
O radialista Dilton Coutinho voltou a soltar o verbo e atribuiu à parte podre da classe política brasileira a responsabilidade sobre a maioria dos problemas enfrentados pela população nos serviços públicos. A edição do programa Acorda Cidade desta terça-feira (28) mostrou que o âncora “não está segurando mais nada”.
Coutinho defendeu a tese de que boa parte das deficiências em áreas como mobilidade, saúde, educação e segurança pública ocorre porque a classe política não utiliza esses serviços no dia a dia.
Desceu a lenha
A análise começou pela atual situação do BRT de Feira de Santana. O comunicador criticou o funcionamento do sistema de transporte publico e afirmou que diversas estações permanecem praticamente sem utilização.

“As estações do BRT em Salvador são fantásticas, com linha exclusiva. Tem ônibus toda hora subindo e descendo pela capital. Já aqui em Feira de Santana, o BRT é um fantasma. Quando é que a prefeitura vai colocar esse BRT para funcionar?”, indagou o âncora.
Para o apresentador do programa Acorda Cidade, o modelo de transporte implantado na Cidade Princesa existe “apenas no nome”, já que ele raramente vê ônibus ou passageiros utilizando as estruturas.
“Eu passo e vejo algumas estações abandonadas, tudo acabado. Além de ser um projeto feio arquitetonicamente, elas não funcionam. A da Noide é abandonada. Eu nunca vi um ônibus lá, pelo menos na hora que eu passo, e olha que eu sempre estou passando por lá.”
“Pessoal da prefeitura, dá uma chegadinha ali em Salvador para ver como é o BRT de lá. Aqui, o ponto da Av. Ayrton Senna, também está abandonado. Uma estação enorme, não entra nada, só deve ter mosquito e muriçoca. O BRT deveria ser um transporte para agilizar o fluxo de passageiros, mas, em Feira, não. É só no nome”, completou Dilton.
A BRT 324
Outro tema abordado nos comentários do radialista foi a famigerada BR-324. Embora Coutinho reconheça que o pavimento tenha recebido melhorias, o comunicador afirmou que o principal problema da rodovia é estrutural.

Segundo o apresentador, o crescimento da frota de veículos e das dimensões das cargas transportadas pelos caminhões ao longo das últimas décadas não foi acompanhado por obras de ampliação da capacidade da estrada, o que explicaria os congestionamentos frequentes, mesmo quando não há acidentes.
“Às vezes você fica preso em um engarrafamento e o aplicativo hoje mostra ‘30, 40 minutos de espera’, e vai aumentando, vai diminuindo. Aí você pensa: ‘A zorra pegou lá na frente, deve ser algum acidente’. Você fica ali remando, remando, remando e quando passa no local não foi nada”, disse.
“Na época que a BR-324 foi projetada, não tinha a quantidade de carros que nós temos hoje, então, por isso, a BR está saturada. Durante todos esses anos, não foram feitas melhorias de trafegabilidade, ou seja, para acompanhar o volume de tráfego de carros que passa por ela. De lá para cá, teria que ter mais duas pistas”, completou Dilton.
No prejuízo ?
Coutinho também criticou a antiga concessão da rodovia à iniciativa privada. Na avaliação do radialista, obras previstas no contrato, como faixas adicionais em trechos considerados críticos, não foram executadas, contribuindo para o cenário de saturação da BR-324.

“Tinha no projeto, inclusive, a partir da saída de Salvador, a terceira pista, mas não foi feita. E a empresa ainda saiu devendo essas melhorias e recebeu quase R$ 1 bilhão. Aí minha inteligência não consegue entender a inteligência das nossas autoridades”, ironizou.
“Mas o problema é porque eles não sentem na pele. O governador não pega engarrafamento de 3 horas. Vários presidentes já vieram a Feira de Santana, mas não vêm pela BR, então não sabem o que o povo sofre. Não sabem por que eles usam viagem de helicóptero ou jatinho”, completou.
O povo sofre
A mesma lógica, segundo o radialista, se repete na saúde pública. Durante o comentário, Dilton citou estudos que apontam dificuldades na atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS), como sobrecarga das equipes, precarização das relações de trabalho, falta de medicamentos e de insumos.

“Falta medicamento, falta estrutura. As pessoas estão enfrentando filas para ter uma consulta com um oncologista, para começar o tratamento do câncer, só que a fila é grande, não tem profissionais, e aí a doença vai avançando e as pessoas podem morrer por causa da demora no tratamento”, declarou.
Para o comendador, essas deficiências persistem porque autoridades e seus familiares costumam recorrer à rede privada de saúde, sem vivenciar os problemas enfrentados pelos usuários do sistema público.
“Mas por que isso acontece? Porque as grandes autoridades do Brasil, a grande maioria delas, secretário, prefeito, vereador, deputado, governador, presidente, ministros e senadores, ninguém usa o sistema. Então, se não usa, não sabe como é que não está funcionando”.
“Na área de educação, por que escolas acabadas, não tem professor, não tem nada. Em alguns casos, há 30 anos que eu faço o programa, já falei isso aqui, e os problemas são os mesmos na área de educação. Falta professor, escola sem estrutura mais os filhos deles não estudam nessas escolas”, completou.
Quem sente, sabe
Por fim, Dilton Coutinho também estendeu a crítica à falta de sensação de segurança. Segundo ele, autoridades contam com esquemas próprios de proteção e, por isso, não experimentam as mesmas situações de vulnerabilidade vividas pela população nas ruas.

“Cada ministro tem 5, 10 seguranças. Cada presidente tem 200. Um vice-governador foi criticado outro dia por ter 40 policiais à disposição dele. Os profissionais saem para dar segurança a ele”, afirmou.
“Eles têm seguranças e carros blindados, então eles vão se preocupar comigo ou com você, que está na rua sendo assaltado, se eles têm tudo à disposição e não utilizam a estrutura? O sistema foi feito para não funcionar, porque eles não usam nenhuma estrutura pública. É por isso que é tudo uma porcaria. Pronto, falei”, concluiu Dilton.
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