
Como já noticiado pelo Acorda Cidade, uma mulher foi presa por suspeita de liderar uma organização criminosa especializada em fraudes envolvendo empréstimos consignados. De acordo com o delegado João Rodrigo Uzzum, o inquérito do caso foi concluído e remetido para o Poder Judiciário na quinta-feira (23), dentro do prazo.
A mulher, identificada como Jéssica Gonçalves dos Santos, de 34 anos, foi presa durante a Operação Old Scam, da Polícia Civil, que foi realizada na terça-feira (14). Além dela, outras sete pessoas foram indiciadas, como confirmou o delegado ao Acorda Cidade. Segundo ele, 39 vítimas já foram ouvidas pela polícia, e outras ainda devem prestar depoimento.
João Rodrigo explicou que os golpes eram aplicados de pelo menos duas maneiras. Uma delas era, por exemplo, um idoso que precisava de um empréstimo de R$ 5 mil. A investigada então descobria que a margem do idoso atingia R$ 15 mil, então ela aproveitava das dificuldades que muitas pessoas mais velhas tem com o uso de celulares e outras tecnologias para ela mesma realizar as operações com o INSS e os aplicativos de bancos.
Com isso, Jéssica, que ganhava a confiança não só das vítimas mas também de familiares, informava que o empréstimo recebido era acima do esperado. Os idosos então optavam por devolver o valor e nesse momento, ela se apropriava dos valores, por meio de Pix ou saques em espécie, afirmando que o dinheiro teria sido restituído à instituição financeira que emprestou.
O outro método era a pulverização direta do valor excedente sem o conhecimento da vítima. Após conseguir a liberação da margem máxima no INSS e ter acesso direto às senhas bancárias do aposentado, a mulher monitorava a conta. Quando o empréstimo caía, ela mesma realizava a transferência do valor diretamente do aplicativo do idoso para contas de “laranjas“, sem que o idoso sequer percebesse a movimentação.
Além disso, ela também aproveitava os cartões de crédito vinculados aos consignados liberados pelas financeiras. Usando maquinetas de cartão, a investigada efetuava saques e transações até esgotar todo o limite disponível da vítima.

Conforme o delegado, a investigação identificou mais de R$ 100 mil em movimentações em uma das contas usadas pelos “laranjas”. Questionado sobre o ressarcimento às vítimas, João Rodrigo afirmou que é possível que elas sejam indenizadas.
“Nós solicitamos o bloqueio, não só das contas dela, mas de todos os laranjas envolvidos. Todos os CPFs que nós identificamos, nós pedimos o bloqueio. Então, espero que existam valores nessas contas que possam ressarcir pelo menos parte desse prejuízo. Senão, infelizmente, as pessoas também vão ter que recorrer à esfera civil.”
Quanto à situação criminal, ele destacou que a prisão preventiva foi solicitada antes do bloqueio das contas para evitar que a investigada conseguisse fugir.
Ela foi presa, na audiência de custódia manteve essa preventiva. Hoje ela está no presídio de Feira. O inquérito foi remetido, agora o Ministério Público, evidentemente vai fazer a parte dele. São sete indiciados. O crime de estelionato qualificado em razão da situação do idoso, crime de lavagem de dinheiro, porque ela distribuía essa conta, ela pulverizava esse dinheiro, e crime de organização criminosa. Então provavelmente ela vai ser condenada a uma pena muito alta. É o que esperamos, é o que sabemos que merece uma pessoa que destruiu a vida de tantos idosos aqui na cidade de Feira de Santana.”
O delegado também disse que além de idosos, pessoas que recebiam a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) também foram vítimas dessas fraudes.
Essa questão de empréstimos consignados fica muito concentrada em servidores públicos e, principalmente, aposentados do INSS. E não são só os aposentados, não. Muitas vítimas também recebiam Loas. Por exemplo, pessoas interditadas, cadeirantes, pessoas quase em estado vegetativo dentro de casa, ela também praticava esses golpes contra elas. O idoso é mais frágil de liberar porque tem um rendimento certo, um rendimento mensal, e acaba sendo vítima.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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