26 de August de 2026
José Ronaldo
José Ronaldo | Foto: Divulgação/ Secom

O embate entre o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho (União Brasil), e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), em torno da regulação de pacientes para a rede estadual de saúde saiu do campo da política e entrou na esfera da Justiça, após o gestor feirense afirmar que entregou ao Ministério Público (MP) um documento formalizando a denúncia de irregularidades no sistema.

A ação foi divulgada pelo próprio Ronaldo na manhã desta quarta-feira (26), durante uma agenda em Feira de Santana. Segundo o prefeito, o ato ocorreu após ele afirmar que 700 pessoas morreram na fila de regulação ao longo de 2025 em Feira de Santana, declaração que gerou questionamentos do governador e de integrantes da gestão estadual.

Entenda o caso

Semanas atrás, o prefeito chegou a chamar a fila de regulação de “fila da morte”. Ao ser questionado sobre a declaração, Ronaldo reforçou o apelido e afirmou que, ao longo de 2025, cerca de 700 pessoas morreram no município enquanto aguardavam um leito na plataforma de regulação, que é gerida pelo governo do estado.

A declaração do prefeito gerou uma onda de reações do governador e da Secretaria da Saúde, principalmente no sentido de que José Ronaldo deveria apresentar documentos que comprovassem as mortes. Nesta quarta, o prefeito foi questionado pela reportagem do Acorda Cidade sobre o assunto e revelou que acionou o MP.

“Eu não fiz essa colocação como um político. Eu fiz porque meu coração dói. Eu não nasci para ver sofrimento. Em 2022, eu denunciei que naquele ano foram 500 pessoas que morreram na fila da regulação. E agora eu tornei público que no passado foram 700 mortes”, reforçou o prefeito.

O prefeito voltou a responsabilizar o governo estadual pela regulação de pacientes e afirmou que os municípios não têm acesso ao sistema. Segundo o prefeito, a entrega das informações ao MP também teve como objetivo evitar que a discussão permanecesse restrita à disputa política.

“Como duvidaram, para resolver o assunto, que não foi resolvido ao longo de todos esses anos e foi uma promessa que o governador fez de que resolveria e não resolveu. Eu fiz um documento e protocolei no Ministério Público com todas as informações necessárias sobre este assunto”, disse.

Ainda na manhã desta quarta, o prefeito também relatou situações de pacientes que, segundo ele, permanecem por longos períodos aguardando atendimento ou transferência na plataforma do sistema de regulação.

“Em nome da verdade, em nome dessas pessoas que estão sofrendo diariamente. Tem gente hoje que tem 30 dias na fila em uma UPA, numa policlínica esperando. Tem gente que tem mais de 30 dias. Isso é apenas um sofrimento do meu coração”, afirmou Ronaldo.

Ao finalizar, o prefeito de Feira de Santana afirmou que não havia divulgado anteriormente a iniciativa de procurar o Ministério Público.

“Não se pode tirar o braço da seringa e querer culpar os outros, mas nós entregamos as devidas informações com o objetivo de levar o assunto para a esfera da responsabilidade humana e sair até do campo político. É por isso que eu dei entrada e não divulguei. Só estou falando aqui porque você está me perguntando”, disse Ronaldo.

Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade

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