22 de July de 2026
VÍDEO: mulher é presa suspeita de causar prejuízo de R$ 600 mil a cerca de 70 vítimas em Feira de Santana
Foto: Ascom/PC

Uma contadora aposentada que mora no município de Montes Claros, em Minas Gerais, afirma ter sido vítima de um golpe aplicado por Jéssica Gonçalves dos Santos. A suspeita foi presa em Feira de Santana, no dia 14 de julho, após ser apontada como líder de um esquema de fraudes bancárias envolvendo empréstimos consignados.

A vítima, que tem 58 anos e será identificada nesta reportagem apenas como Maria José, afirma que teve um prejuízo de aproximadamente R$ 28 mil, valor que foi enviado através de transferências PIX para uma pessoa que se apresentava como funcionária de uma empresa especializada em renegociação de dívidas.

Entenda o caso

A vítima concedeu uma entrevista por telefone ao repórter Ed Santos, do Acorda Cidade, afirmando que reconheceu a suposta golpista após ver uma reportagem na internet sobre a prisão de Jéssica.

Segundo Maria José, o primeiro contato com a falsa funcionária ocorreu em abril deste ano, após ela contratar uma empresa de consultoria para tentar reduzir juros considerados abusivos em empréstimos consignados.

A vítima afirmou que recebeu uma mensagem via WhatsApp informando que o caso dela passaria a ser tratado diretamente com o setor jurídico da empresa. A partir daí, a mineira passou a conversar com uma mulher que se identificava como “Dra. Letícia Tenório”.

“A mensagem dizia: ‘Senhora Maria, a partir desse momento a senhora vai tratar só com o nosso jurídico‘. Essa Jéssica entende de tudo. Ela entende de coisa de banco, de juros, ela é inteligente, ela conversa direitinho. Ela é um perigo para a sociedade”, afirmou.

Viatura da Polícia Civil
Foto: Divulgação/ Ascom Polícia Civil

A aposentada contou que os pagamentos eram solicitados sob a justificativa de dar continuidade ao processo de renegociação dos contratos. Segundo Maria José, os depósitos eram feitos para contas vinculadas a Jéssica Gonçalves.

“Ela me deu a chave Pix em contas no nome dessa Jéssica. Eu falei: ‘Mas que estranho, você é Jéssica?’ E ela falou assim: ‘Não, eu não sou a Jéssica, eu sou a Dra. Letícia Tenório’. Mas eu tenho a impressão que o tempo inteiro eu falava com a própria Jéssica”, disse a aposentada.

Modus operandi

Maria José contou para a reportagem do Acorda Cidade que, ao longo do período que manteve contato com a pessoa que se identificava como Letícia Tenório, sofreu forte pressão psicológica para realizar as transferências bancárias.

“Ela falava assim: ‘Olha, até amanhã meio-dia tem que pagar 2.800, senão tudo que a senhora pagou tá perdido’. Aí eu endoidava tomando dinheiro emprestado na mão dos outros, agiota, família e mandava para ela. Quando era de noite, ela mandava mensagem novamente: ‘Ih, faltou mil’”, afirmou a aposentada.

“Foi aquela pressão psicológica durante uns 15 dias. Ela foi até boazinha porque ela viu que eu era inocente, que eu era leiga no assunto. Aí, por fim, ela falou assim: ‘Olha, eu vou pedir demissão aqui hoje da empresa, mas amanhã meu colega vai tratar com a senhora’. Aí, depois disso, nunca mais me atendeu”, completou a vítima.

Complexo de delegacias do bairro Sobradinho
Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Maria José disse que a verdadeira Letícia Tenório já tomou conhecimento do fato e acionou a polícia. A mineira também confirmou que só descobriu a prisão da suspeita após ler uma reportagem publicada sobre a operação policial em Feira de Santana.

“Foi Deus. Eu estava trabalhando quando apareceu a notícia no computador dizendo que Jéssica Gonçalves dos Santos tinha sido presa. Mostrei para uma colega e tudo começou a bater. Aí percebi que era a mesma pessoa”, disse.

“Eu tomei um prejuízo de aproximadamente uns R$ 28 mil. Mas eu tenho tudo, os documentos, extratos, porque eu fiz dois boletins de ocorrência. Já teve uma audiência aqui na minha cidade, porque eu estou crendo que a empresa é consciente do que aconteceu. Eu estou me apegando com Deus para que seja devolvido”, completou a mulher.

Trabalho coletivo

Após tomar conhecimento da prisão pela internet, a aposentada conversou com a reportagem do Acorda Cidade para relatar o caso e elogiou o trabalho da polícia e da imprensa local.

“Quero parabenizar vocês e a polícia da Bahia. Essa criminosa deve ter causado prejuízo para muito mais gente. Acho que não foram apenas 70 vítimas”, declarou a aposentada.

Conforme o portal Acorda Cidade já divulgou, Jéssica Gonçalves dos Santos foi presa preventivamente durante a Operação Old Scam, deflagrada pela Polícia Civil em Feira de Santana.

Conforme as investigações, Jéssica é suspeita de liderar um esquema de fraudes envolvendo empréstimos consignados que teria causado prejuízo estimado em R$ 600 mil e feito cerca de 70 vítimas, a maioria idosos.

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade

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