17 de August de 2026
O corpo também denuncia: sinais silenciosos podem revelar violência contra a mulher
Foto: Magnific

Nem sempre a violência contra a mulher deixa marcas visíveis. Muitas vezes, ela se revela por sinais silenciosos que se acumulam no cotidiano: noites sem dormir, crises de ansiedade, dores frequentes sem causa aparente, alterações bruscas de peso e um sofrimento emocional que se torna cada vez mais difícil de esconder. Em meio à campanha Agosto Lilás, que reforça a conscientização e o enfrentamento da violência contra a mulher, especialistas alertam que reconhecer esses sinais pode ser decisivo para interromper ciclos de agressão e salvar vidas.

Embora o debate público sobre violência de gênero frequentemente esteja associado às agressões físicas, profissionais da saúde destacam que os impactos costumam surgir muito antes de uma lesão visível. A violência psicológica, moral, sexual e patrimonial pode comprometer profundamente a saúde física e mental das vítimas, levando a consequências que afetam desde a qualidade de vida até a capacidade de manter relações sociais e profissionais.

Segundo a professora de Saúde da Mulher do curso de Enfermagem da Estácio, Carla Cardi, alguns sinais podem indicar que uma mulher está vivendo uma situação de violência, mesmo quando ela ainda não consegue identificar ou relatar o problema. “Problemas para dormir, insônia, ansiedade, depressão, perda ou ganho repentino de peso, síndrome do pânico e dificuldades relacionadas à saúde sexual e reprodutiva podem ser indícios importantes. Também observamos mulheres que procuram os serviços de saúde com frequência, apresentam diversas queixas, como dores de cabeça e problemas gastrointestinais, mas sem um diagnóstico que explique todos esses sintomas”, explica.

A especialista destaca que infecções ginecológicas recorrentes, queixas repetidas relacionadas à saúde íntima e até mesmo uma gravidez não planejada podem exigir uma investigação mais ampla por parte dos profissionais de saúde. Nesses casos, o acolhimento humanizado é fundamental para identificar possíveis situações de vulnerabilidade e violência.

Quando a agressão ocorre, especialmente nos casos de violência física ou sexual, a orientação é buscar atendimento o mais rápido possível. O acesso imediato aos serviços de saúde permite que a vítima receba cuidados médicos adequados, realize exames, tenha acesso a medicamentos preventivos e seja orientada sobre seus direitos e possibilidades de proteção. “Mesmo que a mulher não queira denunciar naquele momento, ela deve procurar o serviço de saúde. Lá ela encontrará acolhimento, cuidado e orientações importantes para sua proteção. O atendimento é fundamental para tratar possíveis consequências físicas e emocionais e também para ajudá-la a romper o ciclo da violência”, afirma Carla Cardi.

Além do cuidado individual, a procura pelos serviços de saúde tem um papel estratégico no enfrentamento do problema. Os registros realizados pelas equipes de saúde ajudam a dimensionar a violência contra a mulher, permitindo que o poder público desenvolva políticas, programas e ações mais eficazes de prevenção e proteção.

A professora ressalta que o acompanhamento oferecido pelos profissionais vai além do atendimento emergencial. “A mulher será acompanhada por uma equipe preparada para avaliar os impactos da violência na saúde física e mental. Esse olhar integral é essencial para reduzir riscos futuros e evitar que situações de agressão evoluam para desfechos ainda mais graves, como o feminicídio.”

Durante o Agosto Lilás, a principal mensagem dos especialistas é que nenhuma forma de violência deve ser naturalizada. Reconhecer os sinais, buscar ajuda e acessar os serviços de saúde são passos fundamentais para interromper o ciclo das agressões. Quanto mais cedo a vítima recebe acolhimento e proteção, maiores são as chances de preservar sua saúde, sua autonomia e sua própria vida.

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