15 de August de 2026
Comércio de Feira de Santana
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Após o período das festas juninas, o comércio de Feira de Santana vem registrando queda nas vendas e fraco movimento. Segundo comerciantes locais, o Dia dos Pais trouxe um leve alívio, mas o desempenho geral do mês de agosto continua preocupando o setor.

Em entrevista ao portal Acorda Cidade, o gerente de uma grande loja de confecções, Valdir Pereira, informou que o estabelecimento onde trabalha está na mesma situação. Além disso, ele atribuiu a queda às vendas online. 

“Eu acredito que, depois das festas juninas, o pessoal gastou muito e tem que pagar as contas. Veio o Dia dos Pais, deu uma aquecidinha, mas o comércio realmente está meio devagar. Eu acredito também que sejam as vendas online, que tiraram uma fatia do comércio.”

De acordo com Valdir, as vendas online ou e-commerce tem se adequado cada vez mais, com entregas mais rápidas e preços mais baixos. Com isso, as vendas presenciais acabam se tornando uma segunda opção dos consumidores. 

Valdir Pereira
Valdir Pereira | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

“O movimento está devagar o dia todo. Vai tipo um pinga-pinga. A gente vai aproveitando os clientes que entram na loja e vendendo alguma coisa.”

Apesar da melhora durante as festas juninas, o gerente afirmou que as vendas não atingiram as expectativas, o que chegou a reduzir o número de funcionários na loja. 

“Esse ano as festas juninas não foram o esperado e, consequentemente, quando passam as festas juninas, a gente diminui o quadro de funcionários. Para você ter uma ideia, eu trabalhei no mês de junho com 20 funcionários. Agora nos meses subsequente a junho, eu estou com cinco vendedores.”

Sicomércio

O presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana (Sicomércio), Marco Silva, ressaltou a força do comércio do município. No entanto, ele aponta que existem fatores que afetam as vendas. Entre eles, o presidente citou: 

  • Alta taxa de juros;
  • Alto índice de endividamento, muitas vezes provocados por apostas online;
  • Aumento do preço dos combustíveis;
  • “Taxa das blusinhas”.

Esses fatores unidos, que ele chamou de “combo perverso”, provocam essa queda nas vendas registradas nas lojas de Feira de Santana.

Marco Silva, presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana - Sicomércio
Marco Silva, presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana – Sicomércio | Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Nós temos um combo perverso. A alta taxa de juros, que dificulta a vida das famílias e das empresas, e também temos um alto grau de endividamento. As famílias foram incentivadas a pegar financiamento de todo tipo e veio essa taxa de juros que hoje está em 14%. Tem o aumento dos impostos, a gente teve, nos últimos dois anos, um aumento de imposto a cada 30 dias. Além disso, tem o preço do combustível que hoje está impactando também as pessoas que precisam trabalhar.”

Sobre as apostas online, conhecidas como bets, Marco disse ao Acorda Cidade que, apesar de serem regulares, muitas famílias acabam se iludindo e se endividando. Porém, o principal ponto apresentado pelo presidente foi a chamada “taxa das blusinhas”, que isenta os impostos de importação dos produtos que custem até 50 dólares. 

Não é justo o empresário, que gera emprego, paga aluguel, IPTU, encargos sociais, e concorrer com grandes corporações, não são pequenas corporações, são gigantes mundiais que trazem produtos de fora do Brasil com isenção de impostos, não geram emprego, trabalham só com terceirizados e entregam domingo, sábado, feriado. Então, esse combo de ações está prejudicando. A gente vinha numa recuperação quando o Governo Federal retirou a chamada ‘taxa das blusinhas’, mês a mês os importados estão batendo recorde.”

Dificuldades em Feira de Santana

Apesar de salientar a competência dos empresários de Feira de Santana, que ele afirma ter um comércio “altamente competitivo” e “altamente bem-sucedido”, Marco apontou um “grande desincentivo à atividade empresarial e produtiva no Brasil”. Segundo ele, esse fator, atrelado ao alto endividamento da população, cria essas dificuldades no comércio. 

No primeiro semestre, Feira de Santana teve uma quantidade de empregos no comércio negativa. Na cidade foi positivo, ou seja, a cidade está fazendo o seu trabalho. Mas o comércio não. O comércio perdeu 232 empregos durante o semestre. Para o comércio é muito, porque era para estar contratando no primeiro semestre, porque a gente fecha com o São João. E foi esse resultado negativo, então agora a gente fica cada vez mais dependendo de datas de venda. Tivemos o Dia dos Pais, agora a gente fica ansioso esperando o Dia das Crianças, depois Black Friday e Natal.”

Comércio de Feira de Santana
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

Questionado sobre a possibilidade de fechamento de lojas ou de demissões de funcionários, Marco relatou que é algo que já acontece, o que reforça a necessidade de planejamentos melhores, com projetos a longo prazo. 

A reforma tributária, por exemplo, cada dia sai uma medida nova, cada dia se revoga uma medida. A questão do imposto mesmo das taxas das blusinhas, retiram um dia, depois coloca de novo, agora retiraram já falam que depois das eleições volta esse imposto. Ou seja, a gente precisa realmente ter projetos de longo prazo.”

Mesmo com os índices e quedas, o comércio tem expectativas de que datas como Dia das Crianças e Natal melhorem as vendas, principalmente pelo pagamento do 13º salário. Mas ele conta que esperar datas comemorativas não deveria ser uma realidade de Feira de Santana, que é uma referência no comércio.

Comércio de Feira de Santana
Foto: Ney Silva/ Acorda Cidade

A expectativa é de melhora, que a gente vire essa página, principalmente porque no segundo semestre, a gente tem o Natal que tem o 13º, então é uma injeção de recursos muito grande. Mas a gente hoje vive esse problema do comércio ficar dependendo só dessas datas, não pode ser. Feira de Santana é uma locomotiva, é uma referência regional. Então, a gente tem que ter no dia a dia, mês a mês, esse movimento. E a gente precisa que essas coisas sejam ajustadas.”

Esses problemas variam a cada setor. No entanto, o presidente destacou que, com o Dia dos Pais, por exemplo, os setores de produtos masculinos registram um aumento nas vendas. Enquanto a isenção de impostos de importação para os produtos de até 50 dólares afeta a venda presencial da chamada linha branca, que se refere a uma categoria de eletrodomésticos.

Tem alguns setores que são mais prejudicados e outros menos. No Dia dos Pais, os setores de produtos masculinos tiveram um respiro. Mas agora a gente teve um forte impacto, principalmente em produtos de até 50 dólares, que dá aproximadamente R$ 250. Então, esses produtos até esse preço, de todos os segmentos, estão muito afetados. E aí você vem para aqueles produtos mais caros, linha branca, como geladeira, fogão, freezer, que estão impactados pelo endividamento das famílias.”

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.

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