de investimentos em bioinsumos, pesquisa, sistemas agroflorestais e no programa Florestas Produtivas, que alia produção de alimentos, geração de renda e recuperação ambiental.
“Os agricultores familiares não são apenas produtores de alimentos. Eles são atores essenciais na construção de sistemas agroalimentares mais saudáveis, resilientes e sustentáveis”, destacou Fernanda Machiaveli.
A ministra também frisou a importância das compras públicas de alimentos por meio de programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além de investimentos em logística, armazenagem e estoques públicos. Essas medidas fortalecem a comercialização da produção da agricultura familiar, ampliam o acesso da população a alimentos saudáveis e contribuem para reduzir a volatilidade dos preços.
Mulheres rurais na transformação dos sistemas alimentares
O protagonismo das mulheres rurais também foi apresentado como um dos pilares das políticas públicas voltadas à segurança alimentar. Entre os destaques está o Programa Quintais Produtivos, que, desde 2023, já beneficiou mais de 130 mil mulheres rurais com pequenos investimentos públicos e assistência técnica para implantação de quintais produtivos agroecológicos.
Esses espaços produtivos diversificam a alimentação das famílias, promovem a recuperação da biodiversidade, geram renda sob gestão das próprias mulheres e fortalecem sua autonomia econômica.
Ao final, Fernanda Machiaveli reforçou o compromisso do Brasil com a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. “Nosso objetivo é que produzir alimento saudável seja atrativo para quem planta e acessar seja acessível para quem come”, concluiu.
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