
A telemedicina foi apresentada como uma alternativa para ampliar o acesso aos serviços de saúde para produtores rurais e trabalhadores do campo durante uma entrevista ao programa Acorda Cidade com representantes do setor agropecuário da Bahia.
Ao longo da edição do programa da última segunda-feira (10), Humberto Miranda, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), ao lado de Beto Falcão, presidente da Cooperfeira, falou sobre os desafios para o setor no estado, dando ênfase à falta de mão de obra.
Ao falar sobre as demandas do campo, Humberto ressaltou que a dificuldade de acesso a serviços básicos de saúde é um dos componentes que atrapalham tanto a chegada de novos trabalhadores para o segmento produtivo quanto a permanência dos que já estão.
O presidente da Faeb explicou que a telemedicina é uma alternativa vantajosa e que a instituição, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), já atende mais de 10 mil baianos que vivem na zona rural através do modelo, investindo em conectividade.

“Não dá para um cara na zona rural de uma cidade do interior, como Miguel Calmon, dentro do mato, a cerca de 60 km da sede da cidade, sair de lá para marcar uma consulta. Enquanto ele pode com celular e com conectividade, marcar de lá mesmo, ser atendido às 9h por um médico no posto de saúde, fazer uma triagem e, se ele precisar de um atendimento específico, ir à cidade”, explicou Humberto.
Olho no olho
A declaração do presidente da Faeb ocorreu após uma pergunta do jornalista Marcílio Costa sobre uma reunião realizada na semana anterior entre entidades representativas das classes produtoras e candidatos ao governo da Bahia nas eleições deste ano.
De acordo com Humberto, as propostas apresentadas no encontro trataram de demandas consideradas transversais para o setor agropecuário do estado e são consideradas temas de alta relevância.
“Nós tratamos objetivamente dos principais gargalos que envolvem todo o agronegócio baiano, independente especificamente das cidades. Mas o fechamento disso tudo é que nós cobramos uma mesa de representação com o próximo governador, seja ele quem for, para pelo menos a cada três meses a gente reunir o setor empresarial baiano com ele”, afirmou.

A telemedicina
Entre as propostas apresentadas, Humberto destacou justamente a necessidade de ampliar o uso da telemedicina, modelo que engloba consultas virtuais (teleconsultas) para atender moradores de áreas rurais distantes dos centros urbanos.
O presidente reforçou que o programa já atende muitos pequenos produtores rurais na Bahia, inclusive, com a possibilidade de fazer consultas com profissionais do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, uma das referências do segmento em saúde no Brasil.
“São 10 mil pequenos produtores atendidos pela federação. Se eles tiverem, por exemplo, uma necessidade de um cardiologista, eles vão marcar. Nós temos o agente comunitário de saúde rural que vai todos os meses no local onde mora essa família, acompanha o caso e, se tiver necessidade, marcamos uma consulta”, disse o presidente.
“Depois esse agente chega e diz: amanhã, 10h, o médico cardiologista vai estar lá em São Paulo te esperando. Ele faz a ligação daqui por teleconferência, passa todo o problema. Se precisar de um exame, o medico pede, se precisar de medicamento, o médico passa, de lá mesmo. Isso está mostrando que a telemedicina é um agente de promoção da igualdade”, exemplificou Humberto.
Além da saúde, o gestor disse que o documento entregue aos candidatos reuniu outras demandas do agronegócio baiano, como assistência técnica, reestruturação da Secretaria de Agricultura do Estado e questões relacionadas ao licenciamento ambiental.

Durante a entrevista, Beto Falcão também defendeu o uso da tecnologia e dos meios de comunicação para facilitar o atendimento às necessidades da população rural. Por fim, Humberto reforçou que o setor agropecuário precisa ampliar sua organização para cobrar políticas públicas e manter um diálogo permanente com o poder público.
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