
Na manhã deste sábado (29), foi realizada uma ação para as pessoas com fibromialgia na Unidade de Saúde da Família (USF) Rua Nova II, III e Barroquinha, localizada na rua Juvêncio Erudilho, em Feira de Santana. A ação, promovida pela Secretaria Municipal de Saúde, aconteceu das 8h às 12h, reunindo diferentes serviços para ampliar o acesso à assistência e fortalecer o acompanhamento dos pacientes.
Em entrevista ao Acorda Cidade, o secretário de Saúde, Rodrigo Matos, destacou a complexidade da fibromialgia, que muitas vezes não é visível.
Apesar de dizer que tem dor, as pessoas muitas vezes são desacreditadas. Por isso a gente faz esse esforço concentrado, que é de profissionais especializados. Aqui você tem clínico, tem reumatologista, numa ação grande para uma avaliação de todas essas pessoas que procuraram essa assistência, para que a gente possa qualificar o cuidado.”

Segundo ele, a demanda por profissionais da área de reumatologia é alta tanto na rede pública de saúde quanto na rede privada, por conta da quantidade de profissionais em relação à procura.
São ações como essas, utilizando a capacidade instalada, os mecanismos que a gente tem, a capacidade para fazer assistência, para que o nosso povo de Feira de Santana tenha qualidade de vida, principalmente os públicos que são mais vulneráveis.”
Além do atendimento com reumatologista e clínico, a ação contou com psicólogo, enfermagem, vacinação e confecção da carteirinha de fibromialgia.
Confecção da carteirinha
Para pedir a carteirinha de fibromialgia, o paciente, com o relatório médico do reumatologista, pode procurar a Secretaria de Saúde, de segunda a sexta-feira. No entanto, muitas pessoas não sabem que têm direito ao documento ou não podem ir até a unidade durante o horário disponível. Com isso, a ação deste sábado também disponibilizou esse serviço, com o apoio de uma assistente social.

Essa carteirinha está sendo feita aqui, resolvendo a vida da pessoa e, obviamente, entregando muito à comunidade”, afirmou o secretário.
De acordo com Rodrigo, a carteirinha permite que o paciente com fibromialgia tenha prioridades na marcação de consultas e exames, bem como acesso nos serviços públicos de saúde.
“Isso é importante porque garante a ele gozar desses benefícios, que eu não digo que são privilégios, porque quando a pessoa sente a dor, ela sabe, ela sente, tem todas essas questões. Então a ideia é, na verdade, uma compensação, e é um princípio basilar do SUS, que é a equidade. São populações mais vulneráveis, que precisam ter um acesso prioritário justamente para diminuir esse desconforto quando você acessa eventualmente o serviço público.”
Questionado sobre os serviços terem sido concentrados em um único espaço, o secretário afirmou que o objetivo é que o sistema funcione durante a semana, mas que o município tenha ações como essa nos fins de semana, para incluir o público que não consegue o serviço disponibilizado de segunda a sexta.
“Para justamente pegar aquele público que não tem acesso durante a semana, que não consegue sair durante a semana. E também você sabe que um profissional como o reumatologista, para você trazer para atender, muitas vezes é difícil porque tem poucos profissionais. Então a gente busca também esses profissionais, que muitas vezes têm a sua agenda lotada de segunda a sexta, e traz para o sábado para fazer uma ação concentrada.”
Rodrigo Matos também disse que a ação e as carteirinhas ajudarão a realizar um levantamento das pessoas com fibromialgia em Feira de Santana. Com os atendimentos, é possível atualizar o número de pacientes.
“A gente está fazendo um censo dessa população, para que a gente possa ter esse número atualizado. E a gente sabe que só com o indicador a gente consegue fazer e melhorar as políticas públicas. Por isso que até o final do ano a gente deve concluir esse censo, para que a gente possa dizer com segurança quantas pessoas têm. Então o esforço que a gente está fazendo é justamente para catalogar todo esse público e ter políticas públicas específicas e focadas nessa população.”

Pacientes com fibromialgia
Maria dos Santos é dona de casa e portadora de fibromialgia. Ela contou ao Acorda Cidade que conviveu com problemas de coluna por mais de 20 anos, mas o diagnóstico da doença só veio há três anos.
“A fibromialgia impacta em tudo, porque eu não aguento fazer nada dentro de casa. É difícil. Não tenho vontade de fazer as coisas. Fico com tanta dificuldade de fazer as coisas. E às vezes as pessoas nem acreditam.”

Segundo ela, a fibromialgia causa sono e moleza no corpo. Porém, ela não consegue dormir bem, e acorda várias vezes durante o sono.
“A ação foi ótima. Não vou fazer a carteirinha porque faltou o tipo de sangue. Mas a carteirinha é muito importante, para tudo.”
Maria Regina dos Santos foi diagnosticada com fibromialgia há muitos anos. Ela contou que sente dores da cabeça aos pés. Maria relatou que toma cerca de cinco remédios para tratar a doença.
“Não consigo dormir. Tem dias que amanhece em claro, muita dor no corpo.”

Ela disse que faz acompanhamento com psicólogo por meio da rede municipal de saúde. Maria soube da ação deste sábado por meio de uma médica.
“É muita dor, os pés, dói tudo. Tem dia que a gente não aguenta lavar um prato. Os dedos incham. Fica sem força nas mãos para pegar as coisas. Não faz nada. É dor o dia todo, dia e noite.”
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.
Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e do grupo no Telegram.