27 de August de 2026
Seminário sobre o atendimento às mulheres vítimas de violência na área da Saúde
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

A Prefeitura de Feira de Santana, através da Secretaria da Mulher, promoveu nesta quarta-feira (26), em parceria com o Ministério Público da Bahia (MPBA), um seminário em alusão ao Agosto Lilás, sobre o atendimento às mulheres vítimas de violência na área da saúde, a exemplo da violência obstétrica em hospitais.

O objetivo do seminário, que ocorreu no auditório do MP, visa fortalecer a rede de proteção, além de sugerir a criação de políticas públicas que visam garantir que as mulheres conheçam seus direitos e saibam como e onde buscar ajuda.

Seminário sobre o atendimento às mulheres vítimas de violência na área da Saúde
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Em entrevista ao portal Acorda Cidade, a promotora Nayara Barreto, destacou que a rede de proteção às mulheres precisa atuar de forma integrada, sobretudo em se tratando do sistema de saúde, que é uma grande porta de entrada para vítimas de violência.

Seminário sobre o atendimento às mulheres vítimas de violência na área da Saúde
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“Estamos buscando sempre atuar de forma unida e coesa no enfrentamento a essa violência doméstica em Feira de Santana. Aqui são três promotorias de Justiça que atuam no combate à violência doméstica e familiar contra a mulher, e duas varas. Então, a Deam, que é a delegacia especializada, encaminha os inquéritos para a essas três promotorias de Justiça, e a partir daí se dá início à ação penal perante essas varas especializadas. Os números são altíssimos, por isso que é muito importante esse trabalho de rede, de prevenção e conscientização.”

De acordo com a promotora, a grande vantagem de Feira de Santana é contar com uma rede de proteção forte.

“A rede está de parabéns pela atuação; é integrada por órgãos que se dedicam, por profissionais que se dedicam ao combate a essa violência doméstica e familiar contra a mulher. E esse trabalho de prevenção e de conscientização é que vai fazer a diferença para que essa violência seja erradicada.”

A secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Aldney Bastos, também conhecida como Neinha Bastos, lembra que durante o seminário foram abordados temas nas áreas social, da saúde, educação, para capacitação das equipes.

Seminário sobre o atendimento às mulheres vítimas de violência na área da Saúde
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

“Nós temos mulheres que não conhecem o seu direito, que não sabem como é a lei, como é construída. E muitas das mulheres, elas sofrem a violência por falta de conhecimento. Então a gente está fortalecendo essa política pública no mês de agosto para dizer a essas mulheres “não à violência”. Por conta disso a gente está aqui hoje no Ministério Público, com toda a rede de proteção à mulher de Feira de Santana.”

A secretária Aldney Bastos explicou como funciona hoje o acolhimento das mulheres vítimas de violência na rede municipal de saúde.

“Já temos um trabalho, mas precisamos ampliar e trabalhar lado a lado com o secretário de Saúde, o secretário Pablo e a secretária Gerusa. São os âmbitos mais cruciais para essa jornada das mulheres que sofrem violência. Porque essa mulher que sofre do relacionamento ao parto, essa mulher precisa de um amparo. E a Secretaria de Saúde é o amparo para receber essa mulher, estar com essa mulher.”

Seminário sobre o atendimento às mulheres vítimas de violência na área da Saúde
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Neinha Bastos citou ainda como forma de violência a psicológica, que precisa ser identificada pelos profissionais que atendem essas vítimas nas unidades de saúde.  

“O que a gente quer é preparar da recepção aos serviços gerais, cada um em sua formação para acolher mulheres vítimas de violência. Porque quando ela chega na rede pública, ela precisa verdadeiramente entender que aquela mulher não chegou ali descompensada por qualquer coisa, com certeza já existe um ponto de gatilho.”

Seminário sobre o atendimento às mulheres vítimas de violência na área da Saúde
Foto: Ney Silva/Acorda Cidade

Muitas vítimas temem denunciar seus agressores por medo do julgamento, mas também por não se sentirem acolhidas ao se direcionarem às recepções de órgãos municipais.

“É o que a gente chama de acolhimento. Porque quando a gente acolhe na primeira porta, que é a Secretaria da Mulher, a Secretaria de Saúde, a Secretaria de Educação, a maternidade, que são os pontos estratégicos, a mulher se sente à vontade para falar. O que estamos hoje fazendo é essa rede humanizada, com transparência. Preparando pessoas para cuidar de pessoas. Quem atende e quem é atendido. Porque quando a mulher ela é bem acolhida na ponta, ela chega no final e sabe acolher uma mulher sofrendo violência.”

Com informações do repórter Ed Santos, do Acorda Cidade.

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