
Com o crescimento do transporte de passageiros feito por aplicativos nos últimos anos, via carro ou moto, o Sistema de Transporte Público Alternativo e Complementar (STPAC) de Feira de Santana passou a enfrentar sérias dificuldades financeiras.
Outro fator que tem contribuído para a crise do transporte alternativo no município é o aumento dos custos para manter os veículos circulando, além da concorrência com o transporte clandestino.

O motorista Dário Alves Santos contou em entrevista ao portal Acorda Cidade que trabalhava com o Transporte Alternativo, mas diante das dificuldades decidiu migrar para o aplicativo, assim como outros colegas de profissão.
“Eu estou realmente no aplicativo hoje, mas a linha ainda existe. Eu vendi o carro, porque minha despesa era maior. E uma pessoa que está na linha, porque as despesas dele são menores, e ele está operando na linha que eu operava.”
Em entrevista ao portal Acorda Cidade, o representante do sistema STPAC, Raimundo de Souza Ferreira, conhecido como Dinho do Alternativo, informou que o transporte alternativo teve uma queda muito grande no faturamento e com isso muitos motoristas estão desistindo de trabalhar no sistema.
“O preço do diesel, funcionários, tudo trouxe a decadência do transporte, porque não está dando para manter o veículo e manter a família. E as pessoas estão desistindo para ir para outra coisa que dê dinheiro suficiente pra eles se manterem.”

Ele acredita que para o STPAC voltar a ser mais sustentável precisaria receber um subsídio da administração municipal, como ocorre com as empresas de ônibus.
“O sistema tinha 105 carros, e hoje tem uma média de 72 a 75 carros operando e alguns já estão falando que não vai dar pra continuar. E eu pedindo: ‘vamos segurar, segurar que vem coisa boa’, mas nunca consegui realizar o sonho deles, que seria a bilhetagem eletrônica, alguma coisa assim que pudesse melhorar o nosso faturamento. O aplicativo chegou aí e levou muitos passageiros”, lamentou.
Ele acrescentou que as linhas do transporte alternativo atendem os passageiros da zona rural do município, alguns que são populosos. “Humildes, Bonfim de Feira, São José, Vila Feliz, Matinha, essa região da zona rural, e alguns povoados grandes, são muitas localidades que a gente opera, só a zona rural.”
Dinho do Alternativo destacou que a categoria busca dialogar com o poder público e avaliar a possibilidade do subsídio.
“Já está se pensando em alguma coisa que possa revitalizar o transporte. Que o transporte alternativo é bom, ele ajuda, ele traz o povo da zona rural, ele traz o abacate, ele traz a jaca, ele ajuda a movimentar o centro da nossa cidade. O Alternativo gera lucro para os postos de gasolina, gera imposto para o município, e movimenta a cidade com a população também.”
Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram.
