
A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) interditou, cautelarmente, o centro cirúrgico do hospital em Ilhéus, no sul da Bahia, onde a empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, morreu após passar por procedimentos estéticos. A interdição aconteceu no fim da tarde de quinta-feira (27), após a Sesab divulgar que o local não possui um alvará sanitário para funcionamento e não havia sequer a solicitação do alvará.
Em nota, o órgão afirmou que ainda não tem detalhes de há quanto tempo o local operava sem licença e que tipos de procedimentos foram realizados neste período.
A Sesab detalhou que as unidades de saúde são submetidas a vistorias periódicas pela Vigilância Sanitária. Porém, a última fiscalização realizada neste centro cirúrgico aconteceu em novembro de 2025, quando não foram constatadas irregularidades.
De acordo com o g1, Danilo Amorim, coordenador do Núcleo Regional de Saúde Sul (NRS) da Sesab, afirmou que em 2025, o centro cirúrgico não estava em funcionamento.
Nós não tínhamos previsão de funcionamento do centro cirúrgico nessa unidade. A unidade deu entrada no licenciamento sanitário, mas não relacionou o centro cirúrgico. Nas nossas últimas inspeções, ele continuava sem funcionamento”, destacou.
Danilo também disse que o órgão descobriu a operação irregular do local após a repercussão da morte de Adriele.
Cautelarmente, ele está interditado. Vai para julgamento e serão tomadas as devidas providências.”
Familiares da vítima pedem por justiça
A empresária Adriele da Silva Pinto foi sepultada na quinta-feira (27), em Ituberá, também no sul da Bahia. Parte da família da vítima mora na cidade e pediu justiça em uma manifestação. no centro da cidade, após o sepultamento.
O corpo da empresária foi encaminhado ao Departamento de Polícia Técnica de Ilhéus (DPT) e o resultado do laudo de necropsia deve ser expedido em até 30 dias. O caso está sendo apurado pela Polícia Civil, por meio da 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus.
Como já divulgado pelo Acorda Cidade, Adriele morava nos Estados Unidos há mais de cinco anos e estava de férias no Brasil. Ela foi submetida a uma lipoescultura, uma mastopexia com prótese, um remodelamento costal e um jato de plasma.
Segundo os familiares, o médico responsável pelos procedimentos já havia sido alvo de denúncias feitas por pacientes em 2023. Na época, diversas mulheres o acusaram de erros e cirurgias mal feitas.

Empresária morreu após passar mal durante a cirurgia
Conforme o advogado da família, Adriele entrou na cirurgia na às 15h de terça-feira (25). A cirurgia deveria terminar às 20h. No entanto, os familiares não recebeu notícias sobre a empresária e só foi informada da morte de Adriele na madrugada de quarta-feira (26), após irem ao hospital em busca de atualizações.
O advogado também disse que o hospital teria informado que a paciente passou mal durante a cirurgia. Devido à suspeita, os familiares registram um boletim de ocorrência na delegacia. Ao ler o relatório médico, o advogado afirmou que o atestado de óbito não foi assinado pelo médico responsável pela cirurgia.
Em nota, o hospital onde a empresária ficou internada, informou que ela apresentou uma complicação rara e grave associada à anestesia. A unidade de saúde aponta que, possivelmente, isso está conectado a uma predisposição genética.
Apesar de todos os esforços empreendidos pela equipe, infelizmente não foi possível reverter o quadro. Neste momento de profunda dor, o Hospital Vida se solidariza com os familiares e amigos, expressando seus mais sinceros sentimentos e seu respeito à família”, destacou a nota.
O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (Cremeb) declarou que não há processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica que cite o médico responsável pelo procedimento.
Também por meio de uma nota, a defesa do médico se solidarizou com a morte da empresária e destacou que o procedimento cirúrgico transcorreu sem intercorrências. Porém, no final do procedimento, Adriele teria apresentado, subitamente, uma alteração grave do quadro clínico.
A defesa também aponta que as medidas de emergência foram imediatamente adotadas. “Trata-se de reação imprevisível, que não guarda relação com a técnica cirúrgica empregada e que não é detectável por exames pré-operatórios de rotina.”

Médico foi alvo de denúncias em 2023
Como também divulgado pelo Acorda Cidade, o médico responsável pelos procedimentos de Adriele já havia sido alvo de denúncias de pacientes em 2023. Na época, houveram relatos de complicações e deformidades após as operações.
As denúncias vieram à tona no mês de março, quando pacientes de Itabuna, Salvador, Eunápolis e Vitória da Conquista procuraram autoridades para relatar problemas após cirurgias feitas pelo médico.
Uma das mulheres relatou que colocou próteses de silicone nas mamas e fez lipoaspiração na barriga. Após os procedimentos, a paciente contou que teve uma infecção grave, precisando passar por uma cirurgia de reparação. Segundo ela, o médico teria realizado o procedimento sem anestesia.
Além das mulheres, uma instrumentadora cirúrgica que trabalhou com o cirurgião também fez denúncias contra ele na época. A defesa ainda não se manifestou sobre acusações antigas.
O que diz o Conselho de Medicina
Sobre as denúncias de 2023, o Cremeb destacou que os resultados foram comunicados às partes envolvidas, sendo preservado o sigilo processual previsto no Código de Processo Ético-Profissional (CPEP).
A entidade também disse que eventuais sanções de caráter público contra o médico serão divulgadas por meio do site do conselho e Diário Oficial da União (DOU).
Confira nota do hospital na íntegra:
“O Hospital Vida manifesta profundo pesar pelo falecimento de uma paciente ocorrido durante procedimento cirúrgico, em decorrência de uma complicação rara e grave associada à anestesia, relacionada a uma possível predisposição genética.
Desde a identificação do quadro, a equipe médica e assistencial atuou de forma imediata, seguindo os protocolos de emergência e adotando as medidas terapêuticas e medicamentosas indicadas para o tratamento da complicação, além de todas as medidas de suporte necessárias, incluindo a disponibilização de vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Apesar de todos os esforços empreendidos pela equipe, infelizmente não foi possível reverter o quadro.
Neste momento de profunda dor, o Hospital Vida se solidariza com os familiares e amigos, expressando seus mais sinceros sentimentos e seu respeito à família.
O Hospital permanece à disposição dos familiares para prestar os esclarecimentos cabíveis, observando rigorosamente o sigilo profissional e a confidencialidade das informações médicas e pessoais da paciente, em respeito à legislação vigente, à ética profissional e à privacidade da família. Por essa razão, eventuais informações de natureza clínica ou relacionadas ao atendimento somente poderão ser compartilhadas nos limites legalmente permitidos e com as pessoas legitimamente autorizadas.
O Hospital Vida reafirma seu compromisso com a segurança dos pacientes, a qualidade da assistência prestada, a ética profissional e a transparência na condução dos fatos, sempre respeitando os deveres de sigilo e confidencialidade que envolvem as informações de saúde.”
Confira a nota do médico na íntegra:
“NOTA PÚBLICA À IMPRENSA
Na condição de assessoria jurídica do Dr. Rossini Tebaldi Ruback, médico responsável pelo procedimento cirúrgico noticiado, e diante das solicitações de posicionamento recebidas de veículos de comunicação, vimos prestar os seguintes esclarecimentos.
Antes de tudo, registramos a mais sincera e profunda solidariedade do Dr. Rossini Tebaldi Ruback aos familiares e amigos da paciente. A perda de uma vida é sempre dolorosa, e o é igualmente para os profissionais que participaram do atendimento e empenharam todos os esforços na tentativa de preservá-la.
É preciso esclarecer, de forma categórica, que o procedimento foi realizado no interior de unidade hospitalar regularmente licenciada e em pleno funcionamento, em centro cirúrgico habilitado, com utilização da estrutura assistencial e do corpo profissional da própria instituição, e com o acompanhamento de médica anestesiologista durante todo o ato.
O Dr. Rossini Tebaldi Ruback é médico cirurgião plástico, regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina (CRM) e com Registro de Qualificação de Especialista (RQE).
Quanto ao ocorrido, o ato cirúrgico transcorreu integralmente sem intercorrências. Já em sua fase final, após concluído o procedimento, a paciente apresentou, de forma súbita e inesperada, alteração grave de seu quadro clínico.
Conforme registrado em prontuário, os sinais foram prontamente identificados pela equipe de anestesiologia como compatíveis com hipertermia maligna, condição rara, grave e potencialmente fatal, decorrente de suscetibilidade individual à exposição a determinados agentes utilizados em anestesia. Trata-se de reação imprevisível, que não guarda relação com a técnica cirúrgica empregada e que não é detectável por exames pré-operatórios de rotina.
Identificado o quadro, foram imediatamente adotadas as medidas de emergência recomendadas, com administração da medicação específica e das manobras necessárias à estabilização da paciente, contando ainda com a participação de médico cardiologista nos esforços de socorro.
A despeito da identificação imediata, do tratamento específico instituído e de todos os esforços da equipe assistencial, lamentavelmente a paciente não respondeu às medidas terapêuticas e evoluiu a óbito.
Toda a assistência prestada, a evolução do quadro clínico, as medicações administradas e as providências adotadas encontram-se integralmente registradas e documentadas.
Cabe esclarecer, ainda, informação incorreta que tem circulado a respeito da saída dos profissionais da unidade hospitalar. Concluídos os procedimentos assistenciais e adotadas todas as providências devidas, incluindo o registro em prontuário e a comunicação do falecimento aos familiares, sobreveio no local o grave episódio de violência e depredação já noticiado publicamente pela própria instituição hospitalar e registrado perante a autoridade policial.
Diante da situação de risco então instaurada, o Dr. Rossini e a equipe assistencial foram orientados pelo setor de segurança do Hospital a permanecer em local protegido e a aguardar a chegada da autoridade policial, o que efetivamente ocorreu. O Dr. Rossini permaneceu na unidade hospitalar até a chegada da Polícia Militar ao local. Não houve, portanto, em nenhum momento, abandono de atendimento, evasão ou tentativa de furtar-se a responsabilidades.
O Dr. Rossini permanece integralmente à disposição da família, das autoridades competentes e dos órgãos de classe para prestar, com absoluta transparência, todos os esclarecimentos necessários e colaborar com a apuração das circunstâncias do ocorrido. Por respeito à memória da paciente, à dor de seus familiares e ao dever de sigilo que recai sobre as informações médicas, outros detalhes de natureza clínica não serão divulgados publicamente neste momento.
Por fim, renovamos a solidariedade do Dr. Rossini aos familiares e amigos da paciente diante de perda tão dolorosa, e pedimos responsabilidade na divulgação de informações ainda não apuradas, bem como respeito à dor de todos os envolvidos.”
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