
Foi realizado nesta terça-feira (28), no Centro das Indústrias de Feira de Santana (Cifs), o III Fórum de Vítimas de Violência no Trânsito. O evento reuniu órgãos fiscalizadores, representantes do sistema público de saúde, além de entidades ligadas à indústria e ao comércio como o Sest Senat, Fecomércio e Câmara da Mulher Empresária.
Durante sua participação no evento, a diretora do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), Cristiana França, pontuou que entre 2025 e 2026 houve uma leve redução nos índices de acidentes de trânsito no município, em torno de 4%. No entanto, alertou que os índices continuam altos, sobretudo de pacientes que chegam à unidade hospitalar vítimas de acidente com motocicletas.

“O Hospital Clériston Andrade completa 41 anos, com mais 90% dos atendimentos do ortotrauma de vítimas de acidentes de moto. Significa que dos 10 pacientes que chegam acidentados, 9 são em decorrência de acidente com motocicleta.”
Segundo a diretora, entre janeiro e junho de 2026, do 15.404 mil pacientes atendimentos na emergência do HGCA, 2.351 pacientes (16%) foram de vítimas de acidente de trânsito, desses, por sua vez, 80% correspondeu a acidentes de moto. No entanto, o que mais chama a atenção no dia a dia do hospital é o alto número de pacientes amputados na emergência.
“A maioria dos pacientes que estão no Clériston saem de alta, mas saem sequelados. Esse é o problema. Hoje em dia vocês não têm noção de quantas amputações traumáticas a gente tem feito em pacientes de acidente. Significa que a gente está amputando.”
Acidentes provocados pela prática de ‘grau’
O superintendente municipal de trânsito, Ricardo Cunha, destacou em entrevista ao Acorda Cidade, que chegam muitas reclamações em seu gabinete acerca de motociclistas que realizam o ‘grau’ em ruas e avenidas movimentadas da cidade, o que traz riscos para outros condutores e pedestres.
“Nós não vamos compactuar com algo que aumenta a quantidade de feridos no Clériston Andrade, que coloque em risco as pessoas que estão atravessando uma via. (…) Esse tipo de atitude coloca em risco as outras pessoas. Então, sim, a SMT irá combater esse tipo de atitude até que as pessoas entendam que a via urbana aberta à circulação não é o local para esse tipo de experiência”, enfatizou Cunha

O superintendente destacou que apesar da existência de grupos que pedem a legalização do grau, nenhum ainda apresentou um pedido formal à SMT. Além disso, ele alertou que considera a prática perigosa e, geralmente, feita sem segurança.
“Até agora, não fui visitado por ninguém pedindo algum tipo de atitude dessa, que é muito perigosa. Quando tem… eu vejo na internet, eu não frequento os ambientes, mas eu não vejo uma bota, eu não vejo uma roupa de proteção, eu não vejo um capacete diferente para você fazer esse tipo de situação. É um jogo… uma roleta-russa, quando as pessoas inclinam uma moto, tiram uma das rodas do chão e se equilibram apenas em uma das rodas. Se ninguém se acidentasse, se envolvesse nos sinistros, se ninguém morresse, fosse a óbito com esse tipo de atitude, a gente não estaria aqui clamando para que as pessoas que praticam esse tipo de atitude deixem de praticá-la em via aberta à circulação.”
Ele chamou ainda a atenção para a forma que muitos entregadores de delivery conduzem pela cidade.
“Eu não vou generalizar, mas as pessoas que pedem um delivery querem comer quente. Só que para comer quente, você coloca em risco a vida das pessoas que estão fazendo isso. Então, eu acho que nesse momento seria a hora de repensar — eu não falo a nível de Feira de Santana, eu falo a nível de Brasil —, essa legislação não compete à cidade de Feira de Santana, compete ao Congresso Nacional fazer algum tipo de regulamentação para a gente começar a travar um pouco esse tipo de transporte. A gente tem que pensar nisso. Eu tenho até um projeto pronto sobre isso, onde substitui alguns locais por bicicletas. Claro, com ciclovias regulamentadas, para que a gente possa entender e melhorar a qualidade da utilização das vias no Brasil.”

Ações integradas ajudaram a reduzir acidentes
A presidente da Câmara da Mulher Empresária, Leidiane Queiroz, acredita que com a realização do fórum está havendo uma redução do número de acidentes em Feira de Santana, o que considera positivo.
“A participação de muitas instituições, de segurança, outras instituições públicas e privadas, querem participar, apoiar, ajudar e conscientizar a população. Isso pra gente tem chamado atenção e isso é muito importante. Está todo mundo participando, todo mundo resolveu dar as mãos, realmente fazendo a sua parte e isso tem trazido os resultados que a gente espera.”

Segundo Leidiane Queiroz, o principal objetivo é conscientizar a população. “As pessoas precisam entender. Sabe aquele ditado que diz que “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”? É isso que a gente quer. Então a gente quer mostrar que há, sim, resultados e que a gente consegue se todo mundo se ajudar. Então a gente vai para a quarta edição mais para o final do ano e a gente vai trazer resultados, com certeza, melhores.”
Fiscalizações diárias no trânsito
O Comandante do Esquadrão Asa Branca, major Rafael Sachdev, durante o primeiro semestre de 2026, as equipes fiscalizaram uma média de 63 mil veículos. Desse total, 8.045 condutores foram autuados.
“O que nos orgulha é aquele número de redução de acidentes, conseguimos recuperar, fizemos aí 1.437 remoções de veículos entre carros e motocicletas, recuperamos durante as ações de fiscalização de trânsito 12 veículos roubados, furtados, que estavam em posse de pessoas que nós conseguimos recuperar; 10 pessoas foram conduzidas à delegacia, encontramos 4 armas de fogo e 6 pessoas foram conduzidas por tráfico de drogas. Esse é o dado estatístico que o Asa Branca produziu nos últimos 6 meses em Feira de Santana.”

Em relação às ações contra o uso de bebida alcoólica por pessoas ao volante, o major informou que a fiscalização do Departamento de Trânsito já aplicou 25.120 testes através do etilômetro.
“Dá uma média de 4 mil fiscalizações por mês. 11 pessoas foram constatadas ingerindo bebida alcoólica no teor alcoólico acima do 0,05, que é o que prevê a margem de erro do aparelho, 1.235 pessoas se recusaram a fazer o teste e 11 pessoas foram encaminhadas à delegacia. Ao longo desse período que nós estamos fazendo fiscalização diariamente, nós estamos aumentando a quantidade de abordados e estamos cada vez mais com uma taxa de abordados e autuados aumentando.”
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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