
O partido Democracia Cristã (DC) vive um grande impasse sobre quem deve representar a legenda na disputa pelo Governo da Bahia nas eleições deste ano. Até o momento, duas chapas foram registradas no sistema de candidaturas da Justiça Eleitoral: uma encabeçada por Ariel Capistrano e outra por Estevão.
De acordo com a legislação brasileira, a eleição para governador é disputada pelo sistema majoritário, modelo eleitoral em que vence o candidato, ou a chapa, que obtiver a maioria dos votos válidos. Cada partido ou coligação só tem direito a lançar uma única chapa, composta por um candidato a governador e um candidato a vice-governador.
Sabendo da regra, o Acorda Cidade foi tentar entender o que estaria acontecendo com o partido que eternizou o jingle de Eymael. Segundo Ariel Capistrano, que, além de ser um dos candidatos, afirma ocupar a presidência estadual do partido por força de uma liminar, a questão é fruto de uma quebra de braço interna e um vai e vem na justiça.
Entenda a ‘ingrísilha’
Na tarde desta sexta-feira (7), em entrevista ao Acorda Cidade, Ariel afirmou que assumiu a presidência do DC após a saída de Marcelinho Guimarães, que deixou a legenda. Segundo ele, posteriormente houve uma divergência com a direção nacional do partido, que teria destituído a comissão provisória estadual e nomeado Estevão para o comando da legenda na Bahia.

“Após três meses, o presidente nacional, por eu discordar de algumas coisas aqui, destituiu a minha comissão indevidamente, indo de encontro ao estatuto partidário, sem dar direito de ampla defesa, e nomeou outro, o senhor Estevão”, explicou Ariel.
De acordo com Capistrano, a direção nacional posteriormente destituiu Estevão e o reconduziu à cadeira de presidente estadual do partido. Antes disso, porém, Ariel já havia recorrido à Justiça para garantir sua permanência no comando da legenda.
“Antes de nos devolver, eu já tinha entrado com um pedido de liminar para garantir o meu direito, que estão os atos fundamentados no estatuto do partido Democracia Cristã. E eu ganhei na Justiça Cível”, declarou o candidato ao Acorda Cidade.
Porém, o dirigente afirma que, posteriormente, neste meio-tempo, Estevão também conseguiu uma liminar, desta vez na Justiça Eleitoral, para garantir a própria permanência na presidência do DC na Bahia.
Com isso, segundo Ariel, as duas decisões passaram a produzir efeitos e permitiram que os dois grupos, o liderado por ele e o outro por Estevão, realizassem convenções partidárias e apresentassem suas respectivas candidaturas.
Deu nó na cabeça?
O resultado desse vai e vem na Justiça é que, efetivamente, qualquer eleitor que consultar o painel do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai poder constatar que, diferentemente do que diz a lei, o DC tem duas chapas “ativas” para disputar o cargo de governador da Bahia, por enquanto.
Ariel contou durante a entrevista ao Acorda Cidade que realizou a convenção do DC no dia 1º de agosto, enquanto Estevão realizou outra no dia seguinte. Segundo ele, a convenção de sua ala teria sido publicada anteriormente e contou com um número maior de candidatos. O critério de antiguidade pode ser um fator decisivo para a justiça validar uma chapa.

O dirigente afirmou também que a definição sobre a validade das candidaturas depende agora da Justiça Eleitoral. Segundo ele, o processo relacionado às duas liminares permanece em tramitação na Bahia.
“O TSE entendeu que deveria devolver o processo aqui para a Justiça Eleitoral. Essa decisão deverá definir não apenas quem será o candidato ao governo, mas também a validade da convenção realizada por cada grupo”, explicou o político.

Até que o judiciário analise as questões apresentadas pelas partes, permanece o impasse sobre qual grupo do DC terá a candidatura reconhecida para disputar as eleições do Governo da Bahia. Por enquanto, permanecem as chapas Ariel Capistrano (governador) e Zé Augusto (vice); e Estevão (governador) e Neuzimar Camacam (vice), ativas e “candidatas”.
Alfinetada em Colbert
Durante a entrevista, Ariel também foi questionado sobre a passagem relâmpago do ex-prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins, pela legenda. O político chegou a anunciar que estaria no comando do DC na Bahia e posteriormente deixou a legenda para se filiar ao PSDB.

“Não aconteceu nenhuma ruptura. Eu acho que o que aconteceu, na verdade, é que Colbert estava no DC, não como líder, mas sim como liderado de Bruno Reis e de ACM Neto, fruto de acórdão que foi feito entre o presidente nacional para favorecer eles”, finalizou Ariel.
🚨A reportagem do Acorda Cidade não conseguiu estabelecer contato com o candidato Estevão.
Com informações do jornalista Jefferson Araujo, do Acorda Cidade
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