
O primeiro dia do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs), realizado nesta terça-feira (25), foi marcado pela forte presença do público. Para onde se olhava no Centro de Convenções, era possível ver estudantes, famílias, professores, artistas e leitores aproveitando, de diferentes formas, um dos eventos mais aguardados da cidade.
De casa nova, o Flifs recebeu atividades voltadas à literatura, cultura, música e entretenimento, incluindo uma programação dedicada especialmente ao público jovem. Segundo a coordenadora do festival, Cristiana Oliveira, mais de mil pessoas já circulavam pelo espaço poucas horas após a abertura dos portões.

“Pouco depois de duas horas da abertura dos portões, nós já registramos mais de mil pessoas que estavam circulando no espaço do Centro de Convenções. Isso é um prenúncio, são sinais de que o Flifs certamente realizará este ano uma edição inesquecível”, afirmou a coordenadora ao Acorda Cidade.
Uma das iniciativas destacadas é o Vale-Livro, programa destinado a estudantes da rede pública. A proposta permite que os alunos escolham os próprios livros e, segundo Cristiana, representa uma política social muito importante.

“O Vale-Livro é um projeto de inclusão, de democratização de acesso e de livre escolha do livro pelo estudante da rede pública, tanto do município quanto do estado. Então, há um investimento no aporte aí próximo a R$ 400 mil em relação à Prefeitura e ao governo do estado”, afirmou Cristiana.
📖Hábito de leitura
A professora Dilma Pacheco, que visitou o festival acompanhada do neto, destacou para a reportagem do Acorda Cidade a importância de estimular o contato com os livros desde os primeiros anos de vida.

“A leitura é muito importante. Principalmente, temos que criar esse hábito nas crianças desde a mais tenra idade, porque isso vai ajudar no desenvolvimento futuro. Se não for criado esse hábito cedo, depois de grande vai ficar mais difícil. Meu principal presente é sempre livro e ele gosta muito”, disse a professora.
A mudança para o Centro de Convenções também chamou a atenção de quem participou das atividades neste primeiro dia de festival. A estudante Cecília, de 13 aos, foi flagrada na entrada do festival e contou que já havia participado de outras edições e aprovou as novidades.

“Eu achei que o Flifs aqui ficou muito interessante, muito legal também. Agora que a gente tem área de games também, muito interessante para pessoas que gostam tanto dos livros quanto de jogar”, disse.

Já a estudante Clara Ferreira, de 12 anos, também destacou o contato com os livros durante o evento.
“Foi muito legal porque a gente aprende muito com os livros e se interessa mais. O que importa num livro, eu acho que pode ser a capa, que é o mais interessante, que chama mais atenção, e o conteúdo do livro, que é o mais interessante ainda.”

🏃🏾Eu vou para o Flifs
A coordenadora e psicopedagoga Andrea Sales levou estudantes de uma escola particular de Feira de Santana para acompanhar a programação. Ela avaliou positivamente o primeiro dia.

“Eu achei excelente acontecer no Centro de Convenções. Inclusive, o fato de estar aqui foi uma das motivações para trazer a equipe para esse lugar. É uma grande oportunidade de eles conhecerem. Os pais trabalham com muita frequência, não têm tempo para trazer. Então, a escola aproveitou esse momento para estar aqui com a equipe”, disse Andrea.

O festival também ampliou a programação destinada ao público jovem com o espaço Conectados, que reúne atividades relacionadas à cultura pop e ao universo geek. De acordo com Cristiana Oliveira, a programação inclui mangás, histórias em quadrinhos, animes, jogos digitais e cosplay, aproximando diferentes linguagens do público do festival.
“Esse ano o Flifs vem com força nesse sentido porque, pela primeira vez, de forma mais temática, a comissão pontuou dentro da programação o que a gente está chamando de ‘Conectados’, que é uma programação destinada inteiramente ao público jovem, à juventude”, explicou a coordenadora do evento.

🗣️Cordel une poesia, música e identidade
A cultura popular também ganhou destaque na Praça do Cordel, espaço montado no Centro de Convenções onde artistas se reuniram para apresentar música, poesia e outras manifestações culturais tipicamente nordestinas.

O artista Carlos Silva, acompanhado de Alice Moraes e Luís Natividade, ressaltou para a reportagem do Acorda Cidade a importância do cordel para a identidade cultural, além de elogiar a parceria com o festival, que já rende frutos há muitos anos.
“O cordel é vida, o cordel é emoção, o cordel é criativo. O cordel é o que traz tudo de melhor, porque tem a poesia correndo na veia”, disse Carlos.

A programação na Praça do Cordel reuniu ainda poetas, cantores, músicos e xilogravadores, em uma integração de diferentes manifestações artísticas. Segundo o trio, a proposta é unir conhecimentos, talentos e linguagens para aproximar o público da cultura popular.
“Toda capa de cordel deve ter xilogravura, essa arte milenar que é a nossa cultura. Um texto escrevendo, outra capa fazendo. Viva a nossa cultura!”, completou Natividade.

✍🏻Xico tá em Feira, Xico tá no mundo
Quem deu um pulinho no Flifs também foi o jornalista e cronista Chico Sá. O profissional participou da programação do Festival Literário e conversou com o público sobre literatura, jornalismo e as mudanças no comportamento dos leitores com o avanço da internet e das redes sociais.

“Falamos principalmente da crônica, a crônica como gênero literário. Falamos sobre o jornalismo e também fazendo uma comparação entre os leitores de antigamente e os leitores de agora. Como conquistar leitores em época de internet e de redes sociais”, disse Chico à reportagem do Acorda Cidade.

Ao avaliar a participação do público, o jornalista destacou a receptividade e o conhecimento demonstrado pelos leitores feirenses. Segundo ele, as perguntas feitas durante o encontro mostraram interesse pela literatura e por sua produção.
“É difícil você ter um público tão caloroso e curioso, com boas perguntas, conhecedor de literatura, sabendo aquilo que eu escrevi. Então, pessoas muito bem informadas e quem não havia lido os meus livros, procurando saber, tentando se integrar”, finalizou o jornalista.

Com informações do jornalista Kaio Vinícios, do Acorda Cidade.
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