4 de September de 2026
Manifestação de ex-funcionários de empresas de ônibus em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Rodoviários que trabalharam nas antigas empresas de ônibus coletivo de Feira de Santana, Princesinha e 18 de Setembro, realizaram, nesta sexta-feira (4), uma manifestação em frente à prefeitura para cobrar uma solução para o pagamento de direitos trabalhistas.

Segundo o representante da categoria, Renato Ito, este foi o quinto ato realizado pelos trabalhadores, que aguardam o fim do impasse há mais de uma década. Ainda conforme relato dos trabalhadores as empresas simplesmente encerraram as atividades sem honrar com os compromissos firmados com os funcionários.

“O nosso objetivo mesmo é convencer os órgãos públicos, o Ministério Público, para ver uma solução pra gente. A gente precisa de uma solução. São 11 anos lutando. A gente ganhou na justiça, a gente tem nossos direitos garantidos e, por enquanto, a gente ainda não recebeu nada”, afirmou Renato.

Para a reportagem do Acorda Cidade, Ito disse que aproximadamente 1.200 trabalhadores foram afetados pelo fechamento repentino das duas empresas. Ele estima que apenas cerca de 5% desse total tenham conseguido receber as indenizações previstas em lei.

“O golpe já estava sendo arquitetado há muito tempo, tanto é que foi feita transferência de frota e ninguém questionou. O sindicato não questionou, a prefeitura não questionou, não houve fiscalização. Foi feita transferência de dono, lançaram um laranja, o cara não tem condição de pagar nada, botaram ele porque tudo foi premeditado. A massa aqui, nós, motoristas e cobradores, fomos iludidos, nos venderam uma fantasia.”

Manifestação de ex-funcionários de empresas de ônibus em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Os manifestantes também cobram respostas diretas do poder público. Renato relatou que, em uma mobilização anterior, uma comissão de trabalhadores se reuniu com o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho.

“O prefeito apenas disse que, caso a Justiça determine que a prefeitura pague, ele vai pagar. Então a gente está aqui cobrando. Eu espero que a Justiça, que alguém aí possa se mover e nos ajudar. A gente só quer ajuda do Ministério Público, de quem quer que seja, da Justiça”, afirmou Ito na esperança de resolver a questão que se arrasta há 11 anos.

Outro trabalhador ouvido pela reportagem do Acorda Cidade durante a manifestação foi Lismar Oliveira. O ex-funcionário da empresa de transporte coletivo público 18 de Setembro também cobrou uma resposta das autoridades.

Manifestação de ex-funcionários de empresas de ônibus em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

“Mais uma vez nós viemos aqui em busca do nosso direito trabalhista. Há 11 anos, em agosto de 2015, a empresa foi embora nos dando calote, ou seja, existe órgão dentro desta cidade que está sendo conivente com essa situação e está sendo omisso nessa situação. E aqui estamos agora com muitos pais de família à mercê em busca dos nossos direitos”, disse.

Segundo Lismar, os trabalhadores já enfrentavam problemas com os veículos antes mesmo do encerramento das atividades. O rodoviário também citou a existência de um prédio da Sincol e alegou que haveria empresas que estariam relacionadas à situação.

“Como é que vai ficar nossa situação? Já vinha aquela pendenga de carro quebrando, carro pegando fogo, e os órgãos do poder público já tinham conhecimento. E agora, por que tá tendo essa omissão de pagar nossos direitos trabalhistas? Nós estamos aqui agora como cão sem dono. Quem é que vai responder por essa situação? Prefeito, nos ajude, pelo amor de Deus!”, concluiu o trabalhador.

Manifestação de ex-funcionários de empresas de ônibus em Feira de Santana
Foto: Paulo José / Acorda Cidade

Para a reportagem do Acorda Cidade, Renato Ito avaliou que as manifestações têm contribuído para manter a reivindicação em evidência e afirmou que a categoria pretende continuar mobilizada.

“Eu acho que sim, tá tendo resultado. O pior seria se não tivesse manifestação. Então a causa é justa sim, a gente vai continuar lutando. Na próxima semana estaremos lá na porta do sindicato para que ele, que foi um dos causadores, responda por que permitiram a troca de sociedade das empresas, por que permitiram a transferência dos ônibus e por que foram omissos e fecharam os olhos”, finalizou Ito.

Com informações do repórter Paulo José do Acorda Cidade.

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