
Conhecida pela forte luta sindical à frente da APLB, sindicato que representa os professores das redes municipal e estadual, em Feira de Santana, a professora Marlede Oliveira é vista como uma pessoa linha dura à frente das manifestações em Feira e região. No entanto, existe outra frente de trabalho na rotina da sindicalista que pouca gente conhece, que é o seu dia a dia ao lado dos filhos e netos.
Em homenagem ao Dia da Avó, celebrado neste 26 de julho, a professora aceitou abrir as portas da sua casa para a reportagem do Acorda Cidade, aonde revelou detalhes do seu dia a dia ao lado dos quatro netos e um outro lado mais leve e descontraído, que pouca gente conhece.
“Às vezes, as pessoas têm a impressão de que quem é sindicalista não tem família. No entanto, não é assim. Meu pai era marceneiro e minha mãe costureira. Pensam que ser sindicalista é só estar na rua brigando, reivindicando direitos. Não. Eu tenho dois filhos e meus netos têm paixão por mim”, iniciou Marlede Oliveira.

Vovó da luta
A professora contou que sua relação com os netos sempre foi de muito respeito e cuidado. Ela diz que busca respeitar cada um de acordo com as suas idades e personalidades, e eles a enxergam como uma vovó diferente, reconhecendo seu papel à frente da luta pelos direitos dos trabalhadores da educação.
“Aqui tem até um parquinho para eles desde pequenininhos, desde a primeira neta, que é a Ana Isabel. Meus netos nunca me deram trabalho, tenho a maior estima por eles, e eles por mim, porque eu sou uma avó diferente para eles. Quando eles me vêem na televisão, nas lutas, na rua, ‘Ó a vovó ali!’. Quando passam e vêem alguma manifestação de rua, que o trânsito está parado: “Será que a vovó tá ali?”. Então é desse jeito. Meus filhos também: ‘Será que mainha tá ali?’”, conta em tom descontraído.
No dia a dia, Marlede diz que também tenta se manter em forma para acompanhar o pique da criançada. Pedala três vezes por semana, segue firme na academia, não perde as aulas de pilates e esbaja muita saúde em seus 70 anos.
“Para mim é um privilégio da natureza eu estar assim firme e forte, resistindo. Já fiz muitas greves, enfrentamentos de prefeitos, criei o sindicato na região toda, mas também tenho afinidade com a família, com meus netos, principalmente. Adoro meus netos, queria ter mais tempo para cuidar deles. Mas mesmo assim, de vez em quando eu: “Ó, vamos ali almoçar com a vovó? Vamos no cinema? Vamos no circo?”, quando tem em Feira. Então essa é a nossa vida, a gente tem essa relação muito boa porque o neto é um segundo filho. Então, pra mim, quando meus netos nasceram, foi tudo.”

Tempo de qualidade com a família
Marlede revela que quando chega o Dia da Avó sempre participa das homenagens nas escolas dos pequenos e reafirma o que todos já entendem como uma grande verdade: de que as avós existem para curtir os netos, e defende mesmo essa pauta como sua grande missão de família.
“Vó é para estar sempre presente. É aquela pessoa que o neto pede algo: “Vovó, você não tem um dinheirinho?” E vó não nega, não é isso? Eu acho que nenhuma vó nega, a não ser que não tenha, mas tendo, a gente compra sorvete, satisfaz… Aqui nós somos uma família que sempre estamos convivendo com os netos, com meus filhos, fazemos churrasco, assistimos futebol, tudo aqui na minha casa. Então essa é uma relação que eu acho que é o mais importante da minha vida. Depois que eu saio do Sindicato, que a gente sai de lá da rua, das lutas, do atendimento aos professores, da visita às escolas, eu tenho prazer de curtir meus netos e minha família”, reiterou.
E ao lado das lembranças dos momentos alegres juntos, também vão se construindo as memórias afetivas com os cheiros e sabores da ‘comidinha da vovó’, que ela confirma saber fazer muito bem.
“Eu faço feijoada, feijão tropeiro, e meus netos adoram. Cozinho perfeitamente, porque sou sindicalista, mas também sou dona de casa. Gosto de cuidar da minha casa, zelar da minha família, principalmente meus netos, que são meus segundos filhos. O trabalho é a nossa forma de sobrevivência, mas é preciso a gente manter uma vida ativa, pedalando, curtindo. Vovó Marlede vai continuar aí na luta e também, junto com os netos. Enquanto estivermos vivos, é prazeroso a vida com a família e com os amigos, porque ninguém vai ser feliz sozinho”, destacou.

Admiração e boas lembranças dos netos
Ao Acorda Cidade, o neto João Marcelo, de 8 anos, afirmou como é difícil definir em palavras tudo o que sente pela avó. “Só sei que ela é a melhor vó do mundo”, expressou.
João Vinicius também demonstrou toda a sua admiração não somente pela pessoa que a avó Marlede representa dentro da família, mas também pela mulher forte que ela demonstra ser.
“Ela luta pelos direitos dela e dos outros como professora e na APLB. E é isso que eu gosto mais dela. Ela está lutando. E os meus melhores momentos é estar com ela no almoço, jantar, assistindo jogo de futebol, churrasco. Todos os momentos que eu estiver com ela são os melhores momentos”, declarou.
A neta Anna Maria destacou todo o orgulho e contou que guarda muitas lembranças felizes ao lado da avó. “Toda vez, senta no final de semana pra gente conversar, dar risada… uma tarde que seja, já faz a minha semana. O que a minha vó faz que mais me admira é o jeito que ela luta, o jeito que ela é resistente, o jeito que ela é uma mulher forte. E eu amo muito isso nela. Isso é uma qualidade assim que nada pode ser comparado a isso. Os melhores momentos que eu tive com a minha vó foi na minha infância, que ela fez um parquinho na casa dela para os netos dela. Eu achava o máximo e me divertia. São 1 milhão de boas lembranças.”
Anna Isabel confirma que admira o trabalho realizado pela avó e a vê como uma pessoa batalhadora e firme em seus ideais.
“Minha vó no dia a dia ela é uma pessoa que tem a rotina dela, ela sabe o que ela tem que fazer no dia e segue perfeitamente. Ela é uma pessoa que está sempre ativa nos grupos, sabe tudo o que está acontecendo em vários lugares ao mesmo tempo. Ela é uma pessoa muito certa do que ela tá fazendo. E o que eu mais admiro na minha avó é como ela batalha pelas coisas que ela acredita, como ela é batalhadora e como ela é resistente quando ela sabe que ela está certa e que é aquilo o certo pra ela. Eu admiro muito a força que ela tem em defender as ideologias dela.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.
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