
Neste domingo (30), aconteceu o último dia do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs). Com uma longa programação desde terça-feira (25), o evento reuniu crianças, jovens, adultos e idosos que curtiram muitos shows, apresentações teatrais e musicais, recitais de cordel, rodas de conversa e, claro, muita literatura.
Em entrevista ao Acorda Cidade, a coordenadora da Flifs, Cristiana Oliveira, afirmou que até as 20h deste sábado (29), o evento registrou mais de 60 mil visitantes, sendo 23 mil somente no sábado. O público acumulado nos cinco dias já se iguala ao total registrado em toda a edição de 2025.
Segundo ela, a quantidade de pessoas é um reflexo da ampliação do espaço de realização do Flifs, que neste ano foi realizado no Centro de Convenções de Feira de Santana.

“A avaliação é muito positiva, participação efetiva e maciça da população de Feira de Santana e região. Isso é reflexo do espaço mais amplo, mais confortável, mais seguro, com estacionamento gratuito. Então, isso reflete o quão positivo foi a mudança do local. Para abrigar toda a estrutura e a programação do Flifs na sua robustez, a gente precisa de um espaço como o Centro de Convenções, que é, de fato, o melhor lugar para acolher as próximas edições.”
Cristiana afirmou que novas reuniões serão realizadas para que a próxima edição do Flifs também aconteça no Centro de Convenções. Apesar de vários eventos buscarem o espaço, ela disse que a expectativa é continuar promovendo o festival neste local.
A gente sabe que o espaço é para toda a comunidade, para outras demandas. Mas, assim, a gente vai fazer as tratativas através da Universidade Estadual de Feira de Santana. Eu acho que é o maior evento que o Centro de Convenções acolheu desde a sua inauguração. Nós ocupamos efetivamente todos os espaços com atividades simultâneas.”



A coordenadora destacou que as atividades foram realizadas em todos os espaços, como no palco principal Márcia Porto, no Teatro Carlos Pitta e no salão de exposições. Além disso, foram montadas estruturas no espaço do estacionamento do centro, para abrigar os expositores, a praça de alimentação e a Praça do Cordel.
Nós ocupamos literalmente em todos os cantos do Centro de Convenções de Feira de Santana, e isso reflete a capacidade que o equipamento tem de abrigar grandes eventos. E o Flifs, através de sua comissão organizadora, acredita que é, de fato, esse espaço o melhor lugar para abrigar as próximas edições.”
Questionada sobre o público, Cristiana contou que as expectativas foram mais que superadas, destacando que a edição foi “surpreendente”. Ela também falou que aguarda o fim do último dia para saber o total de pessoas que visitaram a edição de 2026 do Flifs.
Desde o primeiro dia, a gente estava com um público crescente, esperando os portões abrirem. No primeiro dia a previsão era de abrir os portões às 9 horas, e 8h30 da manhã já havia escola na porta. É surpreendente o quão incrível está sendo essa edição. E os 60 mil do ano passado já foram batidos.”



Quanto à adesão das escolas e do público infantil, a coordenadora avaliou a participação de forma muito positiva. Na manhã de quinta-feira (27), 53 escolas visitaram o festival, tanto de Feira de Santana quanto de outros municípios baianos, a exemplo de Santa Bárbara, Teodoro Sampaio, Ipecaetá, Santo Estêvão e Santaluz.
“Muitos territórios aqui representados por grupos escolares que nos visitaram e participaram de atividades como conversa de escritores, mesas de debates, lançamento de livros, contação de história, teatro, show de música. Enfim, um mosaico cultural oferecido e que foi, de fato, apropriado pela população, que veio e nos contemplou com a visita, com a participação, mas, sobretudo, saiu daqui repletos da celebração da palavra.”
Entre as atividades que mais atraíram o público, Cristiana chamou atenção para o Festival de Violeiros, na noite de quinta-feira (27); o espetáculo teatral “Los Catedráticos”, neste sábado (29); e a estreia do Momento Cosplay, também no sábado.
As contações de história, os shows musicais, de uma forma geral foi sucesso em todas as atividades. Lançamentos de livro, conversas com escritores, todas as atividades tiveram grande público nos seis dias. Agora a gente já está caminhando para o final e isso só nos alegra, nos permite dizer que o Flifs 2026 é de fato uma edição inesquecível.”



Por fim, ela ressaltou o impacto econômico, além do cultural. A participação do público na praça de alimentação e nos empreendimentos da economia familiar e solidária também contribuíram para a comercialização no evento.
“Ontem, a partir das 19 horas, os empreendimentos da economia familiar e solidária que participam da praça de alimentação já estavam com seus estoques de alimentos finalizando, porque de fato a população veio em massa. Então, a partir desses empreendimentos a gente pode dizer que foi um sucesso, impactando inclusive nesses indicadores econômicos e de negócios realizados aqui.”
Vendas de livros
Beatriz Sousa é idealizadora do Meu Livro, Eu Alugo, projeto que surgiu há seis anos, durante a pandemia do Covid-19, e atua com vendas, aluguéis e trocas de livros.

Ao Acorda Cidade, Beatriz disse que a ideia surgiu quando ela era adolescente e queria ler um livro, mas não tinha condições de comprar. Com isso, ela pegou cinco livros de sua estante e colocou para alugar. Atualmente, o projeto também atua em escolas públicas de Feira de Santana.
Nos seis dias do Flifs, a gente tem feito bastante troca. Ontem mesmo a gente teve que dar um tempinho nas trocas por conta do fluxo, que está muito alto. E a gente também está fazendo a venda dos livros. O aluguel a gente faz durante o ano, nas escolas públicas de Feira de Santana.”
Com livros a partir de R$ 5, o estande cria a oportunidade de trocar exemplares, prática gratuita que ajuda a diversificar as leituras.


A troca é gratuita. A gente avalia o livro que o leitor tem, cria um voucher, um vale-livro para ele usar aqui dentro do nosso estande. E com esse valor, ele troca, a não ser que ele pegue um livro mais caro, aí ele pode abater aquele crédito e pagar a diferença.”
Beatriz afirmou que nesta edição do Flifs, o Meu Livro, Eu Alugo fez bons negócios, com diversas vendas e trocar.
Muitas trocas, muito público de leitores que estão renovando as estantes.”


Alexsandro Sousa, representante da Editora Paulinas, também fez uma boa avaliação do festival. Além das boas vendas no primeiro dia do evento, na terça-feira (25), ele chamou atenção para este sábado.
Desde terça-feira, graças a Deus, muitos clientes, muitas pessoas visitando, mas o ápice foi no sábado, com certeza.”
A editora católica conta com uma unidade em Salvador e participa do Flifs há anos, vendendo livros da área religiosa, mas também da educação e outros assuntos. Sobre os preços, Alexsandro explicou que houve um aumento nos valores dos livros.

“Nós, por exemplo, estamos aguentando um pouquinho o aumento dos preços desde a pandemia. Só este ano nós fizemos alteração dos preços dos livros. Então, com certeza o valor do ano passado não é igual a esse ano. A gente está conseguindo dar um desconto, um arredondamento para atrair mais o cliente. Livro não paga imposto, mas tem o custo de logística e edição editorial, então fica um pouquinho caro.”
No estande, os livros podem custar a partir de R$ 10, com destaque especial para o clássico O Pequeno Príncipe, que está sendo vendido pela editora por R$ 16,50. Para este domingo, ele espera continuar com boas vendas.
Sábado e domingo, com certeza, a gente alcança mais as famílias que vêm, né, para esse momento e traz seus filhos.”



Outros produtos
Débora Brito vendeu velas aromáticas, cheirinhos de ambientes e para carro, e lembrancinhas personalizadas pelo segundo ano no Flips. A comerciante elogiou a mudança de espaço, afirmando que suas vendas aumentaram por conta do crescimento no número de pessoas presentes.

Sobre os produtos, com preços que variam de R$ 17 a R$ 42, Débora explicou que os cheirinhos podem ser usados em carros ou ambientes de casa, mas que também trabalha com os sprays específicos para banheiros ou acessórios e móveis da casa, como tapetes, sofás, camas e cortinas.
Depois que eles mudaram para cá, o público aumentou comparado ao último local que eles tinham feito. Esse é meu segundo ano participando. Então, como o público foi muito maior, então as vendas se tornaram muito maiores também.”
Com informações do repórter Ney Silva, do Acorda Cidade.
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