6 de September de 2026
baianasystem
Foto: Divulgação

Neste domingo (5), o BaianaSystem apresenta, no palco Sunset do Rock in Rio, um show construído a partir dos códigos de sua identidade musical e cultural. Partindo do disco “O Mundo Dá Voltas”, que lança um olhar sobre um presente atravessado por catástrofes climáticas e tensões geopolíticas, o grupo reconhece que esse movimento de olhar para fora também o faz voltar a olhar para si. Um olhar para as matrizes que formam sua identidade.

É nesse percurso em direção ao próprio DNA que o BaianaSystem constrói o show do Rock in Rio. Afrorock, cultura sound system, música orquestral, vozes afrossinfônicas e diferentes derivações da música popular brasileira se encontram com referências da cultura musical latino-americana, como a cumbia e a salsa. A presença da cantora Claudia Manzo, chilena radicada há 14 anos no Brasil e a há quatro anos no BaianaSystem, reforça ainda mais em cantos e versos combativos a conexão com a cultura sul-americana.

Esse retorno às matrizes passa também pela oportunidade de estar presente e ocupar a Casa da Ponte, no Pelourinho, sede da Orquestra Afrosinfônica do Maestro Ubiratan Marques, parceiro e integrante do BaianaSystem. O espaço funciona como ambiente de experimentação e criação musical, onde o grupo desenvolve pesquisas e trabalhos como a trilha para uma das salas da exposição “O Brasil de Tarsila”, de Tarsila do Amaral.

O processo de pesquisa e revisitação das próprias matrizes ganha amplitude nas voltas que o BaianaSystem faz pelo Brasil com o show “Nossa Cultura em Primeiro Lugar”, se aproximando de músicos, mestres, manifestações das culturas populares locais e criando encontros que alimentam sua própria construção artística. E é a partir dessas experiências que o grupo molda os shows apresentados nos grandes festivais.

No Rock in Rio, todo esse processo ganha uma expressão própria. Com direção de Alice Carvalho, Russo Passapusso e Filipe Cartaxo, o show articula essas matrizes por meio de encontros que fazem parte das referências do BaianaSystem. Entre os convidados estão Antônio Carlos & Jocafi, mestres do samba e da música brasileira, e Ranking Joe, mestre da cultura sound system.

Alice Carvalho também participa do show, entre voz e declamação. A formação reúne ainda As Afrossinfônicas (vozes femininas da orquestra), três sopros femininos e a performance corporal do artista potiguara Juão Nyn, ampliando o conjunto de vozes que atravessa o espetáculo.

O show no Rock in Rio também marca a estreia do triolim no palco do BaianaSystem. Criado por Dodô, um dos inventores do trio elétrico, o instrumento integra, ao lado da guitarra e da guitarra baiana, a formação instrumental do trio elétrico. Com sonoridade própria e de peso, chega ao palco como mais um elemento dessa matriz musical.

É dessa articulação entre mestres, culturas, vozes, instrumentos e territórios que o BaianaSystem apresenta no Rock in Rio a síntese desse ciclo de reelaboração constante de seu DNA musical e cultural.

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