3 de September de 2026
Audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores em defesa dos direitos dos motoentregadores e mototaxistas em Feira de Santana.
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Na manhã desta quinta-feira (3), foi realizada uma audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores em defesa dos direitos dos entregadores e mototaxistas, que trabalham por meio de aplicativos, em Feira de Santana. O debate discutiu os desafios atuais da categoria e sugestões de melhorias das condições de trabalho.

Audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores em defesa dos direitos dos motoentregadores e mototaxistas em Feira de Santana.
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

O motoentregador Celso Santos, representa o Grupo Profissão Perigo e a Associação Amba. Ele participou da audiência e relatou situações do dia a dia dos trabalhadores, como perseguição por animais, assaltos, agressões, cobranças em excesso e falta de segurança para transitar nas ruas da cidade, sobretudo no período da noite.

“É perigo mesmo o tempo todo e é uma classe sofredora que, cada dia que passa, está sendo mais cobrada, mais exigida; e benefício para a gente, nada. Hoje quem trabalha com duas rodas em Feira de Santana está sendo um mágico, porque a gente tem que fazer mágica para conseguir trabalhar. O trânsito é intenso, as cobranças são muito rigorosas, o poder público olha para a gente como se a gente fosse nada, é muita cobrança, muita multa e principalmente à noite. Estamos muito vulneráveis a assaltos, principalmente nas sinaleiras do centro da cidade.”

Audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores em defesa dos direitos dos motoentregadores e mototaxistas em Feira de Santana.
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

Ele citou como exemplo um colega de profissão que quase perdeu a motocicleta na Avenida Getúlio Vargas, no centro da cidade, vítima de uma tentativa de assalto.

“Se não viesse uma viatura na transversal, ele tinha perdido a moto. A PM conseguiu acompanhar os meliantes e conseguiu pegar.  Então hoje a gente sofre demais. É acusação de roubo de cliente que pediu uma entrega e colocou o endereço errado. É acusação de cliente dizendo que a gente cobrou duas vezes, só que na verdade a gente só quer o nosso, a gente não quer nada de ninguém.”

Audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores em defesa dos direitos dos motoentregadores e mototaxistas em Feira de Santana.
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

O vereador Pedro Américo, autor do requerimento para a Audiência Pública, destacou que o debate visou alertar aos empresários, à população e o poder público sobre a importância dos trabalhadores sobre duas rodas, que hoje prestam um serviço essencial à sociedade.

“Nós temos lutado muito para que essa categoria possa ser valorizada, e foi feito um debate sobre um projeto de lei que busca regulamentar o transporte e o serviço de aplicativo na cidade. Esse projeto coloca preço público no uso da via, que nós entendemos que é inconstitucional, cobra uma taxa a mais de 2% por cada corrida e faz com que a Secretaria de Mobilidade possa ter acesso aos dados de cada corrida”, informou.

Na avaliação do parlamentar, o projeto poderia inviabilizar o trabalho da categoria, ao afugentar as plataformas da cidade.  

“Nós entendemos que esse projeto não era adequado para a cidade, primeiro por causa da vulnerabilidade do acesso aos dados, a forma como as coisas iam poder acontecer; segundo, que, com esse projeto de lei, simplesmente as grandes plataformas que estão na cidade, que tem no Brasil, como iFood, Uber, 99, simplesmente elas poderiam, no dia que aprovar, sancionar essa lei, essa lei passar a vigorar, o aplicativo não vai mais funcionar em Feira. Então, imagine quantos pais de família, quantas mães de família poderiam ficar sem a sua renda, sem o seu dinheiro, simplesmente por causa de um projeto de lei que estava tramitando na Câmara Municipal?”

Audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores em defesa dos direitos dos motoentregadores e mototaxistas em Feira de Santana.
Foto: Paulo José/Acorda Cidade

O vereador disse que faz parte da mobilização para que o projeto não seja aprovado pelo Poder Executivo.

“Hoje nós fizemos a audiência pública porque eu entendo que o político ele tem que abrir espaço para que as categorias falem. Tivemos aqui representação do secretário da Mobilidade, superintendente de trânsito, advogados especialistas, mas principalmente a presença massiva de uma categoria que parou o dia de trabalho para poder discutir os seus direitos e os seus deveres. E eu tenho certeza que eles cada vez mais fortes, mais unidos, vão conquistar muitas coisas em defesa deles e em defesa de toda a sociedade que depende dos motoentregadores, dos motofretistas, e daqueles que transportam passageiros.”

Com informações do repórter Paulo José, do Acorda Cidade.

Siga o Acorda Cidade no Google Notícias e receba os principais destaques do dia. Participe também dos nossos canais no WhatsApp e YouTube e grupo de Telegram.