21 de August de 2026
Testagem HIV/Aids
Foto: Secom da Prefeitura de Feira de Santana

De janeiro a julho de 2026, Feira de Santana registrou 201 casos novos de pessoas vivendo com HIV. No mesmo período de 2025, o número foi 258, enquanto que durante todo o ano de 2025, foram registrados 410 casos de infecções pelo vírus. 

Em entrevista ao Acorda Cidade, a coordenadora do programa Centro de Referência Municipal de IST (Infecção Sexualmente Transmissível), HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), Aids, Hepatites Virais (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) e HTLV (vírus linfotrópico de células T humanas) do município, Vanessa Sampaio, destacou que apesar de ter menos casos, o número não representa de fato uma redução, mas sim de estabilização. 

Com isso, Vanessa explicou que é necessário aguardar o segundo semestre de 2026, para realmente concluir se houve uma redução, estabilização ou aumento nos registros de infecções pelo HIV.

Houve uma redução? Houve, mas não é uma redução que a gente pode contar como significativa dos casos. Então, é um N ainda muito pequeno para que a gente diga que houve essa redução”, afirmou.

De acordo com ela, o Brasil tem registrado um aumento de casos, isso também representa que as pessoas têm procurado mais as unidades de saúde e realizado mais testagens. 

“As pessoas estão procurando mais o serviço e isso vem da ampliação das testagens. Quanto mais a gente testa, mais a gente vai conseguir captar pessoas que vivem com o vírus do HIV e não sabem. Porque muitas pessoas vivem com vírus normalmente, sem nenhum sinal ou sintoma e não sabem. Essa é a importância de conhecer seu status sorológico e sempre estar realizando o teste rápido de diagnóstico para HIV e ISTs.”

Principais formas de transmissão e prevenção

A coordenadora também disse que a via sexual é a principal forma de transmissão do HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), o que reforça a importância do uso do preservativo. Além disso, também destacou o compartilhamento de seringas e a transmissão vertical, que acontece quando a mãe é portadora do vírus e transmite para o bebê. 

Com isso, ela chamou atenção para a importância da realização do pré-natal, que inclui um teste de todas as sorologias para a identificação deste e de outros vírus.

Vanessa Sampaio
Vanessa Sampaio | Foto: Ed Santos/ Acorda Cidade

Tratamento em Feira de Santana

Segundo Vanessa, a equipe de Feira de Santana realiza um trabalho maciço de ampliação do diagnóstico, pois quanto antes o vírus for descoberto, melhor qualidade de vida é ofertada ao paciente. 

A coordenadora afirmou que todas as unidades de saúde e da família do município realizam os testes para ISTs e hepatites. O Centro de Referência Municipal IST, HIV, Aids, Hepatites Virais e HTLV está localizado na Rua Comandante Almiro, no bairro Serraria Brasil. 

Qualquer pessoa pode comparecer ao local para se testar ou tirar dúvidas. Atualmente, o Centro acompanha 4.669 pacientes que convivem com o HIV. 

Sobre como funciona o atendimento dos pacientes diagnosticados com o vírus, a coordenadora contou que as pessoas são atendidas no centro de testagem e o aconselhamento no Serviço de Assistência Especializada (SAE). 

“Existe uma equipe multiprofissional que faz esse atendimento. Médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos. É uma equipe bem preparada para que tenha uma adesão ao tratamento. Não adianta o paciente vir ao serviço, mas não aderir ao tratamento. Para isso, a gente faz esse atendimento multi, para que tenha esse acolhimento e o paciente verdadeiramente entenda a importância de fazer o tratamento corretamente.”

Diagnóstico e cuidados

Vanessa também explicou que o diagnóstico tardio ainda é um problema, por isso, é a testagem regular é fundamental. 

“Quanto antes se descobre, melhor qualidade de vida e mais chance de carga viral indetectável, que é o grande objetivo. O paciente com carga viral indetectável não transmite o vírus do HIV. Ele não tem intercorrências por conta do vírus e tem uma vida normal. Mas isso é uma parceria entre serviço e paciente. O serviço acolhe e o paciente faz uso das medicações corretamente e procura ter hábitos saudáveis.”

Casos de HIV
Foto : Jorge Magalhães

A coordenadora também ressaltou a conscientização quanto a prevenção e o diagnóstico. De acordo com Vanessa, há 40 anos, no início da epidemia do vírus, o diagnóstico de HIV era visto como um atestado de óbito. Atualmente, com a evolução da medicina, isso não é mais verdade. 

O teste do HIV sempre foi um tabu, porque há 40 anos, no início da epidemia, as pessoas achavam que era um atestado de óbito. Hoje não existe mais isso. Pessoas que vivem com o vírus do HIV vivem bem, com saúde e tranquilidade, desde que realizem o seu tratamento corretamente”, disse ao Acorda Cidade.

Além da prevenção, uso de preservativo e testagem regular, a coordenadora chama atenção para os cuidados com o que é compartilhado nas redes sociais. Apesar de ser uma fonte de aprendizado, a internet também pode ser responsável por trazer desinformação. 

O uso do preservativo em todas as relações sexuais é importantíssimo. A maior e melhor forma de prevenção ainda é o uso do preservativo. Mas também temos outras formas de prevenção. Então que as pessoas procurem o serviço. A orientação vinda da unidade de saúde é ‘procure ouvir menos os vizinhos e triar o que a internet traz até a gente’.”

Ainda sobre a internet, ela reforça a necessidade das pessoas procurarem o serviço de saúde, e não apenas se informarem por meio das redes sociais. 

“Com o uso de redes sociais e internet, o acesso às informações está mais fácil. Então as pessoas já chegam com muitas informações de acordo com o que conseguem via internet. Existe o lado bom, existe muita orientação importante na internet. Mas existem também algumas coisas que são defasadas, que já mudaram e que não são bem assim. Então por isso a importância de procurar o serviço de saúde e tirar as suas dúvidas.”

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.

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