20 de August de 2026
Infecção urinária
Foto: Divulgação

A infecção do trato urinário (ITU) está entre as causas mais frequentes de infecção na população. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo (SBU-SP), o problema pode acometer cerca de 50% das mulheres com vida sexual ativa, entre 20 e 40 anos. Apesar de comum, o quadro exige atenção, já que, quando não tratado de forma adequada, pode evoluir e provocar complicações mais graves.

Segundo a SBU-SP, a demora no início do tratamento favorece a progressão da infecção e aumenta o risco de quadros como a pielonefrite, que ocorre quando as bactérias atingem os rins. Em situações mais severas, a infecção pode alcançar a corrente sanguínea e acometer outros órgãos, evoluindo para sepse, com risco de óbito.

As causas da infecção urinária variam, mas a maior parte dos casos tem origem bacteriana. Conforme a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a bactéria Escherichia coli é responsável por cerca de 70% a 85% das infecções adquiridas em comunidade, seguida por outros microrganismos, como Staphylococcus saprophyticus, espécies de Proteus, Klebsiella e Enterococcus faecalis.

Já nas infecções adquiridas em ambiente hospitalar, os agentes infecciosos tendem a ser mais diversificados, com predominância de enterobactérias, ainda que a E. coli também esteja entre as mais frequentes.

O diagnóstico, segundo a SBN, depende do tipo e da gravidade da infecção. Quando o quadro atinge apenas o trato urinário inferior, caracterizando a cistite, costumam ser solicitados exames como urina rotina; urocultura, considerada o exame definidor; e antibiograma. Esses testes permitem identificar a bactéria responsável e indicar o antibiótico adequado para o tratamento.

Já nos casos de pielonefrite, quando a infecção atinge os rins, além dos exames laboratoriais, podem ser necessários outros recursos diagnósticos, como hemocultura e exames de imagem, incluindo ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.

A SBN reforça que a avaliação clínica é responsável por fundamentar a hipótese diagnóstica, o que faz o urologista feminino solicitar diferentes exames antes de definir a condução do tratamento. Após a compreensão da origem e da gravidade do quadro, é possível estabelecer a alternativa mais adequada.

Ardência ao urinar e aumento da frequência são sinais comuns

De acordo com o urologista, diretor-presidente da SBU-SP e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Cristiano Mendes, os sintomas da infecção urinária podem variar de acordo com a região afetada.

Ele explica que nos quadros de cistites, forma mais frequente da condição, é comum a presença de dor na região inferior do abdômen, ardência ao urinar e aumento da frequência urinária ao longo do dia. Em alguns casos, pode haver dor nas costas, febre baixa e alterações na urina, como odor mais forte, aspecto turvo ou presença de sangue.

Quando a infecção atinge os rins, como na pielonefrite aguda, os sintomas tendem a ser mais intensos. O quadro pode incluir febre alta, calafrios e dor lombar, além dos sinais já observados na cistite. Em homens, embora menos frequente, a infecção pode se manifestar como prostatite, geralmente acompanhada por febre, calafrios e dificuldade para urinar.

Gestação aumenta o risco de complicações

Diversos fatores podem aumentar o risco de desenvolver infecção urinária. Entre eles, estão menopausa, hábitos inadequados de higiene íntima, presença de cálculos renais, histórico de procedimentos urológicos e uso recente de sonda vesical, conforme afirma a SBN.

A gestação também exige atenção. Segundo informações compartilhadas pela Rede D’Or São Luiz, cerca de 15% das gestantes apresentam, pelo menos, um episódio de infecção urinária durante a gravidez. Alterações hormonais, mudanças na imunidade e o aumento do útero contribuem para a proliferação de bactérias e facilitam a ascensão da infecção pelo trato urinário.

Por isso, prevenir e tratar infecções urinárias está entre as principais atuações do obstetra durante o pré-natal. O acompanhamento regular permite identificar alterações por meio de exames como a urocultura, realizada como rotina nesse período.

A rede hospitalar também destaca que, quando não tratada, a infecção urinária na gestação pode trazer riscos para a mãe e o bebê. Entre as complicações maternas está a pielonefrite, que pode evoluir para infecção generalizada. Já para o feto, há maior risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e outras intercorrências associadas à prematuridade.

Tratamento adequado evita evolução para quadros graves

O tratamento das infecções urinárias é baseado, na maioria dos casos, no uso de antibióticos, como afirma o urologista Cristiano Mendes. A escolha do medicamento e o tempo de uso variam conforme a bactéria identificada e a gravidade do quadro, sendo orientados pelos resultados dos exames laboratoriais.

Em situações menos comuns, relacionadas a infecções mais graves ou à presença de fatores agravantes, o tratamento pode incluir outras medidas, como o uso de sonda vesical, a retirada de cálculos no rim ou no ureter e a drenagem de abscessos.

Segundo o urologista, quando o tratamento é realizado corretamente, a maioria dos pacientes evolui bem, sem complicações futuras. No entanto, a demora para tratar pode prolongar os sintomas e aumentar o risco de progressão da infecção.

Em quadros mais graves, a infecção pode se espalhar pelo organismo, levando a uma bacteremia. Também há risco de desenvolver alterações crônicas, como inflamação persistente da bexiga e lesões permanentes nos rins em casos mais avançados.

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram.