
É oficial, a campanha eleitoral já começou e o embate político entre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (União Brasil), e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), tem acontecido principalmente no campo da saúde. E o tom do debate tem girado em torno da fila de regulação, que é gerida pelo estado.
De um lado, José Ronaldo tem feito comentários duros sobre o modelo. O prefeito chegou a afirmar que 700 pacientes morreram em Feira de Santana à espera de leito na fila de regulação ao longo de 2025, além de ter chamado a plataforma de “fila da morte”. Do outro, Jerônimo tem questionado a atuação do município na atenção primária à saúde.
Jogando água
Apesar da fervura, tem gente que pede calma. Na manhã desta segunda-feira (17), a secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, foi entrevistada ao longo do programa Acorda Cidade e comentou as divergências entre os gestores. A chefe da pasta da Saúde apresentou dados que contestam a suposta ineficácia do estado e pediu cautela.
“O governador e nós do estado temos nos colocado à disposição para qualquer município, independentemente de questão partidária. Nesse caso, não dá para pensar em política. Do outro lado, temos que lembrar que, na saúde, além do partido, tem um paciente aguardando o atendimento”, disse a secretária.

Roberta também questionou a atuação do município na chamada gestão plena. Segundo ela, apesar de estar há mais de 20 anos nesse modelo, o grupo liderado por Ronaldo não teria construído um leito de UTI e ainda não dispõe de um hospital municipal (geral) em funcionamento.
“As divergências políticas entre o prefeito e o governo nunca empataram a população e nem vão. Essa não é a nossa forma de governar. Eu continuo de forma respeitosa, aberta, à disposição para tratar, como já convidei o prefeito quando ele falou do tempo de atendimento do Clériston Andrade, com qualquer um. Eu jamais colocaria a política acima da saúde, no dia que eu tiver que fazer isso, eu saio desse lugar”, afirmou Roberta.
Dando uma moral
A secretária também afirmou que considera positiva a construção do Hospital Municipal de Feira de Santana. Segundo ela, o município está avançando na implantação da unidade e o Estado deve ter suas ações reconhecidas pelo gestor municipal.
“Eles não têm um hospital, então não podem reconhecer o que foi feito por nós? Não tem problema dizer. Se você me perguntar, você está feliz que vai construir um hospital municipal?’ Claro que eu estou feliz. Nós temos a humildade de reconhecer. O que eu espero minimamente do prefeito é que ele também reconheça o que o estado faz”, afirmou Roberta.

/ Redes Sociais
Segundo a secretária, foram registrados 10.760 pedidos de regulação somente no primeiro semestre deste ano em Feira de Santana. Outro dado que chama atenção e que foi divulgado pela secretaria durante a entrevista é que, diariamente, entre 1 mil e 1.200 pacientes dão “entrada na fila” de regulação.
“Boa sorte!”
Por fim, sobre a origem das críticas, o que resultou no acirramento político entre o prefeito e o governo, Roberta explicou que José Ronaldo poderia estar falando do passado e pregou novamente cautela e serenidade nas eleições.
“Eu acho que ele ainda está com a concepção de um Clériston antigo. Ele precisa ir lá conhecer o novo Clériston e saber o que está sendo feito. Mas eu desejo também que seja uma campanha limpa, transparente, com seriedade de debate, de projeto, e que a gente limite a isso para que a população possa ter o direito de escolher o melhor projeto”, afirmou.
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