6 de August de 2026
Ação conjunta busca identificar e combater casos de violência nas escolas de Feira de Santana
Foto: Shirley Santos

Ação conjunta entre escolas municipais, Conselho Tutelar, Ronda Escolar e famílias amplia a proteção de crianças e adolescentes e reforça o enfrentamento à violência dentro e fora do ambiente escolar

A escola exerce um papel que vai além do ensino ao integrar a rede de proteção de crianças e adolescentes, apontam avaliações de órgãos especializados como o Conselho Tutelar e a Polícia Militar. Mudanças de comportamento, isolamento, queda no rendimento, marcas no corpo, relatos espontâneos e evasão escolar estão entre os sinais que podem indicar situações de violência, negligência ou abuso identificadas no ambiente escolar.

Ação conjunta busca identificar e combater casos de violência nas escolas de Feira de Santana
Foto: Shirley Santos

A professora da rede pública municipal de Feira de Santana, Palloma Gonçalves, explica que o primeiro passo ao identificar sinais de violência é a escuta sensível. A metodologia é adotada na Escola Municipal Padre Giovanni Ciresola, a qual atua.

“A criança ou adolescente precisa se sentir confortável para falar. Muitas vezes, o sofrimento aparece no comportamento, no choro excessivo, na agressividade, no isolamento e até nos desenhos”, afirma a professora.

Palloma relembra o caso de uma aluna que relatou ouvir passos em direção ao quarto durante a noite.

“Precisávamos investigar se era medo infantil ou algo mais grave. Levei imediatamente à gestão, como orientam o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Conselho Tutelar.”

Segundo a vice-diretora da Escola Padre Giovanni, Nelice Martins, após receber um caso, a escola apura a situação e define os encaminhamentos. Quando o conflito ocorre dentro da unidade, como bullying ou agressões entre alunos, a equipe gestora, formada por diretora, vice-diretora e coordenadora, busca mediação pedagógica, registra o ocorrido e comunica os responsáveis.

Ação conjunta busca identificar e combater casos de violência nas escolas de Feira de Santana
Foto: Shirley Santos

“Já em suspeitas de abuso sexual, agressões físicas ou negligência familiar, o Conselho Tutelar é acionado. Em situações emergenciais, a Polícia Militar pode ser chamada através do 190. Nosso papel é acolher e proteger. O Conselho Tutelar defende os direitos e a Ronda Escolar, a Polícia Militar é essencial no suporte à escola, no combate à violência dentro da instituição e na garantia da integridade da comunidade escolar”, destaca a vice-diretora Nelice Martins.

De acordo com o conselheiro tutelar Antônio Correia, coordenador do Conselho Tutelar II de Feira de Santana, a cidade possui cerca de 22 conselheiros tutelares e cada um recebe cerca de 25 casos mensais envolvendo escolas, com uma média de 550 casos por mês. Entre as ocorrências estão negligência familiar, abandono educacional, agressões físicas e abuso sexual.

Ação conjunta busca identificar e combater casos de violência nas escolas de Feira de Santana
Foto: Shirley Santos

“A escola funciona como um termômetro entre o conflito familiar e o Conselho Tutelar. Sem essa rede articulada, crianças e adolescentes ficam mais vulneráveis.”, afirma o conselheiro.

Na prevenção, a Ronda Escolar da Polícia Militar atua em parceria com as unidades de ensino. Em 2025, foram registradas 92 ocorrências atendidas e cerca de 3.500 estudantes alcançados em aproximadamente 80 escolas com ações educativas.

O Capitão PM Vitor Araújo, chefe da Ronda Escolar explica.

Ação conjunta busca identificar e combater casos de violência nas escolas de Feira de Santana
Foto: Shirley Santos

“Nós aplicamos três projetos nas escolas que são o ‘Socializar para Construir’, ‘Juventude Conectada’ e ‘Círculo de Construção de Paz’ que abordam bullying, drogas, resolução pacífica de conflitos, masculinidade positiva, diversidade e cultura de paz para que os alunos compreendam uns aos outros e não escolham a violência como um caminho a seguir”, concluiu.

Para os pais e responsáveis, o diálogo e a transparência são considerados essenciais no ambiente escolar.

“Eu sei que posso contar com a escola e com os órgãos de proteção. É acolhedor e importante da parte de todos, porque, quando acontece alguma coisa dentro ou fora da escola, ou quando identificam que o aluno está passando por alguma situação que os pais não conseguiram perceber, nós somos informados e, se necessário, chamados para comparecer à escola”, afirma Miraildes Silva, mãe do estudante Thiago Silva, da Escola Padre Giovanni.

O aluno do 3º ano, de oito anos, também destaca a sensação de segurança no ambiente escolar.

“Aqui ensinam que não pode bater nem empurrar os colegas. Sinto que estou seguro na escola e, se alguma coisa acontecer, devo contar às diretoras e aos meus responsáveis”, resume Thiago Silva.

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