15 de August de 2026
Cigarro
Foto: Magnific

Tosse seca e persistente ou tosse com sangue, rouquidão, perda de apetite e dificuldade para respirar ou sensação de falta de ar podem ser sintomas de câncer de pulmão e devem ser investigados. O Agosto Branco é o mês dedicado à conscientização sobre a doença, que tem o tabagismo como principal fator de risco.

De acordo com estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 35.380 novos casos desse tipo de tumor que afeta pulmão, brônquio e traqueia, sendo 1.590 diagnósticos previstos na Bahia.

O tumor, considerado o mais letal, é o terceiro mais frequente em homens (atrás de próstata e colorretal) e o quarto em mulheres (atrás de mama, colo do útero e colorretal) sem considerar o câncer de pele não melanoma.

Para a oncologista Clarissa Mathias, referência mundial em câncer de pulmão e líder do Cancer Center Hospital Santa Izabel Oncoclínicas, há dois desafios no combate à doença: “Primeiro,  conscientizar a população sobre os riscos do tabagismo para a saúde e sobre a importância de nunca fumar o primeiro cigarro; também é essencial conscientizar as pessoas do grupo de alto risco para a doença, mesmo sem sintomas, sobre a necessidade do rastreamento para diagnóstico precoce”.

O grupo de risco inclui fumantes ativos e passivos e ex-fumantes com idade acima de 50 anos. Com o exame de Tomografia Computadorizada de Baixas Doses (TCBD) é possível detectar lesões iniciais no pulmão, quando a chance de cura pode ser superior a 90%. Trata-se de um exame rápido, não invasivo e com baixa radiação. No caso dos ex-fumantes, o exame é indicado para quem deixou de fumar há menos de 15 anos.

“Com o rastreamento é possível diminuir a mortalidade pela doença”, ressalta Clarissa Mathias.

“A ideia do rastreamento em indivíduos assintomáticos é justamente detectar tumores em fases muito iniciais, quando eles não apresentam nenhum sintoma e o tratamento pode ser menos invasivo e com maior chance de cura”,  esclarece a oncologista Larissa Moura, da Oncoclínicas.

“O diagnóstico do tumor em fase inicial permite que ele tenha 90% de chance de cura”, reforça a oncologista Carolina Rocha Silva, da Oncoclínicas.

Pulmão
Foto: Magnific

Sintomas não devem ser negligenciados

Grande parte dos diagnósticos do câncer de pulmão são feitos tardiamente porque muitas pessoas confundem os sintomas com problemas respiratórios e acabam negligenciando sua própria condição de saúde.

Sintomas como tosse seca e persistente ou tosse com sangue, rouquidão prolongada, perda de apetite e dificuldade para respirar ou sensação de falta de ar devem ser investigados. Além de possibilitar um tratamento menos invasivo e com menos efeitos colaterais, a detecção precoce da doença aumenta a chance de cura e a sobrevida do paciente.

“Quando um fumante ou ex-fumante apresenta um sintoma, como tosse persistente ou rouquidão, não significa que ele tem um câncer de pulmão, mas ele precisa buscar ajuda médica para investigar”, esclarece o oncologista Filipe Visani, da Oncoclínicas.

Avanços na oncologia

Apesar dos inúmeros avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão nos últimos anos, o tumor ainda é considerado o mais letal no Brasil e no mundo, sendo responsável globalmente por cerca de 1,8 milhão de mortes anuais, de acordo com o Global Cancer Observatory, entidade vinculada à Organização Mundial de Saúde, e cerca de 30 mil mortes no Brasil, de acordo com o *Ministério da Saúde*.

Dentre os inúmeros avanços, o uso da Inteligência Artificial para dar mais precisão nos exames de rastreamento (imagem e biópsia), a genômica que permite identificar as alterações moleculares e indicar um tratamento com mais precisão e o arsenal de terapias que inclui radioterapia, cirurgia robótica e terapias de alta precisão, como a imunoterapia, a terapia-alvo e os anticorpos conjugados.

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