13 de August de 2026
Família de jovem morto por engano em Feira de Santana pede justiça; julgamento começa nesta quinta (13)
Foto: Kaio Vinícius/Acorda Cidade

O julgamento dos réus acusados da morte do jovem Kauan Gomes Araújo de Souza, de 20 anos, que foi baleado por engano enquanto seguia para uma academia, foi suspenso. O Júri estava marcado para acontecer nesta quinta-feira (13), no Fórum Filinto Bastos, após quase dois anos do assassinato.

A suspensão ocorreu após o advogado de defesa de um dos réus entrar com um pedido, junto ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), de desaforamento, que é quando uma das partes solicita a transferência do julgamento do Tribunal do Júri de uma comarca para outra da mesma região.

Neste caso, a alegação da defesa é que o crime causou grande comoção na cidade de Feira de Santana. No entanto, como o pedido ainda não foi julgado pelo TJBA, algo que está marcado para o dia 20 de agosto, o Tribunal do Júri do caso Kauan foi suspenso.

Família de jovem morto por engano em Feira de Santana pede justiça; julgamento começa nesta quinta (13)
Kauan Gomes | Foto: Arquivo Pessoal

Espera aumento sofrimento, diz família

Muito abalada, a mãe do jovem, Samile Silva Gomes, disse esperar pelo indeferimento do pedido.

“Não tem cabimento, o crime foi cometido aqui. Meu filho é vítima, meu filho está no cemitério, enterrado. Ele não volta para me abraçar, me beijar, ele não volta para dizer que me ama. Então, eu espero, entendo a posição da juíza, respeito, mas a única coisa que eu peço é que tudo isso se encerre, porque a gente precisa ter esse ciclo encerrado também na vida da gente.”

Gomes Araújo de Souza e a mãe Samile
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal | Kauan ao lado da mãe, Samile, na academia de crossfit

A tia do jovem, Carine, contou que a família vivencia momentos terríveis e anseia para que o processo tenha um ponto final.

“Kauan não era bandido, era um jovem de 20 anos que vivia no seio da família dele. Ele era guardado, protegido e amado. Nunca levantou a mão sequer para um amigo, quanto mais para alguém para fazer tal delito, mas nós aguardamos a justiça, clamamos que isso ainda seja feito nesse ano, nós precisamos dar um ponto final nisso, há muito sofrimento para nós”, clamou a familiar.

Ela acrescentou que toda essa expectativa aumenta o sofrimento da família, sobretudo os parentes mais idosos.

“Nós aguardamos e convocamos o povo de Feira de Santana também, que tome a nossa dor, porque poderia ser cada um de nós que está aqui agora. Todos nós somos pais, somos mães ou temos um parente, nós fazemos esse clamor que a justiça seja feita. Agora é esperar até o dia 20 de agosto, onde o TJ Bahia vai julgar o pedido de desaforamento.”

Advogado espera imparcialidade do júri

O advogado de defesa Joary Wagner, que entrou com o pedido de desaforamento do julgamento, reiterou que a solicitação ao TJBA busca dar aos réus uma pena justa.

“Na verdade, como o fato, ele acontece ali em 2024 e de lá para cá todos nós sabemos que isso foi motivo de grande repercussão, chocou realmente a cidade de Feira de Santana e região. O pedido de desaforamento é justamente para que os acusados sejam julgados com imparcialidade, porque qualquer cidadão que senta no banco dos réus vai querer ter juízes imparciais para poder julgar”, justificou.

Na avaliação dele, a imparcialidade do Tribunal do Júri pode estar “contaminada.”

“Na atmosfera que está Feira de Santana, inclusive, como foi visto aqui no salão do Tribunal do Júri hoje, percebe-se que essa imparcialidade ela está, digamos, contaminada. Então o pedido da defesa é justamente para que desloque a competência, que saia de Feira de Santana, que o Tribunal de Justiça escolha qualquer outra cidade, para que os acusados tenham um julgamento justo. É o que nós queremos.”

O advogado de defesa Luciano Cruz, que atua na defesa do outro réu acusado no processo, enfatizou que a decisão de Joary foi certa.

“Realmente existe uma comoção muito forte aqui em Feira de Santana e com todo o respeito à família da vítima, que realmente nós prestamos nossos profundos sentimentos, mas essa comoção pode gerar uma parcialidade no julgamento.”

Promotores consideram pedido descabido

Em entrevista ao Portal Acorda Cidade, o Promotor de Justiça Antônio Luciano informou que vinha acompanhamento o pedido e lamentou a decisão do tribunal.

“É absolutamente descabido esse pedido de deslocamento do julgamento de Feira de Santana para outro local. O tribunal não julgou a tempo e cabe à juíza decidir. Nós respeitamos uma decisão de adiamento e nos preparamos para o próximo julgamento que se espera seja com a maior brevidade possível.”

A promotora de Justiça Marina Miranda salientou que recebeu a notícia da suspensão com frustração.

“O trabalho está todo pronto, é uma investigação excelente do Ministério Público. Esse processo teve uma celeridade incrível. O fato aconteceu em dezembro de 2014 e já ia ser julgado hoje. Eu só tenho a lamentar, infelizmente, e me solidarizar com a família da vítima.”

Segundo Marina Miranda, a suposição de que a comunidade feirense se abalou diante da repercussão do caso não é fundamento suficiente para desaforar um processo. “Uma morte como aconteceu a de kauan chocaria todos os seres humanos de qualquer lugar, independente da cidade onde vai ser esse julgamento.”

As informações são do repórter Aldo Matos do programa Nas Ruas e na Polícia.

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