
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vai reclassificar parte do relevo da Bahia. Com a atualização do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevos (SBCR), algumas áreas atualmente consideradas serras passarão a ser reconhecidas como montanhas.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o geólogo e professor, Jémison Santos, membro da equipe elaboradora do mapa do relevo brasileiro, explicou que o SBCR é um sistema voltado à padronização do mapeamento geomorfológico do país.
Critérios para classificação de uma montanha
Segundo Jémison, o conceito de montanha adotado pelo IBGE considera formações com amplitude altimétrica superior a 300 metros, preferencialmente com picos, vertentes íngremes e que apresentem expressão espacial e continuidade geográfica.
A atualização não aconteceu de forma repentina. De acordo com o geólogo, desde 2019, o IBGE e pesquisadores participam de workshops e simpósios para debater como o relevo brasileiro deve ser classificado.
O professor afirma que o novo sistema organiza as formas de relevo em diferentes níveis hierárquicos, atualiza nomenclaturas e representa uma modernização dos estudos geomorfológicos no país.

Entre as mudanças, o termo “depressão” agora é substituído por “superfície rebaixada”. Segundo ele, a atualização também contribui para valorizar as paisagens brasileiras, fortalecer as políticas de preservação ambiental, além de movimentar o turismo.
O que muda?
“O Brasil sempre possuiu montanhas, mas só agora que a gente descobre com critérios bem definidos”, explicou Jémison. Segundo o geólogo, hoje, o sistema aponta que 14 estados brasileiros possuem montanhas, distribuídas pelas cinco regiões do país. No Nordeste, o Ceará é o estado mais montanhoso e, logo em seguida, a Bahia.
Os estudos já indicavam aos especialistas que, há cerca de 480 milhões de anos, o Brasil possuía cordilheiras tão elevadas quanto o Himalaia. Um dos colegas, o professor Celso Carneiro, em um de seus estudos, já apontava essa questão, afirmando que havia picos com mais de 8.000 metros de altitude. Então, se pensarmos que, há 480 milhões de anos, existiam cadeias de montanhas com altitude superior a 8.000 metros e dermos um salto no tempo até cerca de 70 milhões de anos atrás, veremos que ocorreu o movimento de blocos da crosta terrestre, formando um protoplanalto”, explicou Jémison.
Em resumo, as montanhas atuais são vestígios de antigas cadeias montanhosas.
O que passa a ser considerado montanha na Bahia?
Segundo o pesquisador, a principal novidade é o reconhecimento oficial de novas áreas montanhosas no estado:
- Montanha da Jacobina: que era chamada de Serra da Jacobina;
- Montanhas de Itiúba: localizadas no semiárido baiano;
“A Bahia passa a ser conhecida também como o estado das montanhas”, afirmou o professor.
Influência no clima
Segundo o professor, as regiões montanhosas têm influência direta no clima e nos recursos hídricos da Bahia e do Nordeste.
“Essas áreas contribuirão também com a melhoria da qualidade e da quantidade de água disponível para a população e para as diversas atividades socioeconômicas”, afirmou.
Com informações da jornalista Daniela Cardoso, do Acorda Cidade
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