18 de August de 2026
Hospital Geral Clériston Andrade_ foto ascom
Foto: Ascom/HGCA

Feira de Santana vai ganhar novos serviços de hemodinâmica e oncologia para agilizar o atendimento de pacientes que hoje enfrentam filas ou precisam viajar até Salvador. Em entrevista ao programa Acorda Cidade, a secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, confirmou que o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) terá um serviço de hemodinâmica em até oito meses para fazer cirurgias vasculares e angioplastias. 

Durante o programa, a gestora, que é natural de Feira de Santana, afirmou que a unidade está passando por obras para a implantação do angiógrafo, que é um equipamento usado em salas de hemodinâmica para visualizar artérias e veias em tempo real. 

O Clériston está em reforma para implantar um angiógrafo, que é o equipamento de angioplastia. Faz tanto o periférico como faz o cardio, o AVC. Já está em obra. Eu espero que dentro de, no máximo oito meses, a gente tenha o serviço de hemodinâmica funcionando no Clériston Andrade. Acho que o Clériston fica completo com o serviço, mas até lá, a gente tem contrato atualizado com o Hospital Dom Pedro, e hoje toda a parte de angioplastia de Feira de Santana e dessa região é feita lá, a partir da contratualização que nós fizemos em 2024, para garantir essa assistência.”

Roberta Santana falou sobre a construção de uma nova policlínica em Feira de Santana. A secretária disse que a Bahia conta com 27 policlínicas, que já realizaram mais de 600 mil atendimentos desde 2018, sendo 168 mil atendimentos só em Feira de Santana. Esse número reforça a importância dessas unidades, que oferecem vários serviços à população. 

Estamos construindo mais oito policlínicas, inclusive outra aqui em Feira de Santana, no Derba. É uma licitação feita pelo município, que foi captado o recurso junto ao Ministério da Saúde pelo município de Feira de Santana. Também cedemos o terreno para que pudesse ser construído, mas isso vai oportunizar mais consulta com especialistas, mais exame, ressonância, tomografia, tudo isso que é uma demanda reprimida hoje na rede.”

Roberta Santana, secretária estadual de Saúde
Roberta Santana, secretária estadual de Saúde | Foto: Kaio Souza/ Acorda Cidade

Tratamentos e diagnóstico de câncer

Além disso, a gestora destacou o avanço das obras do Hospital Baiano de Oncologia (HBO) em Feira de Santana, e a chegada do primeiro PET Scan, ou PET-CT, 100% via Sistema Único de Saúde (SUS) na Bahia. O equipamento já está em fase de testes no Centro Estadual de Oncologia (Cican), em Salvador, que, segundo a secretária, já atendeu 19 mil pessoas neste ano de 2026.

Já chegou o equipamento. Só pra você ter ideia, só tem seis equipamentos na Bahia, na rede privada. Mas agora a gente tem o equipamento 100% SUS. Tem outros avanços também no Cican, a gente está implantando a ressonância, ampliando o leito de quimioterapia e o ambulatório. Muitas vezes a gente tem uma sobrecarga de pessoas aguardando para o ambulatório do Cican e estamos ampliando, colocando endoscopia e colonoscopia. É uma expansão grande desse centro de referência, que atendeu já esse ano 19 mil pessoas.”

O Cican fica próximo do Hospital Geral do Estado (HGE). Na unidade, os pacientes podem realizar mamografia, quimioterapia, radioterapia e atendimentos ambulatoriais. Roberta disse que os casos cirúrgicos são encaminhados para o Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).

Governo da Bahia investe R$ 56 milhões em ampliação do Centro Estadual de Oncologia
Foto: Feijão Almeida/ GOVBA

Ainda sobre o equipamento PET Scan, a secretária explicou que o aparelho tem capacidade de realizar até 210 exames por mês, e funciona como um raio X para o diagnóstico e acompanhamento dos casos de câncer. Com isso, ela ressaltou a importância desse exame no tratamento dos pacientes. 

De acordo com a secretária, o aparelho já está no local e a expectativa é que comece a funcionar em até 30 dias, prazo necessário para a fase de testes e para a liberação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

A gente evoluiu muito também. Em três anos, nós entregamos quatro equipamentos de radioterapia, equipamento de acelerador linear, que é assim chamado. Barreiras não tinha um equipamento de acelerador linear, não tinha em Teixeira de Freitas e não tinha em Juazeiro. Então, é você dar oportunidade para que a pessoa faça seu tratamento cada vez mais perto de casa.”

Feira terá um PET Scan?

Questionada sobre a implementação de um PET Scan em Feira de Santana, a secretária negou que o aparelho esteja no projeto do HBO, mas acredita que tenha sim espaço para o equipamento na unidade. Ela também lembrou que essa é a primeira etapa do hospital, o que reforça a possibilidade de um PET Scan ser incluído no HBO.

Esse hospital oncológico já está em obra. Um investimento de quase R$ 90 milhões, são 90 leitos. É o primeiro Hospital Baiano de Oncologia no interior do estado, em parceria com a Santa Casa, que já é uma Unacon de referência. Lá vamos ter ressonância, tomógrafo, são 20 leitos de UTI, e a gente está trabalhando firme. A gente tem expectativa de um ano, um ano e meio. E o PET Scan, eu vou olhar o projeto, não sei se a sala ficou prevista, mas nada impede que isso seja ampliado, porque também lembrando que é a primeira etapa desse hospital, ele ainda tem outra etapa com mais leitos de internamento.”

Apesar de um único aparelho não ser suficiente para atender todos os pacientes da Bahia, Roberta afirmou que o Governo do Estado tem a expectativa de expandir esse serviço. A secretária também citou o trabalho da Santa Casa de Ruy Barbosa, que conta com quimioterapia, cirurgia oncológica e consultas. 

“A nossa expectativa é que a gente faça a expansão para Juazeiro e Barreiras, mais duas máquinas, nas regiões norte e oeste da Bahia, para que a gente possa dar o tratamento completo e evite os deslocamentos, que é isso que a gente tem feito cada vez mais, levando a alta complexidade para o interior do estado da Bahia.”

PET Scan - PET CT
Foto: Reprodução/ Magnific

Escassez de profissionais pelo SUS

Outro ponto abordado pela secretária durante a entrevista ao Acorda Cidade foi a escassez de profissionais pelo SUS. De acordo com Roberta, muitas vezes a longa espera na fila de atendimento acontece pela pouca quantidade de médicos. 

“Às vezes você tem até estrutura, mas você não encontra o profissional. Acontece isso com hematologia, leucemia, que é uma demanda que a gente vê o paciente aguardando muito tempo. A gente poderia estar fazendo isso nas 26 Unacons, mas você não tem um médico especializado que faz isso, que é o hematologista.”

Além de hematologia, a gestora salientou a escassez na área de neurocirurgia. Segundo ela, o serviço foi implantado em Guanambi, mas o governo levou seis meses para conseguir um neurocirurgião, sendo uma equipe de fora do estado. 

O grande desafio do Sistema Único de Saúde e por isso o Ministério da Saúde saiu com o programa Agora Tem Especialista, é o acesso às especialidades. Então, acho que a gente evoluiu significativamente com os programas Mais Médicos, dando acesso ao médico da família. Mas quando você vai pra o médico da saúde da família, geralmente gera demanda, você precisa ir pra um cardiologista, um endocrinologista, um angiologista, um ortopedista.”

Roberta explica que, apesar da falta de profissionais, o Governo do Estado “tem evoluído significativamente” com editais de contratação no formato PJ (Pessoa Jurídica). Ela pontuou que é fundamental dar opções aos médicos, que hoje atuam na rede como estatutários (concursados), contratados pelo regime CLT ou como Pessoa Jurídica.

Além disso, a gestora destacou o incentivo financeiro adotado para atrair os especialistas: o Estado paga um valor adicional por cima da tabela SUS, garantindo valores diferenciados para os plantões e bonificação por produtividade em cirurgias de alta complexidade. 

Nós evoluímos significativamente. Hoje, a tabela que é apresentada pelo Estado é uma ampliação em cima da tabela SUS. O Estado, hoje, aporta um valor adicional para que a gente tenha valores de plantões diferenciados garantindo, inclusive, assistência nesses hospitais. Os médicos que fazem cirurgias mais complexas recebem uma remuneração diferenciada por produtividade, para incentivar também que os médicos naquele horário de plantão tenham incentivo de fazer as cirurgias. Eu acho que hoje a Bahia tem uma tabela diferenciada, a gente consegue sim oportunizar esses médicos.”

Alerta para o diabetes

Durante o programa, um ouvinte do Acorda Cidade chamou atenção para as pessoas com diabetes que passam por amputações. Diante da mensagem, a secretária fez um alerta aos pacientes, que devem se cuidar para evitar essas operações. 

A gente precisa evitar que aconteça a amputação. E começa com o controle da diabetes, acesso ao seu médico na Unidade Básica de Saúde, a garantia do medicamento. Começa também com os curativos que são feitos nas feridas que começam pequenas e evoluem sem o acompanhamento, para que a gente evite a necessidade da amputação. Então se você está com sua diabetes descontrolada, procure uma Unidade Básica de Saúde para garantir sua medicação e o acompanhamento.”

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