13 de August de 2026
Após José Ronaldo chamar regulação de 'fila da morte', secretária diz que saúde de Feira de Santana 'seria o pior serviço do Brasil'
Roberta Santana | Foto: Divulgação/Sesab

A secretária da Saúde do Estado, Roberta Santana, revelou nesta quinta-feira (13), em entrevista à Baiana FM, que o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, foi oficiado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) após divulgar, sem apresentar qualquer fonte, a informação de que 700 pessoas teriam morrido enquanto aguardavam regulação no município.

O número não encontra respaldo em nenhum sistema oficial de saúde. Roberta desafiou publicamente o prefeito a apresentar os dados e afirmou que não aceitará o uso de números falsos para fazer política com a saúde da população.

“Eu estou desafiando o prefeito: apresente os dados. Tenha responsabilidade. A gente está falando de dados oficiais, os dados oficiais não confirmam esse dado. Tenha responsabilidade com os dados, você é um gestor público. Eu o respeito como prefeito e exijo o mesmo respeito com a saúde pública do nosso estado”, afirmou Roberta.

No ofício, a Sesab exige a apresentação da fonte, da metodologia e dos documentos utilizados para chegar ao número divulgado pelo prefeito. Para a secretária, críticas à regulação podem ser discutidas e até contribuir para o aprimoramento da assistência. O que não cabe, segundo ela, é fabricar estatística de mortes para atacar o Estado.

“Eu não tenho problema de receber crítica da regulação. O que for construtivo, a gente vai sentar e trabalhar para melhorar. Agora, o que eu não aceito é discurso esvaziado e usar número para fazer política”, afirmou Roberta.

Mais de 20 anos de gestão e nenhum hospital municipal

A secretária também expôs o histórico do prefeito na saúde. Apesar de duas décadas à frente da Prefeitura de Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia segue sem um hospital municipal. José Ronaldo anuncia que vai dar ordem de serviço para a construção de uma unidade, mas a obra nunca saiu do papel. O resultado é que 100% das internações reguladas no município recaem sobre a rede estadual.

“Um ano e meio não, a vida toda da gestão dele, 20 anos governando e nunca fez um hospital. 17 mil pessoas foram reguladas em 2025 em Feira de Santana, 100% para os hospitais estaduais, porque Feira de Santana não tem um hospital para internar um paciente”, afirmou a secretária estadual.

Roberta encerrou apontando a diferença entre quem critica e quem entrega. “Quando o governador recebeu um projeto para construir um hospital oncológico, em três meses assinamos o convênio e a obra está acontecendo”, afirmou. Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues constrói, disse a secretária, o prefeito de Feira de Santana busca manchete com número que não consegue comprovar.

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