6 de September de 2026
escritor feirense Yves São Paulo
Foto: Divulgação

O escritor feirense Yves São Paulo é finalista da 23ª edição do Prêmio Sesc de Literatura, uma das principais premiações voltadas a autores inéditos no Brasil. Sua obra foi selecionada entre os 15 livros de contos que chegaram à etapa final da categoria, sendo ele o único autor baiano entre os finalistas nas categorias de prosa.

A edição de 2026 recebeu 2.969 inscrições, distribuídas entre as categorias Conto, Romance e Poesia. Somente na categoria Conto, foram 806 obras inscritas, das quais 15 avançaram para a final. Para Yves, estar entre os finalistas representa um reconhecimento importante, especialmente para quem ainda não publicou a obra. 

“Eu estou muito contente. Mesmo não sendo o vencedor, há um reconhecimento em estar entre os 15 finalistas. Algo que te diz: você está fazendo um trabalho interessante que vale a pena ser lido”, afirma.

O escritor destaca ainda que a classificação funciona como um incentivo para continuar escrevendo. “Enquanto a gente não publica, enquanto a gente está só nesse percurso de escrita, fica essa pulga atrás da orelha: será que alguém vai gostar? Será que vale a pena continuar? Ter chegado tão longe diz que sim. Tem gente que pode se interessar”, relata.

Professor e cineasta, Yves São Paulo é formado em Filosofia e publicou, em 2020, o livro A metafísica da cinefilia, além de ter organizado coletâneas e realizado traduções. Entre 2015 e 2022, foi um dos fundadores e editores da Revista Sísifo.

Sua atuação também se estende ao audiovisual. Em 2025, integrou a equipe do documentário Feiraguay. Na literatura de não ficção, já recebeu reconhecimento nacional: em 2024, foi laureado no Prêmio Literário Cidade de Manaus, na categoria Melhor Livro de Ensaio.

A obra que levou Yves à final do Prêmio Sesc de Literatura é uma coletânea inédita de contos que flertam com o fantástico e dialogam com elementos do realismo maravilhoso. Entre as principais referências do autor estão os escritores Júlio Cortázar e Roberto Bolaño.

Além da conquista individual, Yves considera que a classificação também evidencia a efervescência cultural e literária de Feira de Santana. Para ele, a produção de um escritor não acontece de forma isolada, mas é influenciada pelo ambiente cultural ao seu redor.

“Isso é um indicativo não só meu, individual, mas de todo o clima literário da cidade. Porque um escritor, por mais que escreva sozinho, ele também vive num mundo onde coisas acontecem que o estimulam”, explica.

O autor também destaca a importância da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), do Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (Flifs) e do contato com outros artistas para a construção de sua trajetória.

Mesmo que os contos selecionados não tenham Feira de Santana como cenário, Yves entende que a cidade está presente de outra maneira em sua produção. “Mesmo que os contos não falem de Feira, eles existem porque há um cenário cultural em efervescência ao meu entorno, por mais que a gente negativize e o diminua”, ressalta.

O autor também cita a convivência e a interlocução com outros nomes da produção literária local como parte importante desse processo. “Há anos convivo com escritores dos quais valorizo muito, e até busco interlocução: Francisco Gabriel Rêgo, Julia Grilo, Rodrigo Ornelas, Marcelo Vinicius”, completa.

Embora o livro ainda não esteja disponível para o público, a seleção, no entanto, já coloca o nome de Yves São Paulo em evidência no cenário literário nacional e reforça a presença de Feira de Santana na produção contemporânea de literatura.

Criado para revelar novos talentos da literatura brasileira, o Prêmio Sesc de Literatura se consolidou como uma importante porta de entrada para escritores inéditos no mercado editorial. Ao longo de suas edições, a premiação tem contribuído para projetar novos autores no cenário nacional.

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