
O xilogravurista e arte-educador Luiz Natividade, de 65 anos, é um dos participantes do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs 2026), onde realizou oficinas de xilogravura para crianças e estudantes que foram o evento, nesta sexta-feira (28).
Natural de Junqueiro, em Alagoas, Luiz contou ao portal Acorda Cidade que chegou à Bahia na década de 1980 para estudar arte na Escola de Belas Artes. Atualmente, mora em Salvador e acumula 45 anos de dedicação à xilogravura e à arte. Ele é pós-graduado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Segundo o artista, o trabalho desenvolvido durante a Flifs tem como objetivo despertar talentos e apresentar aos participantes as possibilidades da xilogravura, inclusive na ilustração de capas de livros e de cordéis.
“Eu sou arte-educador, pós-graduado pela Ufba, e decidi usar a xilogravura como despertar talentos e mostrar a possibilidade de você fazer um trabalho de ilustração de capas de livros, da capa do cordel, e a xilogravura é um casamento perfeito”, contou.
Durante as visitas das escolas ao festival, Luiz realizou oficinas livres de xilogravura. Os participantes produziram duas cópias das gravuras: uma para levar para casa e a outra fica exposta em um mural montado pelo artista.
Para Luiz, uma das características da técnica é a possibilidade de ser praticada por pessoas de diferentes idades e sem experiência prévia em desenho.
“Não tem idade para fazer xilogravura. Nesse processo de isogravura no isopor, desenhou, sai uma arte. Essa é a vantagem, não precisa ser desenhista”, afirmou o artista ao Acorda Cidade.
Ele explicou que, na técnica apresentada aos participantes, os traços feitos no material resultam em uma composição de contrastes entre preto e branco, claro e escuro.
“O que você traçar vai dar o preto e branco, claro e escuro e uma forma, e aí vai sair a xilogravura. É só imprimir que está pronta”, disse.
Da leitura de um jornal à Escola de Belas Artes
O interesse de Luiz Natividade pela arte começou ainda em Alagoas. Ele recordou que depois de concluir o segundo grau, encontrou no jornal A Tarde uma referência à Escola de Belas Artes e decidiu estudar na Bahia.
“Um dia, quando eu terminei o segundo grau, eu li no jornal A Tarde, lá em Alagoas: ‘Escola de Belas Artes, a mais conceituada escola de arte do Brasil’. Eu disse: ‘É para lá que eu vou’”, relatou.
Segundo Luiz, ele juntou o dinheiro que tinha e comprou uma passagem para a Bahia. Depois, prestou vestibular para a Escola de Belas Artes e permaneceu no estado.
Ao longo da carreira, o xilogravurista afirma ter realizado 70 exposições e produzido 1.200 xilogravuras. Entre os trabalhos realizados está o brasão da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), produzido por ele em homenagem aos 50 anos da instituição.
No Flifs, além de apresentar a técnica aos visitantes, Luiz utilizou as oficinas como uma forma de aproximar crianças e estudantes da xilogravura e mostrar que a arte pode ser desenvolvida independentemente da idade ou da experiência com desenho.
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