
Feira de Santana irá sediar, no dia 14 de agosto, a 1ª edição do Educa Rural, um programa de capacitação da Unagro Bahia, voltado aos produtores rurais do município e de outras cidades. O evento ocorrerá no auditório do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), situado no Parque de Exposição João Martins da Silva, na BR-324.
A programação gratuita vai reunir palestras com temas técnicos e essenciais para a gestão dos negócios no campo. Os produtores interessados em participar do Programa Educa Rural devem entrar em contato com a Unagro, através do (75) 9 8215-9373 (ligação e Whatsapp). As vagas são limitadas e precisam confirmação.
Em entrevista ao portal Acorda Cidade, nesta quarta-feira (5), o presidente da Unagro Bahia, Luiz Bahia Neto, mais conhecido como Neto Bahia, informou que a instituição nasceu há cerca de três anos, após o surgimento de um grupo nas redes sociais formado por produtores rurais de todo o estado, que estavam preocupados com o aumento do número de invasões de propriedades.
Segundo Neto Bahia, com o crescimento do número de participantes no grupo, surgiu a ideia de uma organização que pudesse colaborar para a tomada de decisões e busca de soluções para as dificuldades do setor. Atualmente, a Unagro conta com 850 associados, somente em Feira de Santana.
“Mas a Unagro não atua só em Feira. Hoje temos na Chapada Diamantina, em Rio de Contas, aquela região de Ipiaú. Então, regionalizou, nós dividimos em núcleos e hoje nós temos a Unagro Bahia, que são filiais. Mas, tem coordenação própria com ações regionalizadas e em alguns momentos nós fazemos eventos e ações a nível estadual.”
Problemas que impactam o agro na Bahia
Além de invasões, conta que há outros problemas como roubo de animais, que é o crime do abigeato, quando eles vão à propriedade, matam os animais ali no próprio local, limpam e levam só a carne, deixando as vísceras no local da propriedade.
“Isso estava acontecendo em uma média de três eventos por mês, e nós pressionamos a Secretaria de Segurança Pública, e eles destrancaram uma investigação em outubro de 2025, e conseguiram fechar comércios na região e em Salvador, que estavam recebendo essas carnes. Algumas pessoas fugiram. E de lá para cá não tivemos mais esse problema do roubo de gado”, afirmou.
Além do roubo de gado, há ainda a questão da autorização da supressão de vegetação na Bahia.
“O produtor comprou uma propriedade e ela está devoluta. Pelo Código Ambiental, tem que deixar 20% de reserva legal. Só que para limpar os 80%, ele precisa fazer uma solicitação ao Inema de supressão de vegetação, para que ele possa plantar o que for. Esse pedido hoje está demorando em média 18 meses, para um técnico do Inema ir até a propriedade. A pessoa investe ali, contrata funcionários, compra maquinário para fazer a limpeza, e o pedido demora 18 meses. Isso é um gargalo na produção do estado.”
O Educa Rural irá, portanto, abordar todas essas pautas, que vêm atingindo diretamente o produtor rural baiano.
“A gente precisa, enquanto instituição, levar a informação. Para você ter um setor economicamente forte, precisa ter o produtor bem formado. Então, com a maturação, que vem acontecendo gradualmente na instituição, nós viemos entendendo, a importância de gerar um polo de informação dentro da Unagro, através desse programa do Educa Rural. O projeto piloto será aqui em Feira de Santana e temos a pretensão de expandir para outros núcleos.”
Queda nas exportações
Outros assuntos presentes no evento serão as mudanças na tributação que atingem o Agro; as mudanças climáticas, com a previsão da chegada de um super El Niño em setembro, o qual tem entre 70 a 80% de chance de atingir o Nordeste, bem como as taxações impostas por outros países à carne brasileira.
“Hoje nós temos problemas que o agro enfrenta a nível nacional, como a questão das exportações. Estamos em um momento de transição, pois a China limitou as exportações de carne, porque lá vai haver uma tributação, que hoje é de 12,5%, e vai ser de mais 55%. Ela alega que é uma questão de defesa do produtor rural chinês, que produz muito menos do que precisa.”
Ainda no bojo das exportações, a partir do dia 3 de setembro, a União Europeia irá fechar o mercado para a carne brasileira.
“O Brasil não cumpriu as ordens sanitárias que a União Europeia exige. são impactos que atingem o Brasil inteiro, e atingem a Bahia também. Isso coloca o produtor em uma situação de alerta. E hoje tivemos um aumento de 1000% nas recuperações judiciais do setor do agronegócio, incluindo a pecuária, produção de grãos, todos os setores.”
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