
Uma ameaça silenciosa e muitas vezes invisível nas residências, o mofo pode causar o agravamento dos problemas respiratórios em pessoas com histórico de alergias, asma e rinite e com problemas imunológicos. No inverno, seu aparecimento em paredes, superfícies, roupas e calçados é muito comum e pode se espalhar rapidamente caso alguns cuidados não sejam tomados.
Em entrevista ao portal Acorda Cidade, a biomédica Alda Catarina, que atua como coordenadora dos cursos de Biomedicina e Farmácia em uma faculdade privada de Feira de Santana, esclareceu algumas dúvidas sobre os riscos trazidos pelo mofo e como evitar sua proliferação.

“Alguns esporos são liberados pelo mofo, que podem irritar as vias aéreas, provocando alguns espirros, coriza, congestão nasal, tosse, irritação nos olhos. Algumas pessoas são, obviamente, mais sensíveis, e podem desencadear crises de asma, no caso dos pacientes que já tenham essa condição. E, para outros, podem aparecer com alergias ou irritações no trato respiratório”, alertou.
Com o clima frio do inverno, as superfícies tendem a ficar mais úmidas, favorecendo o crescimento dos fungos microscópicos. Segundo a biomédica, abrir sempre que possível portas e janelas aumenta a circulação de ar dentro de casa e evitar o contato de móveis com paredes úmidas são algumas dicas que podem minimizar o problema.
Erros mais cometidos ao combater o mofo
Quanto aos erros mais comuns no combate ao mofo, Alda Catarina avalia que a aplicação de tintas em paredes por cima do mofo não é o melhor caminho.
“O ideal é fazer uma higienização antes para retirar esse fungo, depois disso aplicar a pintura. Além disso, existem tinturas antimofo, que auxiliam nesse processo também. Às vezes, tem um móvel que está facilitando a proliferação desse mofo. Então, o ideal é buscar qual é a fonte, qual é o foco ali para tratar isso. O fungo consegue crescer em tecido, couro, madeira, papel, colchão, ou seja, quando há umidade suficiente, ele consegue se proliferar.”
Trocas periódicas de estofados evitam proliferação de fungos
Com relação aos estofados, como almofadas, travesseiros e colchões, a profissional orienta a troca após um período de uso.
“A gente tem um período para fazer a troca de lençóis. Mas o travesseiro, especificamente, ele tem um prazo de vencimento. O ideal é, obviamente, tentar fazer essa troca. Quando a gente tem épocas que são mais favoráveis, por exemplo, no verão, na primavera, consegue fazer a lavagem tranquilamente, e esse material consegue secar. O ideal é que a gente só lave se conseguir fazer a secagem corretamente. Não lavar e deixar úmido, porque aí vai ser, novamente, um local propício para o crescimento do fungo.”
Roupas e objetos também devem ser guardados em armários e closets se estiverem completamente secos.
“Muitas vezes, a gente orienta que utilize, inclusive, ferro de passar para tentar secar um pouco mais, de forma melhor a roupa, já que essa época não favorece muito a secagem. E aí, quando a gente for guardar, o orientado é que não sejam emboladas, para que o ar circule e ventile muito bem nessas roupas.”
A biomédica salienta que nunca será possível exterminar completamente os mofos do interior das residências, porém as medidas paliativas como ventilar e tratar os locais afetados traz grandes benefícios à saúde.
“É preciso lembrar que o mofo não é apenas um problema estético, obviamente. Ele apresenta o indicador de excesso de umidade no ambiente e pode impactar diretamente a saúde, especialmente de crianças, idosos e pessoas que têm condições alérgicas de doenças respiratórias. Manter a casa limpa, seca e bem ventilada vai proteger, obviamente, a estrutura do imóvel, mas também a saúde de toda a família”, reforçou.
Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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