26 de August de 2026
Inundanções e enchentes no Nepal e China matam mais de 90 pessoas; centenas estão desaparecidas
Foto: AP

Associated Press — Enchentes repentinas de grandes proporções em uma área de fronteira entre o Nepal e a China, na quarta-feira, mataram pelo menos 98 pessoas e deixaram centenas de turistas, trabalhadores e outros desaparecidos, após devastarem comunidades e paralisarem o trânsito em algumas áreas.

O gabinete do primeiro-ministro do Nepal relatou pelo menos 95 mortos. A emissora estatal chinesa CCTV informou que um deslizamento de terra no condado de Gyirong, na região do Tibete, perto da fronteira, matou pelo menos três pessoas e deixou 265 desaparecidas.

Autoridades do Nepal informaram que 403 pessoas, incluindo 341 estrangeiros, foram dadas como desaparecidas. Sunil Sharma, porta-voz da agência de turismo, disse que 133 eram indianos em peregrinação ao Monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para os hindus. Também estão desaparecidos 47 pessoas dos Estados Unidos, 34 da Austrália, 33 da Grã-Bretanha e 24 do Canadá, acrescentou.

Inundanções e enchentes no Nepal e China matam mais de 90 pessoas; centenas estão desaparecidas
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Pelo menos 62 cidadãos nepaleses desaparecidos estavam entre as centenas de moradores locais que faziam trilha no lago Gosaikunda, em Rasuwa, coincidindo com o festival local de Janai Purnima na sexta-feira, acrescentou Sharma. O porta-voz da polícia nepalesa, Abi Narayan Kafle, disse à Associated Press que pelo menos 28 policiais estavam desaparecidos.

Autoridades alertaram moradores de vários distritos do Nepal para que se mantivessem afastados das margens dos rios Bhotekoshi, Trishuli e Narayani. O rio Bhotekoshi transbordou por volta das 9h da manhã de quarta-feira, destruindo diversas aldeias, estradas e projetos hidrelétricos, disseram as autoridades.

“Solicitamos ajuda tanto da Índia quanto da China nos esforços de resgate”, disse Sasmit Pokharel, porta-voz do governo nepalês.

Os vales íngremes do Nepal são vitais para a economia e importantes corredores de viagem, mas tornam-se ainda mais precários quando ocorre um desastre. Imagens mostraram o que pareciam ser os segundos andares de prédios no distrito de Nuwakot, duramente atingido, cobertos de lama após a passagem da torrente. Detritos pendiam de galhos de árvores e fios elétricos, veículos estavam soterrados e sobreviventes atordoados estavam cobertos de lama.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou um terremoto de magnitude 4,4 na manhã de quarta-feira, a cerca de 100 quilômetros (60 milhas) ao norte de Katmandu, perto da fronteira com a região autônoma do Tibete, na China.

Embora a atual temporada de monções seja menos favorável para trekking no Nepal, é uma época importante para a escalada do Monte Kailash no Tibete, que segue a rota no distrito de Rasuwa, no Nepal, na fronteira com Gyirong, no Tibete.

Países expressam alarme com cidadãos desaparecidos

Autoridades do governo sul-coreano disseram que nove de seus cidadãos, que trabalhavam na construção de uma usina hidrelétrica no Nepal, estavam entre os desaparecidos.

O Ministério das Relações Exteriores da Malásia informou que sua embaixada em Katmandu recebeu relatos de agências de viagens de que haviam perdido contato com 11 malaios que se acredita estarem no distrito de Rasuwa, também duramente atingido pelas enchentes.

Segundo a emissora estatal CCTV, as autoridades chinesas estavam realizando operações de busca e resgate em larga escala na região fronteiriça tibetana de Gyirong. O presidente chinês, Xi Jinping, ordenou que as autoridades intensificassem os esforços, informou a agência de notícias estatal Xinhua.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, conversou com o primeiro-ministro do Nepal, Balendra Shah, e ofereceu ajuda. “A Índia está preparada para fornecer ao Nepal todo tipo de assistência humanitária possível. Nossas equipes estão coordenando de perto os esforços de resgate e socorro”, disse Modi nas redes sociais.

Em uma declaração conjunta, Austrália, Reino Unido, União Europeia, Finlândia, França, Noruega e Suíça expressaram solidariedade às pessoas afetadas no Nepal, acrescentando: “Encorajamos todos aqueles nas áreas afetadas a seguirem as orientações das autoridades locais e os avisos oficiais de segurança, visto que a situação continua a evoluir.”

A mesma região sofreu com enchentes repentinas no ano passado

As mesmas regiões sofreram inundações repentinas semelhantes em agosto do ano passado, quando um lago glacial no Tibete transbordou devido às altas temperaturas. Nove pessoas morreram e infraestruturas críticas, incluindo uma ponte que liga o Nepal à China, foram danificadas.

Inundanções e enchentes no Nepal e China matam mais de 90 pessoas; centenas estão desaparecidas
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Especialistas em clima do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, com sede em Katmandu, disseram que uma avalanche de uma geleira provavelmente causou a enchente repentina de quarta-feira.

O rio Lhende Khola, um afluente do Bhotekoshi, registrou o nível máximo de inundação na quarta-feira, disseram eles.

“O rio Lhende Khola transbordou duas vezes em 14 meses, desta vez devido a uma avalanche de gelo e rochas de uma geleira no lado nepalês, que bloqueou o rio e liberou uma onda repentina rio abaixo”, disse Saswata Sanyal, especialista em redução de riscos de desastres do grupo de pesquisa climática.

Ele destacou a importância dos alertas precoces em um “Himalaia em aquecimento”.

A região do Himalaia, que abrange vários países, incluindo a Índia, é especialmente vulnerável a chuvas torrenciais, inundações e deslizamentos de terra, pois está aquecendo mais rapidamente do que o resto do mundo devido às mudanças climáticas causadas pela ação humana. Pesquisas mostram que eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, chuvas torrenciais e derretimento de geleiras, tornaram-se mais frequentes.

Pesquisadores em Katmandu descobriram, no início deste ano, que as geleiras em toda a região do Hindu Kush Himalaia estão derretendo em um ritmo acelerado, com as taxas de perda de gelo dobrando desde 2000, principalmente devido ao aumento das temperaturas globais e às mudanças climáticas.

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