6 de August de 2026
Japa MC
Japa MC | Foto: Reprodução/ Instagram/ @raphaelphelipee

Celebrado no dia 6 de agosto, o Dia do Rap Nacional reforça a importância da resistência na música. Em entrevista ao Acorda Cidade, Caio contou que começou na música em 2013, no funk, mas a partir de 2016 começou a rimar. No entanto, o caminho foi longo e foi só em 2025 que ele pôde viver da própria arte.

“Eu comecei em 2013. Porque eu gostava muito de funk na época, eu não rimava ainda, não acompanhava batalha, mas gostava muito de funk. Eu escrevia uns funks e rimava em cima das bases de funk”. 

Japa MC campeão nacional do Duelo de MCs
Japa MC, campeão nacional do Duelo de MCs | Foto: Reprodução/ Instagram/ @oamonluz e @pablobernardobh

Com a jornada de mais de 10 anos, Japa destacou as dificuldades e a pressão de ser baiano no meio das batalhas de rima nacionais. Apesar do preconceito que enfrentou muitas vezes, principalmente na região sudeste, ele afirmou que usa as rimas como uma forma de protestar. 

Normalmente é uma pressão e uma responsabilidade muito grande também, porque tem eventos que eu sou o único MC baiano, tem evento que tem eu e mais um, no máximo. Então não é comum vermos MCs da Bahia nos grandes eventos de batalha. Então estar nesses eventos é sempre uma responsabilidade e uma pressão, mas uma pressão que é boa, não é algo que me cause ansiedade, é mais no caso de motivação.”

Sobre o preconceito, Caio contou ao Acorda Cidade que já foi alvo de muitas piadas xenofóbicas, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Porém, ele disse que essas situações diminuem com o tempo.

Já enfrentei bastante preconceito no Sudeste, principalmente. Especificamente São Paulo e Rio de Janeiro. São muitas piadas xenofóbicas, nossa região é descredibilizada normalmente com teor humorístico. Tem batalha que a galera descredibiliza por a gente ser daqui. Normalmente a gente ouve muita piada tipo ‘baiano’, ‘paraíba’, mas conforme o tempo vai passando isso vai diminuindo porque a gente também enfatiza muito isso nas rimas. A gente protesta muito nas rimas pela mudança.”

Japa MC
Japa MC | Foto: Reprodução/ Instagram/ @cosca71

De acordo com Caio, suas maiores inspirações na música são o baiano Jaya Luuck, o mineiro Chris, e os capixabas César MC e Dudu. Todos são MCs de batalha de rima. 

Questionado sobre o que diria para jovens baianos que querem seguir no meio do rap e das batalhas, Japa MC reforçou as dificuldades, especialmente pela falta de valorização deste meio na Bahia. Mas afirmou que é necessário ter perseverança, acreditar e trabalhar. 

Batalhar aqui na Bahia é muito difícil, já que não é um estado que abraça muito, não tem muitos eventos. Acho que a resiliência é a parte mais importante do processo. Perseverança, acreditar e trabalhar mesmo. Eu comecei a rimar em 2016, mas só consegui viver da minha arte mesmo a partir de 2025. Óbvio que tem gente que vai conseguir em menos tempo. Mas o trabalho e a resiliência são as partes mais importantes. Estudar de onde você veio, o que você está fazendo e gostar do que você está fazendo é a parte principal também.”

Com informações da jornalista Beatriz Rabello, do Acorda Cidade

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