
A Delegacia Especializada para o Adolescente Infrator (DAI), em Feira de Santana, já identificou os responsáveis pela criação dos vídeos de pornografia com Inteligência Artificial (IA), utilizando indevidamente a imagem de uma professora de 47 anos, que atua em uma escola da rede particular do município.
De acordo com a delegada da Polícia Civil, Clécia Vasconcelos, que coordenou as investigações sobre o caso, antes de deixar o cargo como titular da DAI, entre os suspeitos estão dois adolescentes, que são estudantes da própria unidade de ensino, na qual a professora trabalha. Eles utilizaram técnicas avançadas de deepfake para manipular as imagens da profissional.
“O procedimento já está em fase de conclusão. Entre os autores estão dois adolescentes. O delegado ou delegada que assumir a pasta da DAI, em breve, finalizará para remeter à Justiça. Quero destacar o apoio do coordenador doutor Rafael Almeida, com o Serviço de Inteligência (SI) e os investigadores da DAI, em espaço de tempo recorde. Porque é uma coisa que tira o prazer de viver, tira a liberdade de uma profissional, e foram os próprios alunos, o pessoal do meio em que ela vivia.”

A delegada ressaltou que a Polícia Civil está atenta a este tipo de crime e, portanto, as vítimas não devem ter medo de denunciar.
“Eu quero tranquilizar a todas as pessoas que estejam na mesma situação da importância de denunciar. A Polícia Civil está bem atenta a isso, e ao contrário do que muitos pensam: ‘Ah, pela internet ninguém vai me achar’. Acha sim. Não fiquem achando que é fácil ficar impune não, que não ficará.”
Clécia salientou que a adulteração de imagens, com uso de deepfake, é algo complexo. Porém, nos últimos tempos foi banalizado para humilhar as vítimas, além de ser uma conduta criminosa.
“Em se tratando de adolescentes é um ato infracional. As investigações já foram conclusivas, e falta só a finalização para remeter à justiça. Lembrando também que quem dissemina, quem repassa o vídeo também comete o crime, de propagar o ato difamatório via rede social. A projeção que um fato como esse alcança é imensurável, daí a preocupação maior em repudiar esse tipo de crime.”
Entenda o caso
No último dia 20 de julho, a professora foi alertada por estudantes da instituição onde trabalha de que vídeos pornográficos contendo imagens dela foram publicados em uma plataforma de conteúdo adulto.
As montagens utilizaram fotografias da vítima, retiradas das suas redes sociais. Os responsáveis utilizaram técnicas de deepfake com ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para produzir os vídeos.
Em uma das montagens, com cerca de 10 segundos de duração, a professora aparece vestindo a camisa da escola onde trabalha. Na outra imagem, a vítima foi inserida em uma cena de sexo oral. Juntos os vídeos alcançaram mais de 27 mil acessos.
Após coletar as provas, com capturas de tela dos vídeos e links da plataforma, a vítima registrou a ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), e em seguida, procurou a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), unidade responsável pela investigação.
Polícia apura participação de adultos no caso
Conforme a delegada da Polícia Civil, Clécia Vasconcelos, além dos estudantes já identificados como participantes do ato criminoso, existe a suspeita de que pessoas adultas também estejam envolvidas na produção das imagens com uso indevido da imagem da professora.
“Esses vídeos, uma vez que caem nas redes, muitas pessoas se apropriam para monetizar, para ganhar dinheiro, para ter lucro em cima da desgraça alheia, mas essa mulher é vítima, ela fez o papel que todas nós devemos fazer, denunciar e as autoridades competentes cumprirem seu papel.”
Fiscalização do uso da internet por adolescentes
Ela chamou a atenção dos pais e responsáveis que permitem o uso de aparelhos celulares e redes sociais de forma indiscriminada por adolescentes, para que fiscalizem mais o que estão fazendo na internet.
“É preciso dar freios e esses adolescentes precisam ter essa devida compreensão dos devidos limites. Que cidadão serão esses, que homens serão esses, que meninos e adolescentes têm essa conduta, o que é que a gente pode esperar? O Estado, a Polícia Civil, todo o aparato de segurança, estão bem atentos quanto a isso. O Judiciário, a Vara da Infância e Juventude, o Ministério Público, pois é uma conduta que tem que ser rechaçada por todos nós da sociedade.”
Ela avalia que não cabe somente ao poder público o papel de proteger as crianças e os adolescentes, por meio do ECA Digital, mas também aos pais e as próprias plataformas digitais.
“É uma responsabilidade das plataformas e também da família o dever de fiscalização, de supervisão. A família tem que ter esse trabalho porque um smartphone na mão de um adolescente, ele faz com que ele precise de muito mais orientação. As informações estão aí de fácil acesso, mas e a qualidade da informação? É isso que tem que ser bem priorizado perante os responsáveis legais.”
Após a saída da delegada Clécia Vasconcelos da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), as investigações deverão prosseguir sob o comando da 1ª Coordenadoria de Polícia do Interior (1ª Coorpin), que tem como titular o delegado Rafael Almeida.
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Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade
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